quarta-feira, 17 de agosto de 2011

UM TESTEMUNHO

A melhor noite de minha carreira como pregador até então foi quando fui pregar na igreja do Pastor X.

Como o culto fazia parte de uma programação envolvendo outras igrejas das redondezas, estava lá também o pastor Y.

O sermão da noite esteve baseado em Lucas 10.25-37, na parábola do Bom Samaritano. A tônica da mensagem é que Deus está farto de ter de usar as exceções da história (o samaritano), devido à indiferença dos religiosos, de quem naturalmente se espera amor e boas obras.

Fiquei feliz, pois senti que a mensagem foi abençoada por Deus e assimilada pela Igreja. Além disso, após o culto, pude passar momentos muito agradáveis com minha família (algo que, na minha rotina, às vezes se torna raro): lembro que comemos pizza juntos e lembro-me também da alegria de meu filho quando fomos à banca comprar um álbum de figurinhas do Ben 10.

A surpresa inesperada foi quando, meses depois, fui convidado para pregar na igreja do pastor Y.

Enquanto aguardava a hora da ministração, uma senhora recebeu a oportunidade para falar e testemunhou de sua alegria por agora ter um teto, agradecendo ao mutirão organizado pelo pastor Y juntamente com os irmãos da igreja para construir um cômodo de alvenaria para ela.

Quando o microfone voltou ás mãos do pastor Y, ele revelou que a mensagem que eu pregara meses atrás na igreja do pastor X o havia incomodado, desafiado e motivado a realizar esta obra a favor daquela irmã.

Foi algo maravilhoso para mim saber que uma senhora tinha onde repousar a cabeça devido a um sermão que eu preguei.

E mais: Se eu não estivesse lá naquela exata noite, eu jamais saberia disto, não só pelo testemunho da irmã, que nada sabia, prestado na noite em que lá eu estava, mas também porque pouco tempo depois, o pastor Y deixaria a cidade.

Lendo este post, talvez venha à sua mente o desejo de me recriminar ou me taxar de materialista, por dedicar tantas linhas a um fruto material de meu ministério (ou seja, falar de uma casa ao invés de falar de almas).

Mas para aqueles que, como eu, sabem quanto é difícil pregar e lidar com as crises ministeriais (qual obreiro nunca se perguntou: “será que amarrei meu burro no lugar certo”?) sabem quão valioso é poder contemplar de forma tão concreta um sinal da bênção de Deus sobre seu ministério.

Aqueles que assim sabem podem melhor apreciar estes vislumbres incentivadores que Deus, em sua graça, concede ao pregador.

E saber que a glória é só dEle.

Mas a alegria Ele aceita dividir com o pregador.

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