sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DESUNIÃO OU POSTURA APOLOGÉTICA?



“Nunca vemos na TV um pai-de-santo falando mal de outro. Mas lamentavelmente vemos pastores falando mal uns dos outros. Isto mostra o quanto a igreja evangélica é desunida”.

Não me recordo exatamente a ocasião, nem o autor da frase (se não me falha a memória, seria um dos pastores midiáticos atuais), ou se ele usou a palavra “criticando” no lugar de “falando mal” (embora, a meu ver, ele igualou as duas coisas em sua fala). Mas sua postura de lamento marcou minha memória.

E neste momento manifesto minha discordância em relação ao pensamento do referido pastor.

Existe uma razão muito simples pela qual não temos pais-de-santo falando mal uns dos outros: eles não foram chamados a batalhar pela fé que foi dada aos santos (Jd 3)!

O trabalho apologético faz parte do ministério pastoral (2Tm 4.2-5; Tt 1.9). Quando entendemos isso, percebemos que existe uma diferença entre promover união e promover união a qualquer custo.

União a qualquer custo chama-se corporativismo - e o corporativismo se preocupa apenas em “defender os nossos”. Não se preocupa com a devida crítica de suas ações (e, como estamos falando de pastores, com a devida crítica de seu ensino). O espírito corporativista não representa o ideal de unidade para a Igreja - o que me levou a detectar grande perigo na frase que abriu este post.

Precisamos de pastores criticando uns aos outros, sim.

Atitude de desunião? Não. Postura apologética.


Mais que isso: não podemos abrir mão deles e muito menos nos escandalizar com eles, com a consciência de que a já acentuada tendência que a igreja possui para o corporativismo não deve ser alimentada.