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terça-feira, 8 de maio de 2018

CONSELHOS A JOVENS PREGADORES


  1. Seu ministério deve ser consequência de sua vida com Deus. Sendo assim, não inverta a ordem dos fatores, nem as prioridades.
  2. Não se esqueça  que, antes de mais nada, você é crente: você deve glorificar ao Senhor no púlpito e fora dele.
  3. Ser pregador é mais do que ser uma máquina de fabricar sermões. Busque seu desenvolvimento integral (afetivo, social, cultural); viva e cresça como pessoa e como servo de Deus.
  4. Não permita que sua família fique à parte de seu ministério e nem permita que o ministério destrua sua família.
  5. Busque independência financeira e estabilidade profissional, para que o exercício de seu ministério não seja motivado por dinheiro ou mesmo pela subsistência.
  6. Entenda que o poder de seu sermão reside na biblicidade do mesmo. A unção de Deus não opera à parte da Palavra de Deus
  7. Não se preocupe em impressionar ou mesmo agradar, se preocupe em ser fiel (mesmo que você te convidem a retornar).
  8. Dependa de Deus e faça seu melhor.
  9. Como pregador, você tem duas ferramentas de trabalho: a Palavra e a palavra. Seja bom teólogo e bom comunicador.
  10. Que sua agenda esteja comprometida com a agenda de Deus.
  11. Você faz a obra, mas não está no controle da mesma. Trabalhe e deixe Deus cuidar dos resultados (obs: e alguns deles permanecerão desconhecidos a você).
  12. Mantenha sempre o enfoque evangelístico em suas ministrações.
  13. Que seu estilo homilético reflita, acima de tudo, autenticidade.
  14. No púlpito, adote o lema de João Batista: que Ele cresça e eu diminua.
  15. Não prostitua seu ministério.
  16. Evite os extremos do academicismo e do fanatismo. A genuína erudição anda junta com o fervor correspondente.
  17. Nem sempre você receberá aceitação, gratidão ou honras. Não seja iludido. Contudo, continue pregando, quer os homens te conferiram tais coisas ou não.
  18. A verdade liberta. Logo, entenda-se e aja como agente de emancipação e transformação do ser humano, e não de sua alienação.
  19. Tenha fé diante de seus fracassos e seja paciente (não conivente!) consigo mesmo. Você está em formação continuada. Fracassos não são superados com desistência, mas com perseverança.
  20. Não se canse de amar a Deus e às pessoas.

segunda-feira, 12 de março de 2018

A IGREJA NÃO PODE VIRAR WAKANDA



Se você ainda não assistiu Pantera Negra, aconselho você retornar a este texto após ver o novo filme da Marvel Studios, sucesso de crítica e público, a fim de evitar possíveis spoilers. 

T'Challa é um super-herói incomum: antes de ser um guerreiro, é o rei de Wakanda, país africano fictício do universo Marvel, reserva mundial de Vibranium, metal fictício precioso e poderoso, que possibilitou o desenvolvimento tecnológico e social sem par desta nação e que por isso mesmo vive isolada de outras nações, preservando seu estilo de vida em sigilo. 

O Pantera Negra incorpora as funções de estadista, guerreiro e representante das crenças ancestrais de seu povo, o que o faz dele um personagem muito interessante, testemunho da genialidade de seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby e de como desde o início da formação de seu universo de super-heróis a Marvel soube trabalhar bem questões sociais e de representatividade.

O filme apresenta a coroação de T'Challa (seu pai, o antigo rei, fora assassinado em Capitão América: Guerra Civil) e o enfrentamento de um antagonista que pretende assumir o trono, Killmonger.

Uma fraqueza comumente apontada  nos filmes da Marvel é a superficialidade de seus vilões. Para boa parte da crítica e do público, Killmonger se torna uma exceção, pois seu argumento para enfrentar o herói é plausível: Wakanda se isolou do restante do mundo em sua riqueza e ignorou o sofrimento histórico da população negra. Wakanda era culpada de omissão e reformas eram necessárias. Infelizmente, Killmonger busca implementar sua visão através de crimes de ódio, o que torna sua reprovável sua conduta. O Pantera Negra vence seu antagonista e implementa uma política de cooperação internacional.

Não posso deixar de fazer uma comparação entre Wakanda e muitas igrejas de nossos dias: possuem a riqueza do Evangelho, mas estão fechadas em si mesmas, alheias a todo sofrimento e necessidade a seu redor. Tal tipo de omissão é imoral, assim como a da fictícia Wakanda.

Não temos vibranium, mas aquilo que temos, somos chamados a dar (At 3.6), diminuindo, em nome de Jesus, a dor de quem nos cerca. 

O Evangelho para sempre!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DESUNIÃO OU POSTURA APOLOGÉTICA?



“Nunca vemos na TV um pai-de-santo falando mal de outro. Mas lamentavelmente vemos pastores falando mal uns dos outros. Isto mostra o quanto a igreja evangélica é desunida”.

Não me recordo exatamente a ocasião, nem o autor da frase (se não me falha a memória, seria um dos pastores midiáticos atuais), ou se ele usou a palavra “criticando” no lugar de “falando mal” (embora, a meu ver, ele igualou as duas coisas em sua fala). Mas sua postura de lamento marcou minha memória.

E neste momento manifesto minha discordância em relação ao pensamento do referido pastor.

Existe uma razão muito simples pela qual não temos pais-de-santo falando mal uns dos outros: eles não foram chamados a batalhar pela fé que foi dada aos santos (Jd 3)!

O trabalho apologético faz parte do ministério pastoral (2Tm 4.2-5; Tt 1.9). Quando entendemos isso, percebemos que existe uma diferença entre promover união e promover união a qualquer custo.

União a qualquer custo chama-se corporativismo - e o corporativismo se preocupa apenas em “defender os nossos”. Não se preocupa com a devida crítica de suas ações (e, como estamos falando de pastores, com a devida crítica de seu ensino). O espírito corporativista não representa o ideal de unidade para a Igreja - o que me levou a detectar grande perigo na frase que abriu este post.

Precisamos de pastores criticando uns aos outros, sim.

Atitude de desunião? Não. Postura apologética.


Mais que isso: não podemos abrir mão deles e muito menos nos escandalizar com eles, com a consciência de que a já acentuada tendência que a igreja possui para o corporativismo não deve ser alimentada.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A REGRA NÃO PODE VIRAR EXCEÇÃO



Desde 13 de março de 2013, ao ser eleito papa, Jorge Mario Bergoglio tem surpreendido o mundo com suas atitudes.

A começar pela escolha de seu nome papal, “Francisco”, homenageando o poverello de Assis. Logo em seguida, ao pedir que orem por ele, surpreende com suas maneiras afáveis e gentis. Continua surpreendendo com sua acessibilidade e, principalmente, por seu desapego, expresso nos hábitos simples, na pela pregação a favor de uma vida simples e na punição de religiosos que viviam luxuosamente à custa dos fiéis.  

Realmente, Francisco é uma surpresa para o mundo (mesmo para aqueles que, como eu, não concordam com sua teologia). Uma grata surpresa.

E ao mesmo tempo, lamento que Francisco cause tanta admiração – pois, afinal, ele está simplesmente demonstrando a prática que sua crença exige.

O nível de surpresa que o mundo demonstra diante de Francisco demonstra também algo mais grave: que não é esperado um comportamento gentil e humilde por parte de um líder religioso. Quando ocorre, é de causar admiração.

Isto mostra que a regra se tornou exceção! Triste realidade!

Costumo pensar que herói é aquele que faz o qualquer um deveria ter feito. Neste sentido, a existência de “heróis” se constitui em uma anomalia. E, como dito, triste é o povo que precisa de heróis – porque não assume sua vocação para a virtude.

Precisamos de uma nova safra de religiosos que mostre que gentileza e humildade é regra, não exceção, fazendo com que o mundo pare de se espantar diante destas virtudes – e simplesmente se acostume com elas.


E que esta nova safra venha a surgir também no Brasil, tão repleto de pastores-que-querem-ser-papas, que fariam bem em observar melhor este papa que quer ser pastor.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A OBRA DE DEUS NÃO CUSTA A DIGNIDADE DO SERVO DE DEUS

Acredito que um dos grandes problemas dos ministros evangélicos contemporâneos está na maneira com que expressam seu afã de fazer grandes coisas para Deus.

É quase lugar-comum crer que a contrapartida de um grande ministério é a construção de uma grande estrutura ministerial.

E, por estrutura ministerial, entenda-se também estrutura midiática e política.

Todavia, não basta apenas construir uma grande estrutura ministerial. É necessário sustentá-la.

É como alimentar um monstro - pois para sustentar tal estrutura ministerial, o ministro se vê forçado a agir cada vez menos como ministro, a dedicar cada vez menos tempo de seu ministério em ministrar. É necessário captar recursos para sustentação da estrutura ministerial (editora, programa de rádio, TV, plataforma política). É necessário pedir, pedir, e pedir; fazer alianças e acordos; apadrinhar e ser apadrinhado; entrar no jogo do poder e do mercado.

E o ministro vira escravo de sua própria estrutura ministrerial.

E a própria estrutura ministerial corrompe o ministro. 

Ninguém precisa vender a alma ao Diabo para fazer a obra de Deus.

Se o preço de ter um programa de rádio ou TV é gastar a maior parte do tempo implorando por contribuições, a opção é simples: não tenha um programa de rádio e nem de TV. Não vale a pena. O preço cobrado é alto demais; sua dignidade enquanto ministro e enquanto pessoa.

Se o preço de aparecer na televisão é propagar uma teologia ruim, subserviente aos caprichos humanos, a opção é simples: não vá à televisão. Não vale a pena. O preço cobrado é alto demais; sua dignidade enquanto ministro e enquanto pessoa.

Se o preço de entrar na política é o de submeter-se alianças escusas, a opção é simples: não entre na política. Não vale a pena. O preço cobrado é alto demais; sua dignidade enquanto ministro e enquanto pessoa.

Se o preço de criar uma "empresa cristã" é o de jogar segundo as regras do mercado, e não segundo a ética e justiça do Evangelho, a opção é simples: não crie uma empresa cristã. Não vale a pena. O preço cobrado é alto demais; sua dignidade enquanto ministro e enquanto pessoa.

Se o preço de estar em evidência é o de alimentar o culto à sua personalidade e ao mesmo tempo despersonalizar-se, a opção é simples: prefira o anonimato. Não vale a pena. O preço cobrado é alto demais; sua dignidade enquanto ministro e enquanto pessoa.


Se o preço de criar uma grande estrutura ministerial é o de se tornar um caudilho, a opção é simples: não tenha uma grande estrutura ministerial. Não vale a pena. O preço cobrado é alto demais; sua dignidade enquanto ministro e enquanto pessoa.

Em suma, se o preço de "fazer coisas grandiosas para Deus" é sua dignidade, a opção é simples: não faça coisas grandiosas para Deus.

Apenas pregue o Evangelho. Com fidelidade.

O Evangelho ganha mais quando seus ministros não perdem sua dignidade.

E o Deus grandioso sabe apreciar a simplicidade. Principalmente  quando a vê cercada de dignidade.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

REAVALIANDO O SIMPLISMO EVANGÉLICO

O discurso evangélico é simplista. Enfatiza que somente (e apenas) Jesus é a solução para o problema humano. Sua tese, portanto, é a de que tudo que o homem necessita é receber Jesus Cristo.

Na verdade, este simplismo é verdadeiro e não há nada de errado com ele. Aliás, é bom quando o discurso evangélico consegue alcança tal grau de singeleza (2.ª aos Coríntios 11.3).

No século V Agostinho, definiu o mal como privação do bem. Sendo Deus o bem supremo, aproximar-se de Deus constitui-se na solução do problema ontológico e ético do ser humano, tanto individual quanto coletivamente.

Esta é a mensagem cristã: as pessoas precisam desesperadamente de Deus (ainda que não reconheçam) e Deus é acessível através de Cristo.

Simples, não?

Há uma crítica a ser feita, porém – não ao simplismo do discurso evangélico, mas à interpretação e aplicação simplista do discurso evangélico.

É absolutamente correto afirmar que receber a Jesus é a única e exclusiva solução do problema humano, MAS:

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é compreendido apenas como uma alteração de hábitos religiosos;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é desvinculado de sua dimensão ética;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus se torna um exercício de individualismo, não se prestando à formação do espírito de comunidade;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é compreendido apenas como uma garantia de bem-aventurança pós-morte, sem a realidade da bem-aventurança presente;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus não é compreendido como o caminho para a formação de um ser humano melhor, em todos os aspectos de sua vida;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus gera alienação ao invés de emancipação;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é compreendido como subserviência àqueles que falam em nome dEle, ao invés de compromisso ardoroso com a realização da vontade de Deus;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus não gera gratidão e misericórdia para com o próximo, mas bravatas orgulhosas;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus não traz novidade de vida.

A Igreja evangélica não deve ter vergonha do simplismo da mensagem que prega (isto é positivo!) - mas se faz necessário discernimento para esta mesma mensagem não seja deturpada em algo simplório.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ATENÇÃO! NÃO USE MAL A HISTÓRIA DE JOSÉ DO EGITO

A história de José (Gênesis 30.22-24; 37-50) é uma das mais belas e profundas de toda a Bíblia: cresceu em um lar conturbado, perdeu sua mãe ainda jovem, foi separado do amor de seu pai ao ser traído e vendido como escravo pelos próprios irmãos, jogado na prisão injustamente por causa de uma calúnia e, contra todas as probabilidades, graças aos dons que Deus lhe dera, tornou-se a segunda pessoa no governo do Egito, administrando a potência mais importante de sua época e sendo uma ferramenta fundamental para promover o bem-estar social e a preservação da família que o rejeitara, que constituía-se no núcleo embrionário da nação de Israel, de onde o Messias descenderia.

Todos nós temos relação com a história de José e temos muito a aprender com ele.

A maioria dos evangélicos, contudo, lêem esta história e mantém seu foco em apenas um evento: a chegada de José ao poder no Egito, formulando o seguinte princípio:

"Se Deus colocou um escravo no trono do Egito, fará o mesmo comigo".

É o que chamo de princípio da exaltação.

Eu não duvido de que Deus, em sua soberania, realmente abençoe pessoas de forma surpreendente, levando-as a, contra toda probabilidade humana, assumirem postos de extrema relevância na sociedade (Jó 42.2; Salmo 113.7-8; Daniel 4.35).

Me incomoda, porém, o simplismo, automatismo e generalização implícitos no chamado "princípio da exaltação", que se revela falso justamente por ignorar outros importantes fatos da história de José:

1. José possuía habilidade para assumir o cargo que Deus colocara sob sua responsabilidade: já demonstrara ser um exímio administrador na casa de seu pai (Gn 37.2-3, 13-14), na casa de Potifar (Gn 39.2-6), e mesmo na prisão (Gn 39.20-23). Era uma pessoa amável (preocupava-se em ser útil onde quer que estivesse) e de elevado compromisso ético (Gn 39.8-9). Ou seja, Deus não "exaltou" José apenas para recompensá-lo particularmente (e é somente isto que o  princípio da exaltação consegue visualizar: a "posição de destaque", que deve ser um pretenso elemento automático na vida de quem crê)  mas a história de José nos mostra que Deus coloca a pessoa certa no lugar certo. Deus não se comprazeria  com o sofrimento causado por uma pessoa inepta em uma posição de liderança e que lá estaria por ter sido supostamente "exaltada" por Ele - não o faça cúmplice de uma coisa destas! Ele não deixa de reconhecer os dons que Ele distribui para que o serviço (outra palavra que o "princípio da exaltação" desconhece) prestado ao próximo seja eficaz, bem como não deixa de reconhecer o esforço de servos dedicados que buscam aprimorar e usar seus talentos em Sua presença, alimentando a preguiça daqueles que esperam soluções mágicas e reivindicam "exaltações" automáticas.

Deus distribui dons diversos e vocações diversas - não é porque uma vocação se cumpre de forma "humilde" (ou seja, longe dos holofotes), que isto signifique que ela deixe de ter relevância ou seja menos "exaltada". 

2. José executou um serviço de extrema relevância para a sociedade de seu tempo: para José, "chegar no topo" não foi um fim em si mesmo, mas um meio para prestar um serviço relevante a Deus e à sociedade (Gn 41.46-49, 53-57)*, ou seja, uma oportunidade de ministério. Temo que o princípio da exaltação seja fixado em "lugares de destaque" como um fim em si mesmo, subordinado apenas aos interesses e á vaidade do indivíduo.  

3. José estava a serviço de um propósito maior: Deus não tem filhos mimados. Ele não exalta para massagear egos. A chegada de José ao poder servia aos propósitos redentores de Deus (Gn 50.20). A serviço de quê estão alguns projetos megalomaníacos gerados pelo princípio da exaltação?

A história de José é um incentivo para que não deixemos de cultivar nossos dons e talentos, para que não paremos de estudar, trabalhar e servir. Deus tem uma vocação para cada um de nós, a qual mesmo contra todas as probabilidades humanas Ele deseja cumprir. Devemos nos empenhar em ser as pessoas certas para Deus enviar ao lugares certos.

Que não mais leiamos a história de José para alimentar nosso individualismo e cobiça.

O segredo não é o posto de José. Mas aprender a ser como José.

______
*Faço uma ressalva, porém, no sentido de que a ação de José poderia ter sido um pouco mais criteriosa, pois (talvez de forma inconsciente) ele acabou fortalecendo o imperialismo de Faraó (Gn 47.13-26).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CARTA ABERTA A UM LUTERO ANGUSTIADO


Tudo começou enquanto eu procurava uma figura para substituir o Spectreman (quem foi criança na década de 80, que entenda!) de minha área de trabalho.

Decidi procurar uma imagem relacionada à Reforma Protestante ou aos cinco Solas e me deparei com a charge acima.

Desconheço o autor da charge e o contexto de onde se originou. A leitura que eu faço da imagem me sugere um Lutero angustiado diante da fragmentação da Igreja em diferentes facções teológicas - e, ao meu ver, a angústia maior deste pensativo Lutero é que ele sente-se responsável pela confusão que está às suas costas.

Em parte até concordo que o Reformador de carne em osso teria compartilhariado, em certa medida, com os sentimentos que aparecem no desenho: Lutero pretendia reformar o catolicismo (já cindido desde o século XI), e não criar um novo segmento eclesiástico. Não creio, contudo, que ele teria chegado ao mesmo nível de desânimo representado na figura. 

Afinal, a grande questão que a charge levanta é: diante do quadro religioso que se desenvolveu nos últimos cinco séculos, valeu a pena a Reforma Protestante?

Respondo positivamente a esta pergunta - e gostaria de apresentar meu argumentos na forma de consolação, uma carta aberta a este Lutero angustiado.

"Caro irmão em Cristo:

Você se encontra angustiado, questionando o seu legado. Por favor, gostaria que você considerasse estas razões para você se reanimar e olhar de foema mais positiva o trabalho que fez em prol do Reino de Deus: 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque os riscos da liberdade sempre são preferíveis à falsa segurança da repressão.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque colocou a Bíblia nas mãos do povo - e mesmo que alguns façam mau uso dela, a culpa não é nem sua, e nem da Bíblia (além disso, se este argumento não te convencer, lembre-se que tem muita gente que ainda faz bom uso da Bíblia). 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque ainda que muita gente tenha se equivocado é sempre melhor alguém pensar e errar do que errar porque alguém pensou em seu lugar.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque alguns conceitos do cristianismo realmente possibilitam interpretações variadas  - e foi seu próprio discípulo, Melanchton, quem cunhou o lema máximo da Igreja para lidar com tais questões: 'Nas coisas necessárias, unidade; nas coisas incertas, liberdade; em todas as coisas, caridade'.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque ainda que muitos, mesmo tendo a Bíblia em suas mãos, tenham se afastado da doutrina cristã ortodoxa (nem todas as falas que aparecem às suas costas se enquadram na regra de Melanchton e você sabe disso), assim o fizeram não por consequencia direta do espírito da Reforma, mas justamente por se afastarem do espírito da Reforma, que sempre enfatizava a centralidade de Cristo e das Escrituras. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque não foi a 'sua' reforma particular - o que ocorreu em 1517 foi a culminância de aspirações e sentimentos de várias gerações de cristãos que vieram antes de você e que também desejaram reaproximar a cristandade da Bíblia. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque além dos efeitos religiosos, ela foi também um movimento intelectual e econômico pujante, trazendo diversas contribuições à humanidade. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque foi um movimento que conseguiu desburocratizar a fé, resgatando a simplicidade da mensagem cristã e reafirmando a dignidade de cada cristão com a Bíblia nas mãos, diante de Deus através de Cristo.

E meu caro Lutero, se nenhum destes argumentos te convencer, apresento um argumento tirado de meu tempo, do século XXI:

Nunca precisamos tanto de uma Reforma quanto hoje! A situação está feia, pior do que a cena que está às suas costas!

Espero que este último argumento, ao ressaltar a urgência do resgate de seu legado, demonstre de forma concomitante a importância mesmo, te convencendo de uma vez por todas a espantar o bode e se levantar dessa mesa.

Fraternalmente em Cristo, Vitor Gadelha".

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

PERIGO: QUANDO O PREGADOR SE TORNA INGÊNUO

Poucas coisas são tão perigosas para a Igreja do que um pregador ingênuo.

Quando o pregador é ingênuo, ele prega como se o ideal já fosse realidade, deixando de fornecer subsídios tanto para a crítica da realidade quanto para a implementação do ideal.

Quando o pregador é ingênuo, ele não atenta para o viés ideológico que sua mensagem pode estar assumindo, e nem questiona a quais interesses pode estar servindo: aos de Deus ou ao dos homens.

Quando o pregador é ingênuo, ele não cria pontes, mas paredes entre as questões de seu tempo, acreditando que assim protege seus ouvintes.

Quando o pregador é ingênuo, ele elege certos temas como tabu e evita abordá-los em seus sermões, crendo com isso que estará prestando um serviço a seus ouvintes - deixando de enxergar, assim a abrangência bíblica sobre o todo da realidade e da experiência.

Quando o pregador é ingênuo, ele acredita que sempre tem de ratificar outros pregadores.

Quando o pregador é ingênuo, ele considera que a diferença entre a pregação e ensino é de conteúdo, e não de método, de forma que sua proclamação não ensina - e quando ele ensina, não proclama.

Quando o pregador é ingênuo, ele acredita que pode abrir mão de “ismos” e “logias”, simploriamente crendo que pode descartar mais de 20 séculos de reflexão teológica cristã – e ignorando o quando estas categorias já estão incorporadas a nossa compreensão do cristianismo.

Quando o pregador é ingênuo, ele não possui argumentos, mas generalizações, clichês e frases prontas – e acredita que está fazendo um bom trabalho.

Quando o pregador é ingênuo, ele acredita que orar soluciona todas as coisas.

Quando o pregador é ingênuo, ele se responsabiliza por questões que não são de sua alçada, e perde o foco de suas reais responsabilidades.

Quando o pregador é ingênuo, ele não entende que ele tem de desenvolver o senso crítico de seus ouvintes.

Quando o pregador é ingênuo, ele não sabe avaliar resultados – e talvez nem saiba quais são os resultados que deva buscar.

Por que pregadores ingênuos são tão perigosos?

Porque a ingenuidade no ministério do pregador implica no risco de que ele esteja vindo a ser uma marionete que forma marionetes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

SOBRE PREGADORES E VENDEDORES DE CARRO

Existem grandes semelhanças entre o ministério do pregador e o ofício de um vendedor de carros.

Consigo extrair 2 lições desta comparação que nos alertam sobre a natureza da pregação:

1. A pregação deve ser sempre exposição bíblica: o vendedor de carros não desperdiça o precioso tempo em que ele estabelece diálogo com alguém falando de si mesmo ou contando vantagens - esle seria tolo se assim fizesse e não cumpriria sua missão. Pelo contrário, ele foca sua fala em torno do carro, expõe suas qualidades e características, a fim de que o cliente em potencial possa tomar uma decisão consciente. Da mesma forma, um pregador não é chamado para desperdiçar o precioso tempo do púlpito, falando de si mesmo ou de assuntos inconvenientes, mas deve expor a Palavra de Deus. Sempre saliento aos jovens que aconselho que o poder da mensagem bíblica provém tão somente da base bíblica da mesma. Pregue a palavra, pregador - faça apenas isto - e terá cumprido bem seu papel.

2. A pregação deve ser honesta: da mesma forma que honestidade é um pré-requisito para o vendedor de carros, o mesmo se aplica ao pregador: um mau vendedor de carros se vale de mentiras para cumprir o seu objetivo. O pregador também deve ter o mesmo cuidado em não apresentar uma mensagem mentirosa - e ele sempre faz isto quando faz promessas que Deus não fez e cria expectativas que a Bíblia não sustenta. Ou seja, à semelhança do ´mau vendedor de carros que apela para a desonestidade para vender seu produto (deixando claro que não são todos os vendedores de carro que assim procedem), ao se tornar ávido por números impressionantes e grandes multidões, o pregador se torna mais propenso a corromper sua mensagem, apresentando um "evangelho" ao gosto do freguês - mas um evangelho falso, que, assim como um carro com defeito, será um atraso de vida para  a pessoa que o recebeu.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PENSE NISTO: UMA PALAVRA DE EDNILSON CORREIA DE ABREU

PASTOR , NÃO MORRA.

"Há poucas horas acabei de ler no blog.pastors.com (31/10/2011) produzido pela Sadleback Church que o pastor chamado Kim Hall, que serviu por 20 anos como pastor da Hunter’s Glen Baptist Church , Plano, Texas (EUA), cometeu suicídio.
 
Por que algo assim tão terrível acontece com um pastor?

Muitas conjecturas podem ser feitas, mas as certezas finais sobre tudo só o Senhor o sabe de fato.


Com o coração tocado por esta notícia quero lembrar aqui algumas verdades simples e já conhecidas sobre e para nós pastores.

 
1- Cada pastor é um ser humano, com todas as carências e dificuldades inerentes a natureza caída que todos temos. Esquecer isso é fatal.
 
2- As exigências ministeriais são sempre maiores do que o pastor, como ser humano pode de fato suprir, por isso temos que, como pastores, ser realistas em nossas limitações e ensinar o povo que é assim e nunca será diferente, nunca alcançaremos todas as expectativas, e tentar faze-lo nos conduzirá à doenças e a morte e isso não é plano de Deus.
 
3- Cada pastor, como ser humano precisa viver totalmente na graça, pois na atmosfera de graça podemos respirar um ar renovado para restaurar a alma e seguir adiante.
 
4- Cada igreja deve olhar para o seu pastor como um ser que precisa ser amado, respeitado e reconhecido como mais um ser humano dentro de uma congregação de seres humanos e não de fazedores religiosos humanos. Nós pastores temos de ensinar isso à igreja.
 
5-Não se isole nunca pastor, ache um amigo ou amigos verdadeiros, não competidores por numeros ministeriais ou hipócritas institucionais, ache um outro pastor que se vê como um humano pastor e não como uma máquina eclesiástica.
 
6-Pastor busque uma proximidade vital com Jesus, ame a Jesus, se deleite nele, receba o amor dele, chore, quebrante-se e alegre-se diante dele. Ele nos ama é deseja ter uma real comunhão com cada um de nós.

Concluindo, amados colegas pastores, não se superestime, não carregue fados que não podem e nem deve ser carregados, não assumam o papel de pseudo mártir e nem de Deus.

 
Sejamos apena servos, co-pastores de Jesus, mantendo as “artérias emocionais” desobstruídas, livres e desentupidas da amargura, do rancor, do ódio, da frustração, de pecados ocultos e de outros venenos afins.
 
Lute por aquilo que de fato vale à pena lutar, priorize seu relacionamento com Deus e sua família.
 
Quanto mais sadios formos nós, naturalmente inspiraremos a igreja, não permita que membros doentes adoeçam você. E nunca se esqueça que nada é maior do que a graça que o Pai, em Cristo, no agir do Santo Espírito já derramou sobre a sua vida.
 
Amado pastor, não se mate, mas viva".

Ednilson Correia de Abreu
Pastor da PIB em João Neiva - ES
www.gracaparahoje.com

terça-feira, 27 de setembro de 2011

UMA LEITURA TEOLÓGICA DE “LANTERNA VERDE”

O legalista dentro de mim estava com medo de tirar uma folga e ir ao cinema.



Mas Deus sabe como estava precisando de uma folga.


Fui ao cinema - e Ele falou comigo através do filme!

Saí do cinema com a visão espiritual mais aguçada do que antes de entrar na sala de projeção!

Isto ocorreu quando fui assistir “Lanterna Verde” no cinema.

Já tinha o desejo de assistir a este filme desde que soube de seu lançamento (fui logo quando o filme foi lançado, pois quanto mais eu demorasse para ir, mais difícil seria encontrar uma sessão em 2D com horário compatível – não consigo enxergar efeitos em 3D devido à minha deficiência visual), pois mesmo que Hal Jordan e seus companheiros não sejam meus super-heróis favoritos, considero interessantíssima a temática de seus gibis (ou seja, o anel energético – uma arma movida pela imaginação).

Em resumo, a adaptação cinematográfica da história do super-herói da DC Comics o apresenta sob a seguinte premissa:

"1. Ser escolhido para ser um Lanterna Verde é a mais alta honraria possível;

2. A missão de um lanterna Verde é promover a justiça e defender a vida;

3. O poder de um Lanterna Verde é um poder outorgado para o exercício específico desta tarefa;

4. O poder de um Lanterna Verde não provém dele mesmo, e o anel necessita ser constantemente recarregado na bateria, a fonte do poder verde, no ato de repetir o juramento solene que contém seus princípios;

5. Apesar de possuir o anel energético, é o desenvolvimento pessoal do Lanterna Verde que o torna mais exímio no seu manuseio do anel e eficaz em suas batalhas;

6. O potencial de um Lanterna Verde se desenvolve á medida que ele não sucumbe à 'impureza amarela' que pode neutralizar seu poder".

Saí do cinema alegre, com o paralelo que o filme possibilita fazer entre os Lanternas Verdes e o Reino de Deus:

1. Ser chamado para o Reino de Deus é a mais alta honraria que um ser humano pode receber;

2. Os súditos do Reino possuem uma missão comprometida com a promoção da vida e da justiça;

3. O poder concedido aos súditos do Reino não é para a promoção de seus próprios interesses, mas é outorgado para o cumprimento de sua missão como agentes do Reino;

4. O poder dos súditos do Reino não provém deles, logo, os filhos do Reino não podem negligenciar a Fonte de seu poder, a saber, o próprio Rei, nem os princípios do Reino;

5. Quanto mais o súdito do Reino cresce como pessoa, mais eficiente ele se torna como agente do Reino;

6. E, finalmente, quanto mais vitorioso é o súdito do Reino contra a impureza que o ameaça, maior será seu potencial! 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

QUE TIPO DE PREGADOR É VOCÊ? LULA OU DILMA?

Politicamente falando, apesar de algumas peculiaridades inerentes aos dois presidentes, é possível falar de continuidade entre o governo Lula e o governo Dilma.


Há, contudo, uma diferença marcante entre os dois políticos.


Lula gabava-se de não haver cursado faculdade e desdenhava da utilidade da educação formal para o exercício de seu cargo - ou seja, fazia apologia da ignorância.


Dilma, ao contrário, não se envergonha de sua formação acadêmica e sempre informa à mídia qual o último livro que está lendo.


Existem pregadores que agem da mesma forma que o antigo presidente: promovem em seus púlpitos a idéia de que o não-saber e a falta de informação são ferramentas úteis para o crescimento espiritual.


Afirmam que Deus usa um pregador que pronuncia um português incorreto (e eu não discordo disto), mas ignoram que Deus não deixará de usá-lo se melhorar a dicção.

São pessoas que, pelo não-desenvolvimento de uma visão mais crítica da realidade, apresentam respostas simplistas em suas mensagens.


Alardeiam que pregam a Bíblia somente, e não Lutero, Calvino, Wesley ou Armínio para a congregação: como se fosse possível apagar a influência de homens como tais possuem na vida e pensamento da Igreja. Pior: ignoram eles próprios que sua pregação forçosamente se alinhará com algum destes expoentes do pensamento cristão.


Seus ouvintes nunca serão enriquecidos com o legado espiritual de irmãos no Senhor que não conhecem: Spurgeon, Stott, Lloyd-Jones e outros, mas que poderiam ter sido conhecidos através do pregador – mas, ah, puxa vida, o legado de tais homens encontra-se em livros...

Acreditam que é saudável sonegar informação, sendo assim, seus ouvintes são privados do privilégio de conhecer a diversidade do pensamento cristão: nunca ouvirão falar em teorias milenistas, dicotomia e tricotomia, teoria da lacuna, ou qualquer outro grande debate da história da igreja.


São pessoas que, pior do que ter medo de pensar, têm medo de fazer pensar.


Aqueles que cursaram o seminário (existem, sim, apologistas da ignorância com formação acadêmica) apregoam alegremente que não aplicam nada do que aprenderam no curso teológico na Igreja – uma idéia confusa (onde está o problema, então? No seminário ou na Igreja?) e dissimulada (por que concuíram o curso, então?).


Não estou defendendo um academicismo eclesiástico árido.

Não defendo a idéia de que diploma seja sinônimo de vocação ministerial.

Eu mesmo creio que um pregador possa ter sólidos conhecimentos bíblicos sem possuir formação acadêmica formal (não podemos nos esquecer dos auto-didatas, e os tais devem receber o reconhecimento da Igreja).


Mas em tempos que os púlpitos tanto têm servido à futilidade, confesso que tenho medo dos pregadores-Lula!


Há que se pensar (guardadas as devidas proporções) na declaração de Nicholas D. Kristof (texto integral disponível em http://edrenekivitz.com/blog/2011/08/evangelicos-sem-espetaculo/ ):

"Há muitos séculos, o estudo profundo da religião era extraordinariamente exigente e rigoroso; por outro lado, qualquer um podia declarar-se cientista e passar a exercer a alquimia, por exemplo. Hoje, é o contrário. Um título de doutor em química exige uma formação rigorosa, enquanto um pregador pode explicar a Bíblia pela televisão sem dominar o hebraico ou o grego – ou mesmo sem mostrar interesse pelas nuances dos textos originais".

O negrito e a fonte vermelha da citação são meus - são a expressão de minha preocupação. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

MEU PROBLEMA COM AS RÁDIOS EVANGÉLICAS

Domingo, 07 de agosto, por volta das 17:00h.

Venho fazendo com o carro um trajeto curto, de não mais que 15 minutos, da igreja até minha casa.

Ligo o rádio, sintonizo em uma estação evangélica.

Entre gritos, frases de efeito e línguas estranhas, escuto um pregador vociferar para que as pessoas ofertassem e dizimassem.

Mudo a estação.

Na outra, uma senhora solicita ao pastor que faça uma “oração forte” por ela.

Desligo o rádio. Como disse, o trajeto era de cerca de 15 minutos e não agüentaria esta tortura por tanto tempo.

Mesmo dia, trajeto para o culto noturno.

Ligo o rádio e as primeiras palavras que escuto são “Banco Bradesco”.

Desligo o rádio antes de sair da garagem de casa e vou em silêncio para a Igreja e menciono em meu sermão meu desgosto com o teor da programação das rádios evangélicas.

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Preocupo-me com a imagem que as emissoras evangélicas têm promovido do Evangelho junto ao público, com sua programação recheada de Williams Colgates, crendices e incentivo à superstição e personalismo.

(Ou que imagem formada do Evangelho você acha que tinha a senhora que buscava uma “oração forte” do pastor?)

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Segunda-feira, por volta das 7:40 da manhã.

Por teimosia, novamente ligo o rádio do carro. E sou bombardeado com o número de uma conta corrente.

Mas desta vez não viajo em silêncio, mudo a função do aparelho e opto por viajar ouvindo os MP3 de meu pen-drive.

Ainda bem que desliguei a tempo de não ter de ouvir o locutor gritando “Êita, Deus!”

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Sei que não devo generalizar: não é toda programação gospel radiofônica que presta um desserviço ao Evangelho: reconheço que através das ondas de rádio, milhares de vidas são alcançadas, evangelizadas e edificadas.

Mas ou eu sou muito azarado que não consigo sintonizar tal programação de qualidade ou realmente ela é muito escassa!

PENSO QUE:

... se manter um programa evangélico no ar custa tão caro que o tempo da programação necessário para a evangelização deve ser utilizado na realização de pedidos constantes de ofertas...

... se a pregação radiofônica do Evangelho tem comprometido a essência do Evangelho, com doutrinas e atitudes estranhas...

... se o modelo de espiritualidade apresentado mais contribui para a alienação que para o discipulado...

... se um desserviço ao Evangelho tem sido prestado...

... está na hora de a Igreja repensar e reformatar urgentemente este ministério!

domingo, 10 de abril de 2011

UMA HISTÓRIA COMOVENTE - E UM TESTEMUNHO DA GRAÇA DE DEUS

Nesta semana cheia de tristezas causada pela tragédia no Rio de Janeiro, caiu em minhas mãos a comovente história de Howard Weinstein - uma história que desejo compartilhar com você agora, como testemunho da graça de Deus, fazendo com que não existam somente monstros no mundo.

"O canadense Howard Weinstein tem 60 anos e a empolgação de um adolescente de 12. Falastrão, transita entre o português, o inglês e o francês na mesma conversa, numa confusão quase incompreensível. Na semana passada, sua euforia tinha um motivo profissional. Sua empresa, Solar Ear, entrou no ranking das dez brasileiras mais inovadoras, feito pela revista americana Fast Company. Estava ao lado de companhias como Azul, AmBev e Petrobras. A Solar Ear é a única organização sem fins lucrativos na lista. Com poucos recursos, tem apenas 30 funcionários. E infraestrutura mínima. A despeito do tamanho, está conseguindo um feito nobre (e inédito): dar aos surdos mais pobres do planeta a capacidade de escutar – e estudar. “Minha missão é dar oportunidade de educação para as crianças”, diz.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 300 milhões de pessoas no mundo têm surdez total ou parcial. Mais de dois terços estão em países pobres, onde sobram doenças e faltam antibióticos. O ritmo de fabricação dos aparelhos não acompanha a demanda: são feitos apenas 8 milhões deles ao ano. Apenas 12% chegam aos países menos abastados, e os que chegam custam caro. No Brasil, podem variar de R$ 2 mil a R$ 15 mil. Sem contar o preço das pilhas: R$ 4 e duram só uma semana. “Existem quatro tipos de aparelho: de usar atrás da orelha, dentro da orelha, no canal do ouvido e de colocar na gaveta”, afirma Weinstein. “Alguns pacientes até recebem o aparelho do governo, mas não têm dinheiro para comprar bateria.”

O primeiro grande feito de Weinstein foi baixar o preço dos aparelhos. Seus equipamentos custam um sétimo do preço mais barato nessa classe de aparelho, em torno de R$ 300. O segundo salto está nos carregadores. Com a ajuda de engenheiros da Universidade de São Paulo (USP) e financiamento da Fundação Lemelson, uma organização filantrópica americana, e do Instituto Cefac, uma ONG voltada a ações na área de saúde e educação, Weinstein criou um equipamento de recarga solar. A engenhoca pode ser abastecida com a luz do sol ou energia elétrica da rede. Ele estima que, por ano, o mecanismo vai evitar o descarte de 200 milhões de baterias no meio ambiente. O usuário também economiza. Se usar pilhas convencionais, vai gastar R$ 210 ao ano. O kit da Solar Ear com baterias e carregador custa R$ 95 – e dura até três anos.

Há alguns anos, a filantropia passava longe dos planos de Weinstein. Dono de uma empresa de válvulas e torneiras, transformou seu negócio em algo tão lucrativo que o vendeu para uma grande companhia americana. Permaneceu como presidente. No começo dos anos 90, era um executivo de sucesso. Morava em um imóvel grande em Montreal, no Canadá. Tinha uma casa de campo com lago e pista de esqui no quintal. Era rico, mas diz que ainda buscava um sentido para a vida. Em uma noite de 1995, perdeu o chão. A filha Sarah, então com 10 anos, sofreu um aneurisma durante o sono e não acordou mais. Na semana seguinte, Weinstein foi demitido. Os chefes acharam que ele não conseguiria trabalhar depois do trauma. Tirou um ano de folga. Fez terapia. E abriu uma empresa de assentos sanitários eletrônicos. Faliu. “Eu sentia um vazio grande dentro de mim”, afirma. “Queria fazer algo para mudar a realidade.”

Em 2002, ele ouviu falar de um emprego para ajudar pessoas pobres na África. Sua tarefa seria criar uma empresa para fornecer próteses auditivas a preços acessíveis aos africanos parcialmente surdos. O salário era o equivalente a R$ 1.000. Weinstein aceitou o convite imediatamente. Precisava reconstruir sua história. Quando chegou a Botsuana, deparou com um escritório de sala única e praticamente vazia, no vilarejo de Otse, com 5 mil habitantes. Havia um par de cadeiras e nenhum funcionário. Certo dia, uma professora bateu em sua porta segurando uma criança africana surda pela mão. Teria dito ao recém-chegado que sua primeira missão ali era arrumar um aparelho auditivo para a menina. “Sabe qual era o nome dela?”, ele diz. “Era Sarah, o nome da minha filha.” Ele diz ter tomado a coincidência como um chamado. Meses depois, ao preencher um formulário para Sarah, descobriu que ela nasceu no mesmo dia que a filha que ele perdeu.

Weinstein partiu do zero e montou uma empresa na África em 2002. De lá para cá, já vendeu 15 mil aparelhos, 30 mil carregadores e 100 mil pilhas. Deficientes auditivos de mais de 30 países usam suas invenções. Há sete anos, ele veio ao Brasil pela primeira vez para falar sobre seu trabalho. Recém-separado, conheceu uma brasileira, se apaixonou... e decidiu casar e vir para cá, replicar o modelo africano. A versão brasileira da empresa africana abriu em 2009. Nenhuma de suas invenções foi patenteada. “Quero mais é que as empresas copiem”, diz. “O poder de distribuição seria muito maior do que jamais teremos.” Os funcionários da linha de montagem são surdos. “Como praticam linguagem de sinais, eles têm mais habilidades para manipular as peças pequenas”, diz Weinstein. Ele pretende dobrar o número de funcionários nos próximos meses.

Weinstein se emociona ao lembrar de pessoas que ajudou. Victória Gabriela Reis, de 10 anos, é uma delas. A menina nasceu com problemas de audição. Os médicos diziam que ela era surda. À medida que cresceu, passou a detectar alguns sons, como o barulho de um carro freando ou de panela caindo. A família não tinha dinheiro para comprar um aparelho. Victória ganhou um do governo, mas perdeu-o na escola. Ficou surda de novo durante três anos. No mês passado, a Solar Ear doou um equipamento. “Ela gritou, bateu palminhas e saiu de lá saltitando”, diz a mãe, Maria Gorett Silva dos Reis. “Está reconhecendo novos sons agora. Ela deu mais uns três passos à frente.”

Ao final de cada ano, Weinstein envia uma carta aos amigos e à família para falar do que tem feito. Em anos passados, ele contou seu encontro com o economista bengalês Muhammad Yunus, vencedor do Prêmio Nobel da Paz por criar o “banco dos pobres”. Escreveu sobre um prêmio que recebeu ao lado de Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos. Neste ano, ele deverá mencionar o prêmio de inovação. Mas gastará mais linhas falando das histórias de gente como Victória".

Fonte: Revista Época