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sábado, 3 de fevereiro de 2018

ORTODOXIA NO MUSEU OU NO PÚLPITO?



Queermuseu foi um dos acontecimentos mais polêmicos do ano de 2017.

A exposição, apresentada no Santander Cultural, em Porto Alegre, tinha como proposta representar artisticamente a diversidade sexual (daí o uso de queer, "estranho" em inglês, um termo outrora usado pejorativamente para referir-se à sexualidade desviante e agora apropriado de forma positiva e auto-afirmativa pela comunidade LGBT). A opinião pública, porém, reagiu com indignação ao conteúdo pornográfico e blasfemo apresentado, além de repudiar a incitação à pedofilia e zoofilia contida nas obras, que foram contempladas por várias crianças.

É dever das autoridades verificar quaisquer violações à lei que tenham sido cometidas, (especialmente as que dizem respeito à inadequação de faixa etária do evento), ao mesmo tempo em que é preservado o direito à liberdade de expressão. Lamento o aspecto blasfemo da exposição como indivíduo de fé, mas não espero (nem desejo) a ação de um tribunal teocrático estatal.  
 
Há que se lembrar, no entanto, que vivemos em uma sociedade secularizada, relativista e hedonista. Isto é um sinal escatológico (Mt 24.12-13; 2Tm 3.11-5). Não causa espanto que uma exposição de arte seja influenciada por tais valores. Aliás, é de se esperar, visto que um museu não tem compromisso nenhum em representar a ortodoxia cristã.

Logo, é direito dos indivíduos sentirem-se ofendidos e expressarem seu descontentamento com a exposição (inclusive através de boicote à instituição, se assim entenderem que agiriam como mantenedores da exposição), mas não há cabimento em cobrar ortodoxia de uma instituição secular.

Os valores da fé devem ter representatividade na comunidade da fé.

Mais coerente que cobrar ortodoxia do museu é cobrar ortodoxia do púlpito. 

Mas, pelo jeito, a julgar por grande parte dos púlpitos brasileiros, muita gente exige ortodoxia do museu enquanto engole heterodoxia do púlpito...

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ATOS PROFÉTICOS




Ezequiel foi um profeta que Deus usou de forma dramática para ministrar a um povo rebelde (Ez 2.5):

  • Passou por períodos de mudez (3.26-27), para que ficasse clara a inspiração divina de sua mensagem profética;
  • Teve de deitar-se em redor do mapa de Jerusalém e comer comida “imunda”, simbolizando os horrores do cativeiro (4) ;
  • O corte de seu cabelo foi uma profecia acerca do futuro de Jerusalém (5.1-4);
  • Falou aos montes de Israel (6.1-7);
  • Mudou-se para o lado exterior dos muros da cidade, em representação do exílio (12.1-16);
  • Foi proibido de guardar luto pela esposa, dramatizando como seria rude o tempo do exílio (24.15-24)

Podemos considerar que o ministério de Ezequiel foi marcado por diversos atos proféticos, que seriam profecias visuais, apresentações dramáticas e urgentes da mensagem do Senhor.

É possível citar outros exemplos de atos proféticos no Antigo Testamento: Isaías nu (20.2), Jeremias com um jugo no pescoço (Jr 28.10-13); casamento de Oseias com Gômer (Os 1.1)


Os atos proféticos de Ezequiel e dos demais profetas apresentam as seguintes características: 

  • Foram ordenado por Deus;
  • Eram um anúncios do que Deus iria fazer;
  • Traziam sofrimento ao profeta.

Os atos proféticos do Antigo Testamento são BEM DIFERENTES dos atos proféticos atuais (como toque de Shofar, unções estapafúrdias, hasteamento de bandeiras, enterro de votos, quebra de maldições, demarcação de territórios, etc.): tais atos se resumem a ritualismo proveniente da iniciativa humana, bravatas para a promoção de conquistas, que evidenciam mau entendimento do Antigo Testamento e do Novo Testamento, rompendo com a simplicidade eficaz que há em Cristo (2Co 11.23). 


Além disso, os atos proféticos atuais são danosos em sua promoção de superstição e frustração.

Todavia, não quero ser radical. Existem dois atos proféticos que são previstos no Novo Testamento: Ser perseguido por causa da justiça (Mt 5.10) e dar testemunho de Jesus (Ap 12.17).

Quem se habilita?

quarta-feira, 27 de abril de 2016

SIGO A JESUS, E NÃO DOUTRINAS



A declaração “Sigo a Jesus, e não doutrinas” tem se tornado cada vez mais popular no meio evangélico dentro e fora do Brasil. “Cristianismo é relacionamento com Cristo, e não com um conjunto de doutrinas”, reforçam seus defensores.

Não podemos negar que o cristianismo envolve uma experiência pessoal de relacionamento com Cristo: Ele mesmo se compara à videira verdadeira que traz vida a seus discípulos, que são como varas ligadas a Ele. Paulo fala de si mesmo como um homem em Cristo.

Todavia, embora o slogan “Sigo a Jesus, e não doutrinas” pareça propor o devido resgate da dinâmica místico-relacional do cristianismo, esta ideia representa um risco nocivo para a Igreja: uma proposta de espiritualidade cristã esvaziada de seu conteúdo doutrinário! 

Pois que fundamento existe em opor a pessoa de Cristo ao ensino de Cristo? 

Não é possível ter um relacionamento com Cristo sem levar em consideração o que Cristo ensinou!

Nosso objetivo neste é demonstrar a falta de fundamentação bíblica desta reinterpretação contemporânea e cada vez mais popular da fé cristã, alertando à Igreja quanto a seu perigo.

1. O QUE SÃO DOUTRINAS?
Doutrina (gr. didaskalia) significa ensinamento. A expressão "doutrina cristã" significa que os seguidores de Cristo possuem um conjunto de ensinamentos que lhes foi transmitido e que se comprometem a observá-los, como expressão de sua fé.

O slogan “Sigo a Jesus, e não doutrinas” parece sugerir que Jesus não transmitiu ensinamentos a seus discípulos!

Existem duas espécies de doutrinas: as que ensinam os conteúdos da fé (em quê os cristãos crêem) e as que ensinam a vivência da fé (como os cristãos devem viver). O cristianismo se preocupa tanto com a ortodoxia (crença correta) quanto com a ortopraxia (prática correta). 

Veja dois exemplos:
  • "Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem." (1Co 15.20 - ensino da ortodoxia)
  • "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor." (1Co 15.58 - ensino da ortopraxia)

As doutrinas também podem ser divididas entre si em mais dois grupos:

  • Doutrinas fundamentais da fé cristã: pontos essenciais da mensagem cristã, claramente explicitados pelo ensino das Escrituras, cuja negação consiste em rompimento com a fé cristã ortodoxa. Exemplos:
    • A inspiração e autoridade divina das Escrituras do Antigo e do Novo Testamento;
    • A Trindade;
    • A realidade do pecado e a necessidade de redenção do homem;
    • A encarnação, morte salvadora e ressurreição de Jesus Cristo;
    • A salvação pela graça mediante a fé;
    • A Segunda Vinda de Cristo;
    • A ressurreição;
    • A vida eterna e o juízo eterno.
  • Doutrinas secundárias da fé cristã: pontos da mensagem cristã que não são abordados de maneira direta no ensino das Escrituras, dando margem a interpretações variadas, sendo assim considerados não-essenciais. Negar uma determinada interpretação de uma doutrina secundária não constitui rompimento com a fé cristã ortodoxa, mas rompimento com uma determinada linha teológica. Exemplos:
    • Formas diferentes de ministrar o batismo: aspersão, imersão, ablução;
    • Formas diferentes de compreender a constituição do homem: corpo + alma, corpo + espírito, corpo + alma + espírito;
    • Diferentes formas de compreender a ordem dos eventos finais.


Existem questões também que a Bíblia não fala de forma direta, havendo margem para debate e contextualização (questões de ordem litúrgica, por exemplo).

2. POR QUE ALGUNS SE OPÕEM A DOUTRINAS?

  • Questões culturais: a mentalidade pós-moderna é avessa à ideia de definir, preferindo relativizar a verdade;
  • Questões pessoais: pessoas que sofreram processo de doutrinação traumático, por parte de obreiros que não manejaram corretamente a Palavra de Deus (2Tm 2.15);
  • Questões teológicas: aqueles que creem, de fato, que o aspecto doutrinário do cristianismo é inexistente ou secundário.
3. AFINAL, DOUTRINAS SÃO IMPORTANTES? 

SIM!!

a. A fé está fundamentada na doutrina (1Co 15.3-11; Cl 1.23)
b. A ética depende da doutrina (Sl 119.1)
c. A igreja é chamada a preservar a doutrina (1Tm 3.15; 2Tm 2.2; Jd 3)
d. Não é possível evangelizar sem doutrina (Mt 28.18-20)

Você consegue imaginar as consequências de um "Cristianismo sem doutrina"?

Deus nos livre!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DESUNIÃO OU POSTURA APOLOGÉTICA?



“Nunca vemos na TV um pai-de-santo falando mal de outro. Mas lamentavelmente vemos pastores falando mal uns dos outros. Isto mostra o quanto a igreja evangélica é desunida”.

Não me recordo exatamente a ocasião, nem o autor da frase (se não me falha a memória, seria um dos pastores midiáticos atuais), ou se ele usou a palavra “criticando” no lugar de “falando mal” (embora, a meu ver, ele igualou as duas coisas em sua fala). Mas sua postura de lamento marcou minha memória.

E neste momento manifesto minha discordância em relação ao pensamento do referido pastor.

Existe uma razão muito simples pela qual não temos pais-de-santo falando mal uns dos outros: eles não foram chamados a batalhar pela fé que foi dada aos santos (Jd 3)!

O trabalho apologético faz parte do ministério pastoral (2Tm 4.2-5; Tt 1.9). Quando entendemos isso, percebemos que existe uma diferença entre promover união e promover união a qualquer custo.

União a qualquer custo chama-se corporativismo - e o corporativismo se preocupa apenas em “defender os nossos”. Não se preocupa com a devida crítica de suas ações (e, como estamos falando de pastores, com a devida crítica de seu ensino). O espírito corporativista não representa o ideal de unidade para a Igreja - o que me levou a detectar grande perigo na frase que abriu este post.

Precisamos de pastores criticando uns aos outros, sim.

Atitude de desunião? Não. Postura apologética.


Mais que isso: não podemos abrir mão deles e muito menos nos escandalizar com eles, com a consciência de que a já acentuada tendência que a igreja possui para o corporativismo não deve ser alimentada.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

COMO TROLLAR SEU "REDENTOR FINANCEIRO"



Parece não ter fim as distorções de passagens bíblicas promovidas por aqueles que desejam extorquir dinheiro dos fiéis.

Agora é a vez do profeta Elias.

A passagem usada é o episódio narrado em 1Reis 18.8-16, onde Elias vai a Sarepta, durante a seca, e pede que uma viúva lhe dê água e faça um pequeno bolo de farinha e azeite, dividindo assim com ele o pouco alimento que possui (que seria o suficiente para apenas mais uma refeição), sob a promessa de que Deus não permitiria que acabasse a farinha e o azeite em seu lar. A viúva alimentou o profeta e foi abençoada com este grande milagre, que sustentou sua casa por muitos dias.

Com base no milagre narrado nesta passagem, desenvolveram o conceito do "redentor financeiro".

Que é isto?

Basicamente: da mesma forma que a vida daquela viúva foi "para frente" somente depois de dar bens a Elias, a prosperidade chegará para você apenas depois que também encontrar um "Elias" para dar o que você tem!

Nem preciso mencionar que o tal "Elias" será o gênio que estará pregando a você esta aberração teológica.

Mas o objetivo deste post, caro leitor, é orientar você a lidar com seu pretenso "redentor financeiro" e não ser mais uma vítima de uma distorção das Escrituras. 

Basta "trollá-lo" da seguinte maneira:

Quando alguém, de olho em seus bens, se apresentar como seu "Elias" particular, o "redentor financeiro" que trará prosperidade à sua vida, responda-lhe da seguinte maneira:

Já que você se compara a Elias, te darei o mesmo que ele recebeu: UM BOLINHO DE FARINHA E AZEITE. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CARTA ABERTA A UM LUTERO ANGUSTIADO


Tudo começou enquanto eu procurava uma figura para substituir o Spectreman (quem foi criança na década de 80, que entenda!) de minha área de trabalho.

Decidi procurar uma imagem relacionada à Reforma Protestante ou aos cinco Solas e me deparei com a charge acima.

Desconheço o autor da charge e o contexto de onde se originou. A leitura que eu faço da imagem me sugere um Lutero angustiado diante da fragmentação da Igreja em diferentes facções teológicas - e, ao meu ver, a angústia maior deste pensativo Lutero é que ele sente-se responsável pela confusão que está às suas costas.

Em parte até concordo que o Reformador de carne em osso teria compartilhariado, em certa medida, com os sentimentos que aparecem no desenho: Lutero pretendia reformar o catolicismo (já cindido desde o século XI), e não criar um novo segmento eclesiástico. Não creio, contudo, que ele teria chegado ao mesmo nível de desânimo representado na figura. 

Afinal, a grande questão que a charge levanta é: diante do quadro religioso que se desenvolveu nos últimos cinco séculos, valeu a pena a Reforma Protestante?

Respondo positivamente a esta pergunta - e gostaria de apresentar meu argumentos na forma de consolação, uma carta aberta a este Lutero angustiado.

"Caro irmão em Cristo:

Você se encontra angustiado, questionando o seu legado. Por favor, gostaria que você considerasse estas razões para você se reanimar e olhar de foema mais positiva o trabalho que fez em prol do Reino de Deus: 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque os riscos da liberdade sempre são preferíveis à falsa segurança da repressão.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque colocou a Bíblia nas mãos do povo - e mesmo que alguns façam mau uso dela, a culpa não é nem sua, e nem da Bíblia (além disso, se este argumento não te convencer, lembre-se que tem muita gente que ainda faz bom uso da Bíblia). 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque ainda que muita gente tenha se equivocado é sempre melhor alguém pensar e errar do que errar porque alguém pensou em seu lugar.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque alguns conceitos do cristianismo realmente possibilitam interpretações variadas  - e foi seu próprio discípulo, Melanchton, quem cunhou o lema máximo da Igreja para lidar com tais questões: 'Nas coisas necessárias, unidade; nas coisas incertas, liberdade; em todas as coisas, caridade'.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque ainda que muitos, mesmo tendo a Bíblia em suas mãos, tenham se afastado da doutrina cristã ortodoxa (nem todas as falas que aparecem às suas costas se enquadram na regra de Melanchton e você sabe disso), assim o fizeram não por consequencia direta do espírito da Reforma, mas justamente por se afastarem do espírito da Reforma, que sempre enfatizava a centralidade de Cristo e das Escrituras. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque não foi a 'sua' reforma particular - o que ocorreu em 1517 foi a culminância de aspirações e sentimentos de várias gerações de cristãos que vieram antes de você e que também desejaram reaproximar a cristandade da Bíblia. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque além dos efeitos religiosos, ela foi também um movimento intelectual e econômico pujante, trazendo diversas contribuições à humanidade. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque foi um movimento que conseguiu desburocratizar a fé, resgatando a simplicidade da mensagem cristã e reafirmando a dignidade de cada cristão com a Bíblia nas mãos, diante de Deus através de Cristo.

E meu caro Lutero, se nenhum destes argumentos te convencer, apresento um argumento tirado de meu tempo, do século XXI:

Nunca precisamos tanto de uma Reforma quanto hoje! A situação está feia, pior do que a cena que está às suas costas!

Espero que este último argumento, ao ressaltar a urgência do resgate de seu legado, demonstre de forma concomitante a importância mesmo, te convencendo de uma vez por todas a espantar o bode e se levantar dessa mesa.

Fraternalmente em Cristo, Vitor Gadelha".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE A REVISTA VEJA DA SEMANA PASSADA: A REPORTAGEM SOBRE O SANTO SUDÁRIO

Sempre considerei o Sudário de Turim como um assunto indiferente para a fé cristã.

Não que eu o considere, a priori, como uma adulteração (isto ainda é assunto aberto à discussão científica, como demonstra a reportagem, que interage com o livro “O Sinal”, recém-lançado no Brasil, do historiador de arte inglês Thomas de Wesselow, que investiga as controvérsias científicas em torno do Sudário), mas porque considero que a credibilidade do Evangelho não repousa sobre a autenticidade do mesmo.

Ou seja, caso o Sudário seja autêntico, seria apenas mais uma evidência da veracidade histórica do Cristianismo; caso seja uma fraude, a autenticidade histórica do Cristianismo não fica comprometida por causa disto.

Mas desejo fazer algumas considerações acerca de algumas declarações surgidas no decorrer da reportagem que, embora não tratem da questão do Sudário em si, indicam uma abordagem falha ao próprio cristianismo, tanto do ponto de vista metodológico quanto conceitual:

“O culto ao Santo Sudário ajudou o cristianismo a superar sua condição de seita minoritária confinada aos rincões do Império Romano para se transformar na maior religião do planeta” (pág. 127). O Novo Testamento desconhece tal “culto ao Santo Sudário” e não dá qualquer ênfase a relíquias.

“Diz Wesselow: ‘já para os apóstolos o sudário foi tomado como a prova da Ressurreição de Cristo, e disso deriva sua extraordinária força de convencimento” (pág. 127). Errado! A força de convencimento que foi capaz de levar um grupo de discípulos imaturos, desanimados e amedrontados a enfrentar, com o custo de suas próprias vidas, o imperialismo romano foi o túmulo vazio o e o encontro com o Cristo ressurreto. “Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1 Coríntios 15:3-8).

“... afora os relatos de Flávio Josefo, historiador judeu do século I, ninguém dá notícia da existência do carpinteiro de Nazaré que morreu na cruz” (pág. 130). Novamente a resistência em considerar o Novo Testamento como um documento histórico, sendo que ele se constitui no documento mais bem preservado da Antiguidade, atestado por uma imensa quantidade de manuscritos (em quantidade maior que qualquer outro texto clássico) - uma grave falha do ponto de vista técnico e evidência de preconceito.

"O assombro com a visão do manto fora tamanho que o fato de o corpo de Jesus estar ou não no túmulo é um mero detalhe. O autor afirma ainda que foi o sudário, e não Jesus Cristo ressuscitado, que apareceu para seus seguidores nas passagens bíblicas da ressurreição. Uma das cenas mais famosas é o encontro entre Jesus e o apóstolo Tomé. (...) Tomé, segundo o historiador inglês, não esteve diante do corpo de Jesus ressurreto, como creem os cristãos, mas diante das manchas vermelhas estampadas no linho de Turim” (págs. 132-134). Embora, neste trecho VEJA tenha apenas apresentado a tese do autor de “O Sinal”, não deixa de ser lastimável a conclusão a que chega Thomas de Wesselow: podemos crer no Sudário, mas não podemos crer no 4.º Evangelho – ou seja, João era mentiroso, Cristo não estava presente e Tomé, além de incrédulo, era burro!

Pois é... a reportagem de Páscoa de VEJA se constitui em um belo "ovo de Páscoa"... recheado de ceticismo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

666, O NÚMERO DA BESTA (Só que agora no outro sentido...)

E eu que pensava que depois de INRI Christi não veria nada pior... Aff!

Leia as "pérolas" escritas no panfleto da doce criatura abaixo as lágrimas, ou o vômito, ou ambos! 









É lamentavel que existam pessoas que levem um sujeito desses a sério e o sigam.

Mas, pensando bem, se o INRI Christi consegue, por que ele também não?

É a "democratização" do Reino das Trevas!

sábado, 14 de maio de 2011

NÃO PRECISO SER MALUCO PARA SER FELIZ – UMA RESPOSTA APOLOGÉTICA AO MINISTÉRIO “FAMILY RADIO”


Quinta-feira, no centro de São Paulo, fui abordado por um homem de meia idade que distribuía folhetos avisando que o mundo acabará no próximo dia 21 de maio.

Esta previsão, recebida de forma cética pela sociedade e pela Igreja, tem sido divulgada pela Family Radio, que se autointitula um “ministério cristão de radiodifusão baseado na Bíblia e sem nenhuma afiliação com igrejas”.

O folheto, intitulado “O FIM DO MUNDO ESTÁ PRÓXIMO! 21 DE MAIO DE 2011, DEUS VAI TRAZER O DIA DO JULGAMENTO” apresenta as bases para tal “profecia”: um paralelismo entre a história de Noé e 2.ª de Pedro 3.8, que afirma que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia”.

O ministério Family Radio considera que, pelo fato de o dilúvio ter começado sete dias após Noé e sua família terem entrado na arca (Gênesis 7.4-10), isto indicaria que o mundo existiria por 7000 anos antes do dia do juízo (considerando que o dilúvio ocorreu em 4990 a.C.).

O cálculo que eles fazem é o seguinte: 4990 (ano do dilúvio) + 2011 –1 (o “ano zero”, inexistente no calendário) = 7000!

(Particularmente, acho que não seria necessário subtrair o tal “ano zero”, pois em termos de tempo corrido, o resultado independe de sua iteração com o calendário; para mim o resultado certo seria 2010, mesmo – matemáticos, fiquem à vontade para dar sua opinião.)

Não quero nem discutir a inútil maluquice desta profecia, patente antes à simples palavra do Mestre de que ninguém pode prever o Dia do Juízo (Mateus 24. 36, 44).

O que mais me chamou a atenção foi a atitude e postura do homem que distribuía os folhetos.

Estava alegre, assobiando e saltitando enquanto distribuía os folhetos. Feliz pela iminência de se encontrar com Jesus em pouco mais de uma semana.

Após refletir, concluí que a postura daquele homem tem importantes lições para nós.

Sim, pois o fato de considerarmos descabida a hipótese de marcar uma data para a volta de Jesus nos coloca em um estado de iminência mais urgente que aquele homem, que aguarda a volta do Senhor no próximo sábado: ela pode ocorrer a qualquer momento!

E viver em iminência é viver em alegria, segundo as palavras de Paulo:

“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1.ª aos Tessalonicenses, 4.13-18).

Ou seja, a promessa do retorno de Cristo se torna para mim uma fonte de esperança e alegria independemente do fato de eu saber a data - aliás, eu afirmo que é justamente o mistério da escatologia bíblica que gera forças para o viver e para a alegria, por levar a um estado de permanente iminência, que confere sentido e propósito a todos os dias (sejam eles quanto forem) que compuserem o intervalo para o encontro glorioso com o Senhor.

Sendo assim, aquele rapaz apresentou uma preciosa lição sobre o estado de espírito de que aguarda e anseia o retorno do Senhor, que deve ser levada muito mais a sério  por nós, que de forma ortodoxa, evitamos profecias extrabíblicas, mas vivemos de forma heterodoxa, por tiramos a “bendita esperança” de nossos corações e mentes, tendo um viver cada vez mais secularizado. Uma lição preciosa e, teoricamente, desnecessária, se de forma mais consistente com nossa crença, nos alegrássemos por aguardar o Senhor todos os dias.

Jesus vem! Viva feliz na iminência do cumprimento desta promessa! E para se alegrar com a escatologia bíblica, você não precisa perder seu equilíbrio doutrinário, racional e devocional.