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segunda-feira, 12 de março de 2018

A IGREJA NÃO PODE VIRAR WAKANDA



Se você ainda não assistiu Pantera Negra, aconselho você retornar a este texto após ver o novo filme da Marvel Studios, sucesso de crítica e público, a fim de evitar possíveis spoilers. 

T'Challa é um super-herói incomum: antes de ser um guerreiro, é o rei de Wakanda, país africano fictício do universo Marvel, reserva mundial de Vibranium, metal fictício precioso e poderoso, que possibilitou o desenvolvimento tecnológico e social sem par desta nação e que por isso mesmo vive isolada de outras nações, preservando seu estilo de vida em sigilo. 

O Pantera Negra incorpora as funções de estadista, guerreiro e representante das crenças ancestrais de seu povo, o que o faz dele um personagem muito interessante, testemunho da genialidade de seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby e de como desde o início da formação de seu universo de super-heróis a Marvel soube trabalhar bem questões sociais e de representatividade.

O filme apresenta a coroação de T'Challa (seu pai, o antigo rei, fora assassinado em Capitão América: Guerra Civil) e o enfrentamento de um antagonista que pretende assumir o trono, Killmonger.

Uma fraqueza comumente apontada  nos filmes da Marvel é a superficialidade de seus vilões. Para boa parte da crítica e do público, Killmonger se torna uma exceção, pois seu argumento para enfrentar o herói é plausível: Wakanda se isolou do restante do mundo em sua riqueza e ignorou o sofrimento histórico da população negra. Wakanda era culpada de omissão e reformas eram necessárias. Infelizmente, Killmonger busca implementar sua visão através de crimes de ódio, o que torna sua reprovável sua conduta. O Pantera Negra vence seu antagonista e implementa uma política de cooperação internacional.

Não posso deixar de fazer uma comparação entre Wakanda e muitas igrejas de nossos dias: possuem a riqueza do Evangelho, mas estão fechadas em si mesmas, alheias a todo sofrimento e necessidade a seu redor. Tal tipo de omissão é imoral, assim como a da fictícia Wakanda.

Não temos vibranium, mas aquilo que temos, somos chamados a dar (At 3.6), diminuindo, em nome de Jesus, a dor de quem nos cerca. 

O Evangelho para sempre!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MEU ELOGIO A NED FLANDERS

Sei que não á possível falar de apenas "um" Ned Flanders.

Afinal, cada diferente episódio (e cada diferente roteirista) apresenta um novo olhar, uma nova forma de te definir, apesar de manterem, de forma consciente ou não, o mistério que há em você.

Não conseguiram negar o poder de sua fé genuína e os benefícios que ela traz aos que convivem com você.

Sim , pois no seriado que consagrou o deboche niilista como meio de crítica e denúncia, você permanece como um referencial de decência e sanidade.

Apesar de tudo.

Apesar de muitas vezes tentarem transformar você em um símbolo da obsolescência do Cristianismo, não conseguiram impedir que você fosse admirado.

Apesar de tentarem fazer de você o bode expiatório dos erros dos religiosos modernos e do passado, não conseguiram diluir a validade de sua crença e de seu exemplo.

Sua ingenuidade apenas dá testemunho da singeleza de sua fé.

Quando você se mostra limitado na compreensão dos aspectos mais amplos de sua crença,  você se irmana com todos aqueles que precisam crescer na graça e conhecimento de Jesus Cristo.

Seus erros dão testemunho de sua fragilidade - a qual você confessou e encarou de forma franca, diversas vezes.

Você é temente a Deus - e, justamente por isso, você se torna amigo de Deus e amigo do próximo.

E aí está toda a diferença.

Seu simples e ao mesmo tempo vasto legado consiste em estender constantemente a destra da amizade a um vizinho insuportável, mostrar-se mais devoto do que o clérigo de sua comunidade, ser um pai dedicado e um cidadão honesto e cortês.

Então, por demonstrar de forma tão clara prática o amor de Cristo, eu te dou meus parabéns, Ned Flanders!

Parabéns por seu bom testemunho durante estes 20 anos de "Os Simpsons"!

Parabéns por impedir que o seriado de maior longevidade na história da televisão ficasse totalmente secularizado!

Parabéns por fazer a diferença em Springfield!

E parabéns por mostrar que a fé, o amor e a esperança são ferramentas mais poderosas e eficazes que o deboche e o niilismo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LIÇÕES QUE APRENDI ASSISTINDO À TRILOGIA "O PODEROSO CHEFÃO"


1. A luta pela sobrevivência é brutal, mas não podemos permitir que ela nos embruteça, como ocorreu com os Corleone. As condições adversas de vida não são desculpa para trilhar um caminho de brutalidade, nem isentam você da responsabilidade de fazer escolhas acertadas na vida - e quando fazemos tais escolhas, a despeito da circunstâncias, nosso verdadeiro valor fica provado.

2. É tocante no filme a preocupação dos Corleone em não promover o tráfico de drogas (a família mafiosa explora principalmente o contrabando e, posteriormente, a jogatina), mas tentar ser um "bandido ético" não funciona. Se sou ético, não posso ser bandido. Se sou bandido, não sou ético. E pronto.

3.  As consequências de um estilo de vida edificado sobre a injustiça são inevitáveis e trazem sofrimento a todos. Tais consequências podem ser evitadas apenas com mudanças urgentes e radicais - algo que, infelizmente, a família Corleone protelou por décadas, mantendo seu império, apesar dos anseios do "padrinho" Michael - um anseio, contudo, que não foi imbuído do devido senso de urgência. Sinceridade sem atitude não costuma ser algo muito eficaz.

Caso você ainda não tenha assistido a esta obra-prima do cinema, eu recomendo: vale a pena! A direção de Copolla é excelente, o elenco tem atuações fantásticas (principalmente de Niro e Al Pacino) e, como se diz por aí, quem aprende com os erros dos outros, evitando assim repeti-los, é sábio.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

UMA LEITURA TEOLÓGICA DE “LANTERNA VERDE”

O legalista dentro de mim estava com medo de tirar uma folga e ir ao cinema.



Mas Deus sabe como estava precisando de uma folga.


Fui ao cinema - e Ele falou comigo através do filme!

Saí do cinema com a visão espiritual mais aguçada do que antes de entrar na sala de projeção!

Isto ocorreu quando fui assistir “Lanterna Verde” no cinema.

Já tinha o desejo de assistir a este filme desde que soube de seu lançamento (fui logo quando o filme foi lançado, pois quanto mais eu demorasse para ir, mais difícil seria encontrar uma sessão em 2D com horário compatível – não consigo enxergar efeitos em 3D devido à minha deficiência visual), pois mesmo que Hal Jordan e seus companheiros não sejam meus super-heróis favoritos, considero interessantíssima a temática de seus gibis (ou seja, o anel energético – uma arma movida pela imaginação).

Em resumo, a adaptação cinematográfica da história do super-herói da DC Comics o apresenta sob a seguinte premissa:

"1. Ser escolhido para ser um Lanterna Verde é a mais alta honraria possível;

2. A missão de um lanterna Verde é promover a justiça e defender a vida;

3. O poder de um Lanterna Verde é um poder outorgado para o exercício específico desta tarefa;

4. O poder de um Lanterna Verde não provém dele mesmo, e o anel necessita ser constantemente recarregado na bateria, a fonte do poder verde, no ato de repetir o juramento solene que contém seus princípios;

5. Apesar de possuir o anel energético, é o desenvolvimento pessoal do Lanterna Verde que o torna mais exímio no seu manuseio do anel e eficaz em suas batalhas;

6. O potencial de um Lanterna Verde se desenvolve á medida que ele não sucumbe à 'impureza amarela' que pode neutralizar seu poder".

Saí do cinema alegre, com o paralelo que o filme possibilita fazer entre os Lanternas Verdes e o Reino de Deus:

1. Ser chamado para o Reino de Deus é a mais alta honraria que um ser humano pode receber;

2. Os súditos do Reino possuem uma missão comprometida com a promoção da vida e da justiça;

3. O poder concedido aos súditos do Reino não é para a promoção de seus próprios interesses, mas é outorgado para o cumprimento de sua missão como agentes do Reino;

4. O poder dos súditos do Reino não provém deles, logo, os filhos do Reino não podem negligenciar a Fonte de seu poder, a saber, o próprio Rei, nem os princípios do Reino;

5. Quanto mais o súdito do Reino cresce como pessoa, mais eficiente ele se torna como agente do Reino;

6. E, finalmente, quanto mais vitorioso é o súdito do Reino contra a impureza que o ameaça, maior será seu potencial! 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PRECISAMOS DE UM CAPITÃO NASCIMENTO GOSPEL?


Quem assistiu "Tropa de Elite 2" percebeu que a grande crítica que o filme faz é acerca do uso criminoso da máquina política, onde a agenda da segurança pública é determinada por interesses eleitoreiros, e não segundo os anseios da sociedade.

No vale-tudo pelo voto o crime acaba tendo utilidade.

Desta vez, a determinação do Capitão Nascimento se fez necessária não mais em um conflito armado com criminosos, mas ao exercer a coragem necessária para denunciar os crimes dos pretensos representantes do povo, cuja relação com o mesmo, em sua sanha corrupta por poder, pode ser definida como parasitismo.

O povo não é nada - apenas uma massa que, manobrada adequadamente, produz o resultado esperado: votos.

Depois de presenciar a postura vergonhosa da maioria das lideranças evangélicas nas eleições deste ano, não pude deixar de me perguntar se a igreja evangélica não estaria necessitando de também um Capitão Nascimento, capaz de confrontar a míope postura política da cristandade, bem como a ânsia de poder daqueles que priorizam mais os títulos eleitorais de suas ovelhas do que suas almas.   

Parei, todavia, estarrecido, ao perceber que isto não é necessário!

O Espírito Santo já cumpre este papel entre nós!

É Ele quem confronta o homem com o seu pecado, chamando-o ao arrependimento.

E certamente Sua denúncia contra o vale-tudo eleitoral tem sido feita, atingindo corações e mentes!

A ausência de mudança simplesmente reflete o endurecimento de tais pessoas.

Resistem Àquele que é  maior que o Capitão Nascimento!

Por Deus, como anda a consciência destes homens?

Sim, pois é perfeitamente possível viver uma fantasia cristã, através da inserção de interesses particulares ímpios numa pretensa definição de "Evangelho".

Não será possível, contudo, fugir do julgamento do Dono do Evangelho: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mateus 7.21-23).
 
Será a maneira que o Mestre usará no último dia para dizer "pede pra sair".

Oremos para que Deus conceda arrependimento a estas pessoas.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MAIS QUE UM "MAD MAX" GOSPEL: O LIVRO DE ELI

Em um futuro não muito distante, em meio às devastações ecológicas e sociais causadas pela guerra, vive Eli (interpretado por Denzel Washington), um guerreiro que tem a singular missão de preservar o último exemplar da Bíblia existente.

A grande temática do filme, contudo, é questionar o papel da religião para a sociedade.  Seria ela apenas desde como uma ferramenta eficaz de dominação ideológica (como demonstra o personagem de Gary Oldman), ou indispensável para a humanidade que insiste em aboli-la (como demonstra a decadente sociedade com a qual convive).

Uma das sacadas do filme é que Eli aparece como um cristão bem "comum", apesar de sua importante missão: é um homem devoto, que ama a Deus, mantém-se íntegro e que anseia ardentemente que os outros conheçam e vivam as palavras do Livro que protege - mas em nenhum momento ele é apresentado como uma caricatura gospel. Inclusive, o fato de ele ser um guerreiro toca na relevante questão ética sobre o uso legítimo da força para promover a justiça. Seria a postura de Eli incompatível com o cristianismo?

Além disso, o filme faz uma bem-sacada crítica à política bélica fundamentalista de Bush e, apesar do elogio que realiza às Escrituras (curioso: Eli afirma que a versão bíblica que ele carrega é a King James, a versão americana mais popular e usada, comparável à Almeida e Corrigida brasileira. Por que será?) e sua permanente relevância, uma das cenas finais do filme me pareceu uma defesa ao ecumenismo. Será? Assista e tire suas conclusões.

PS: ao descobrir o grande segredo de Eli no final do filme, me diga se você ,  assim como eu, também não ficou com vontade de ter o mesmo "poder" que ele?

Bom divertimento!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

JAMES CAMERON, O PREGADOR DE PANDORA



Já esperava que sites evangélicos iriam se propor a destrinchar o filme Avatar, em busca de conteúdo anticristão e/ou mensagens subliminares. Conforme o relato de alguns irmãos, minhas suspeitas se confirmaram.



Não visitei os referidos sites e, ao falar de James Cameron e Avatar, não pretendo seguir esta linha de raciocínio. Meus motivos?

1.      Não creio que o subliminar seja mais importante que o liminar;


2.       Devo esperar conteúdo cristão em obras produzidas por pessoas e instituição cristãs - sendo assim, é um contrasenso esperar que Avatar (e muitos outros filmes) seja um tratado teológico cristão. Podem haver conexões com a doutrina cristã (como de fato há), mas não tem o mesmo grau de intencionalidade que em um filme como A Virada, por exemplo.


Ainda assim, gostaria de comentar algumas coisas sobre o diretor de Avatar.


Jim Cameron tem no seu currículo alguns dos mais importantes filmes da história do cinema, assim considerados não apenas pela bilheteria ou o número de prêmios que obteve, mas principalmente pela maneia com que ajudaram a revolucionar o aspecto técnico do cinemama: foi assim com o Exterminador do Futuro (especialmente a parte 2, que apresentou efeitos especiais inéditos para a época), Titanic (quando lançado, o filme mais caro até então) e, agora, com Avatar, revolucionando a animação gráfica e o uso de 3D.


Este currículo de sucesso faz de Cameron uma das pessoas mais influentes e respeitadas no mundo do cinema.


Certamente seu prestígio pessoal é uma ferramenta capaz de promover automaticamente uma de suas produções.


Inclusive o documentário sobre uma suposta tumba de Jesus, do qual ele foi um de seus produtores.


Por que ele teria abraçado esta causa?


Creio que em Avatar esteja a resposta.


A perspectiva religiosa apresentada em Avatar nos mostra a subsistência da divindade na natureza (panenteísmo, ou seja, a idéia que a divindade subsiste em tudo - não confundir com panteísmo, a afirmação que a natureza é  a divindade), conduzindo ao reconhecimento da ligação vital entre todos os seres e o respeito a todas as formas de vida.

Tais conceitos não são novos, já encontravam-se na religião dos antigos índios norte-americanos.


Ou seja, James Cameron nos convida ao culto da divindade presente na diversidade da vida, promovendo ao mesmo tempo o humanismo, a tolerância e a vida em harmonia com o ambiente.

James Cameron está pregando e Avatar é o seu púlpito.

E, segundo o diretor, os Na´vi eram mais piedosos com sua fé que os imperialistas norte-americanos, que gritavam “Jesus” o tempo todo e ali estavam para matar.


Pena que ele não percebeu que os valores que ele defende são valores cristãos também.

(Com a vantagem de que o Deus da Bíblia, mesmo preservando e abençoando Sua criação, é transcendente a Ela).

Que o imperialismo que ele critica, muitas vezes apoiado pela igreja na História, não é uma legítima expressão da fé cristã.

Devo então deixar de assistir Avatar por causa disto?

De maneira nenhuma! Afinal de contas, o respeito à natureza, à vida e às diferentes etnias nunca será coisa do diabo.


Mas eu te convido a assistir com a alegria de saber que, antes que James Cameron pensasse e pregasse isto, a Palavra de Deus já havia apresentado os mesmos valores.

Com o imperativo de que, assim como James Cameron fez de Avatar seu púpito, devemos fazer de nossa vida o nosso, encarnando os valores do Evangelho de Cristo, mostrando que a valorização da vida não encontra sua expressão concreta apenas em homens azuis em 3D.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A FRASE MAIS LEGAL DE "O DIA EM QUE A TERRA PAROU" ou "QUEM SÃO SEUS LÍDERES"?

Para fazer um trabalho de faculdade, tive de assistir o filme "O Dia em que a Terra parou", refilmagem de um antigo clássico de ficção científica com Keanu Reeves no elenco.

Basicamente, o filme fala dos esforços de um alienígena (Klaatu) para entrar em contato com a civilização humana para alertá-los da destruição que estão causando ao planeta e dos planos de extermínio de seus superiores para refrear os prejuízos causados pela mão humana.

Logo que chega ao planeta, é recebido com um balaço.

Depois, é detido sob custódia do governo americano e tem negado seu pedido de dirigir-se às lideranças mundiais.

Tortura e violência o aguardam.

Após escapar do perigo em que se encontrou, ele reclama indignado à doutora que o acolheu: "os seus líderes não me ouviram".

Quando ela responde, cheia de fibra moral: "Eles NÃO SÃO nossos líderes!" 

Achei fantástica esta frase. 

Depois disso, se oferece para levar Klaatu a um verdadeiro líder da humanidade.

Ela chega com ele à casa de um professor. Um prêmio Nobel, que, com seu trabalho, beneficiou a humanidade. 

O filme apresentou um conceito extremamente relevante para uma sociedade como a nossa que não sabe mais exercer juízo de valores e ovacionando pessoas destituídas de conteúdo e caráter: quem eu considero como meus líderes?

Eles possuem estatura moral para receber tal designação?

O verdadeiro heroísmo (e aí sim encontraremos os verdadeiros líderes da humanidade, nas biografias daqueles que deixaram um legado positivo ao mundo) está na vida dos missionários, dos filantropos, dos cientistas, dos anônimos que simplesmente se preocuparam em viver uma vida decente, orientada pelo altruísmo.

Não faz muito tempo, recebi um e-mail criticando o hábito de Pedro Bial chamar de "heróis" os integrantes do BBB, cujo heroísmo consiste em exibir seus corpos sarados.

Não é à toa que na "reflexão" atual, escolhi uma frase de Helen Keller. Pesquise a biografia dela e você verá o que eu entendo por "herói".

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Não sei quem disse que "triste é a nação que precisa de heróis".

E eu digo que é mais triste quando uma nação não sabe eleger seus heróis.

Quem são seus lideres? 

Quais são as pessoas que te inspiram e fascinam?

Cuidado! Sua escolha dtirá muito sobre você mesmo...

terça-feira, 13 de abril de 2010

SOBRE RACISMO E NÃO-RACISMO


Há pouco tempo tive a oportunidade de, zapeando pela televisão, assistir a alguns trechos (cerca de 40 minutos) do polêmico filme Jesus Cristo Superstar.





Não pretendo fazer uma análise completa do filme, pois não seria justo – afinal, não o assisti inteiro, desde o começo. A impressão que tive é que a perplexidade diante do enigma de Cristo dá e da exigência de fé para compreendê-lo dá o tom da obra.





Uma das muitas polêmicas foi a escalação de um ator negro (Carl Anderson) para interpretar Judas. Isto levou automaticamente o filme a ser tachado de racista.





Preocupo-me com tais atitudes.





Principalmente porque não levam em conta um aspecto bem singelo: a fantástica interpretação de Carl Anderson no papel de Judas Iscariotes, traduzindo toda a fúria do personagem.





Será que outro ator faria melhor?




Ou seja, aqueles que acusaram o filme de racista aparentemente não conseguiram ver um grande ator encenando um papel altamente dramático, mas apenas um negro.





Polêmica semelhante aconteceu durante o lançamento do game Resident Evil 5. Como a história se passa na África, os zumbis são negros. Isto rendeu diversas acusações de racismo à produtora do game.





Não quero negar a realidade do racismo (inclusive no Brasil), nem a dura realidade daqueles que, pela cor de sua pele trazem sobre si um legado histórico de exclusão, que vergonhosamente se perpetua até hoje.





Não nego os subprodutos sociais do racismo brasileiro: as piadas, a estranheza que muitos sentem diante de um negro ocupando altos cargos hierárquicos.





(Muita gente não acredita que minha esposa seja vice-diretora escolar)





Mas temo que, ao combater o racismo, desumanizemos o povo negro a tal ponto que não vejamos mais o humano, mas apenas uma etnia, com lugares definidos de forma politicamente correta.





Um diretor de teatro não se arriscará a convidar Milton Gonçalves para viver um grande vilão épico. Poderá ser o fim de sua carreira. A arte perde, e todos nós perdemos.



O debate acerca do racismo e o desenvolvimento de ações para combatê-lo tornam-se menos eficazes pela falta de agudeza gerada por uma postura errônea diante do tema.



E assim, em nome do politicamente correto, se cumpre de forma inversa o sonho de Martin Luther King de que os homens serão julgados por seu caráter, e não pela cor de sua pele – tanto na vida, como na ficção.





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PS: Há quem diga que Matrix, o Código da Vinci e Eu, eu mesmo e Irene também apresentam preconceitos contra os albinos...



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

UMA LEITURA TEOLÓGICA DE “A NOVIÇA REBELDE”


Em casa, de férias, estou tendo a oportunidade de ver e rever a alguns filmes. Foi em uma dessas noites que decidi assistir novamente o longa A Noviça Rebelde.

Previa me deleitar tranquilamente com a bela fotografia do filme, com a música encantadora e com a história singela (a própria Julie Andrews, na introdução do DVD que adquiri, acredita que uma das razões que expliquem o sucesso do filme seja a decência dos valores que promove) quando percebi que na própria trama do filme havia um fato bastante incômodo e perturbador.

O filme, basicamente, conta a história de Maria, uma noviça que é enviada para trabalhar como governanta à casa da família Von Trapp, comandada com mão de ferro pelo pai, amargurado pela morte da esposa e incapaz de se relacionar com seus sete filhos. Entre traquinagens das crianças, muita música e a ternura de Maria, ela consegue levar o patriarca a rever suas perspectivas de vida, re-humanizando seu lar e seu relacionamento com os filhos. Daí o título original em inglês, The Sound of Music, “O Som da Música”, pois, comovido, o capitão Von Trapp agradece a Maria por ter trazido de volta a música a seu lar e se casa com ela.

(Outro tema importante do filme é a oposição da família à ascensão do nazismo na Áustria).

O que me perturbou imensamente foi o próprio fato que desencadeia toda a história do filme: Maria é mandada à casa da família Von Trapp porque não servia para o convento, por ser alegre demais!

Uma das primeiras canções do filme, que mostra as religiosas debatendo sobre o perfil de Maria, leva-as a indagar: “O que faremos com o problema que é Maria?"

Geralmente as pessoas adotam uma postura de preconceito contra o cristianismo, por considerem-no oposto à alegria. Lamentavelmente este preconceito tem precedentes históricos que o alimentam: durante muito tempo, vários segmentos da Igreja agiram desta forma, entendendo a alegria como um problema.

Eu mesmo, em meus primeiros contatos com a Igreja, fiquei surpreso ao descobrir que um crente podia dar risada!

Este conceito de religiosidade de “cara amarrada” nada tem a ver com a Palavra de Deus, que apresenta a alegria como um de seus mandamentos (Filipenses 4.4) e descreve o Evangelho como a alvissareira “Boa Notícia” de Deus aos homens.

Biblicamente falando, ser alegre é um mandamento de mesmo nível que não roubar ou assassinar.

Lamento que alguns cristãos tenham ofuscado o colorido da Palavra de Deus com a opacidade de seus conceitos e oro para que as pessoas consigam compreender o Evangelho, apesar das falhas históricas da Igreja.

Concluo esta reflexão com uma das duas observações que meu filho Rafael fez enquanto assistia ao filme comigo.

A primeira, que me deixou cheio de orgulho, foi quando ele percebeu que o título original, “The Sound of Music”, não batia com o título em português dado ao filme.

Já a segunda foi quando, em certa altura do filme, após ter observado a personagem Maria, ele perguntou:

“Pai, ela é rebelde”?

Não respondi diretamente. Ele tem apenas seis anos, não quero expor-lhe a um dilema deste tipo.

Mas gostaria de responder-lhe, se ele fosse mais velho e tivesse mais maturidade:

“Não, meu filho, ela não é rebelde.

Rebeldes são aqueles que tentam transformar o Evangelho de Jesus em uma religião sem alegria, contra a vontade dEle”!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

VOCÊ QUER MUDAR O MUNDO?


Foi num dia desses, ao voltar da faculdade, que assisti na televisão, enquanto jantava, trechos da reprise do filme Escola de Rock.

Em meio às trapalhadas do professor de música que tentava fazer com que seus alunos formassem uma banda de rock, o personagem interpretado por Jack Black disse algo que me deixou pensativo por muitas semanas:

Um show de rock pode mudar o mundo! – disse ele, convicto.

Não foi o conteúdo em si da frase que me chamou a atenção, mas a paixão com que fora dita.

A paixão confere credibilidade àquilo que é feito, não havendo dúvidas acerca de sua relevância nem dos esforços e sacrifícios necessários.

Quem age com paixão realmente acredita que pode mudar o mundo.

A geração de 60, mesmo defendendo alguns ideais errôneos, acreditava no potencial transformador de suas ações, o que lhe conferiu uma postura ativista que merecia ser resgatada em nossos dias apáticos.

Antes de conhecer a Cristo, eu desejava ser ator e me dedicava em estudos e ensaios (mesmo sendo um canastrão), por crer que através do teatro eu poderia comunicar uma mensagem que realmente seria capaz de mudar o mundo.

A palavra “utopia” (do grego ‘ou, não; + topos, lugar) refere-se àquilo que ainda não tem lugar na realidade. Certamente, muitas das mudanças que desejamos ver no mundo realmente enquadram-se nesta categoria. Não quero afirmar que seremos capazes de concretizar as utopias (se assim fosse, Deus não necessitaria redimir o mundo).

Quero ressaltar a verdade que existe um não pequeno âmbito de influência sob nossa responsabilidade.
Trabalhando fervorosamente dentro dos limites do possível, descobriremos que muitas “impossibilidades” estavam apenas aguardando que alguém agisse – com sua arte, seu talento, seu dom – desde que apaixonadamente.

Sendo assim, um sermão pode mudar o mundo.

Uma canção pode mudar o mundo.

Um gesto solidário pode mudar o mundo.

Uma denúncia pode mudar o mundo.

Uma conversa pode mudar o mundo.

É possível trabalhar por uma pró-topia.

Que aqueles que receberam fazer obras semelhante e até maiores que a do Mestre não se contentem em buscar menos nesta vida.

domingo, 17 de maio de 2009

O MEDO COMO CAMINHO PARA O LADO SOMBRIO


Foi no episódio I em que Yoda, ao examinar o pequeno aspirante a jedi Anakin Skywalker, afirmou com seu palavreado característico:

Medo caminho é para o lado sombrio.
Medo leva à raiva; raiva leva ao ódio, e ódio leva ao sofrimento.
Sinto medo muito em você.

Quem assistiu os demais episódios da hexalogia Star Wars pôde acompanhar como o guerreiro jedi corrompeu-se, transformando-se no tirano e assassino Darth Vader.

Um conceito muito interessante que nos ajuda a lançar um novo olhar sobre a trágica história do personagem criado por George Lucas (trazendo também algumas lições para nossas vidas) é o conceito de desapego.

Nascido como escravo, desde cedo Anakin Skywalker conviveu com o sentimento de privação: a falta de liberdade na infância e a morte trágica da mãe o levaram a desenvolver um senso de justiça feroz, mesclado com o desejo de vingança.

Este histórico tornou intolerável ao jovem jedi a idéia de sofrer outras percas. Estes traumas, aliados à excessiva autoconfiança em seus dons o tornaram presa fácil à sedução do lado sombrio.

Os antigos filósofos estóicos entendiam que a imperturbabilidade é a virtude principal a ser buscada: o homem sábio, segundo eles, reconhece o elemento fatal de transitoriedade que compõe a vida e, através do desapego às coisas, consegue desenvolver uma atitude de serenidade capaz de manter íntegro o ser, mesmo diante de grandes revezes. O budismo também possui conceitos semelhantes.

O cristianismo apresenta este conceito de forma mais dinâmica: temos um Pai Celeste que reconhece nossas necessidades e Se agrada de supri-las (Mt 6.25-33). Somos exortados a alegrar-nos e desfrutarmos de nossas posses (dons, saúde, relacionamentos – Ec 2.24-25, 9.9-10), lembrando de incluir outros nesta alegria (Lc 14.12-14). A variante cristã do conceito de desapego é a hierarquização valorativa dos bens.

De acordo com o conceito cristão, o Sumo Bem (Deus) é essencial à realização do ser. Todos os demais elementos da vida têm seu valor e espaço determinados em relação ao Sumo Bem.

Sendo assim, é possível o desfrute dos bens desta vida sem afirmar que eles constituem nossa realização última. Somente Deus é capaz disto. Em decorrência deste fato é possível desenvolver uma atitude de desapego que não seja caracterizada nem pela morbidez e nem pela dependência. Como Paulo expressou, a privação dos bens desta vida não interferem no status de mais que vencedor daqueles que crêem em Cristo (Rm 8.35-39).

Com base nesta hierarquia de valores é possível não apenas suportar a perda (muitas vezes dolorosa!) de bens menores, mas até mesmo seu sacrifício em prol de um bem maior. Os mártires da Igreja dão testemunho disto, tal como Jim Elliot, morto em 1956 no campo missionário, que afirmou que "não é tolo quem abre mão daquilo que não pode reter para reter aquilo que não pode perder".

O medo faz parte de nossas defesas. Nos ajuda a sobreviver. Na proporção indevida, porém, o medo paralisa a vida. O desconhecido é um dos principais fatores que alimenta o medo. O futuro atemoriza precisamente por ser desconhecido, aberto à possibilidade de perdas e dores.

A confiança no Deus que é soberano sobre a História é única a alternativa para o medo que impele à paralisia diante do mistério do futuro, sempre um mistério, aberto à possibilidade de dores e percas.

Somente o conhecimento de que Deus cuida pessoalmente de cada detalhe da História (inclusive de nosso futuro particular) torna possível a libertação do medo, pois, seja o que vier, virá das mãos de Deus. Ele sabe o que faz. Foi o que Jó testificou (Jó 1.21, 2. 10)!

Somente a libertação do medo torna possível escapar à sedução do mal que nos convida a definir nossa história e as questões que a envolvem por nossa própria conta.

Pois foi precisamente tentando preservar seu futuro, movido pelo medo, que Anakin Skywalker o destruiu.

sexta-feira, 13 de março de 2009

ILHA DAS FLORES



Rever o documentário “ilha das Flores” em uma recente aula de Sociologia foi muito bom. À primeira vista, pode parecer que parece que estarei comentando assunto antigo neste post: afinal, o curta-metragem de Jorge Furtado foi realizado em 1989. Todavia, relevância não é um atributo apenas daquilo que é recente.



Ilha das Flores narra a “saga” de um tomate (isso mesmo!) que passa por diversas etapas desde seu cultivo, venda, revenda e descarte, quando chega ao lixão conhecido como “Ilha das Flores”, onde seres humanos têm permissão para ali procurarem alimento para sua sobrevivência – depois de o dono do aterro ter selecionado a lavagem dos porcos.



A fotografia, montagem e narração do filme são brilhantes, apresentando importantes conceitos políticos, econômicos, históricos e sociais, como a questão do trabalho e produção de cultura e riqueza, a produção de capital e lucro, as relações sociais predatórias que geram desigualdade e injustiça social.



Todavia, o filme apresenta também um conceito religioso.



Durante a abertura do filme, antes de qualquer imagem, escrito com letras garrafais aparece a frase: “DEUS NÃO EXISTE”.



Vejamos:



Segundo a filosofia, existem dois tipos de juízo: a priori (antes do exame de um objeto, fato ou conceito, ou seja, um raciocínio dedutivo) e a posteriori (após o exame dos mesmos, onde a conclusão é construída de maneira indutiva).



Nunca pude conversar com Jorge Furtado, mas talvez os meses de experiência em um ambiente degradante, onde seres humanos estão abaixo de porcos na cadeia alimentar tenham inspirado-o a uma expressão tão cética e indignada.



Todavia, ao colocar a frase no início do filme, o diretor a transforma em um pressuposto para a interpretação de todos os fatos subseqüentes: ou seja, o espectador é predisposto antes da projeção do filme a realizar um juízo apriorístico, considerando Deus e Ilha das Flores como realidades excludentes entre si.



“Se Deus existe, não existiria um lugar como Ilha das Flores”.



“Ilha das Flores existe. Logo, ou Deus não existe ou, se Ele existe, Ele não é bom – portanto, indigno de minha confiança”.



Ora, já foi dito que a fé é uma fuga, uma espécie de escapismo que as pessoas utilizam para negar os problemas da realidade.



Todavia, não foi Deus quem produziu um lugar como Ilha das Flores: foram os homens! Esta é uma realidade que o documentário, ironicamente, mostra de forma bem clara!



Negar a responsabilidade humana pela construção de sua realidade perversa e lançar a culpa sobre Deus – não seria este o verdadeiro escapismo? A verdadeira alienação? Comentei sobre isto em “Jesus e os descaminhos da história”.



Ilha das Flores não nega a realidade de Deus. Antes, confirma a realidade da queda e do pecado do homem, bem como sua necessidade de redenção..

Embora tenha feito esta ressalva, convido você a assistir este documentário. Como eu disse, é um filme brilhante. Assista. E mobilize-se.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

UMA LEITURA TEOLÓGICA DE "SETE VIDAS"


O novo filme de Will Smith o apresenta no papel de um homem torturado por um erro terrível cometido no passado e que, não conseguindo conviver com a culpa, resolve suicidar-se, procurando, antes disso conferir ao seu ato um significado maior, salvando, através dele, sete vidas.


A trama é bem conduzida, com boas atuações dos atores, mantendo durante todo o filme o suspense sobre o personagem, cujas motivações são reveladas apenas no final da história.


Causou-me profundo impacto a urgente realidade apontada pelo personagem de Will Smith: as muitas pessoas que, como o personagem da ficção, não conseguem conviver com o tormento interior da culpa. A existência sob o peso de uma consciência culposa é um fardo, privando o ser humano de paz - com Deus, consigo mesmo e com os outros, pela leitura moralmente negativa que o indivíduo possui de si mesmo. O agravante encontra-se no fato que, no esforço desesperado para reparar os equívocos cometidos na vida é possível trilhar um caminho que conduz à autodestruição.

Após assistir este filme, compreendi a palavra do autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 9 e versículo 14 como uma bem-aventurança, por apresentar um dos benefícios da obra perdoadora de Jesus Cristo a nosso favor como purificação da consciência (... quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?). Desta forma, somos libertos do fardo de tentar confiar em nossa capacidade própria para satisfazermos Seu padrão de justiça (o que é sempre um esforço vão, por isso classificado como "obras mortas"), da auto-avaliação destrutiva e do temor da rejeição divina. Paulo expressa o mesmo conceito com outras palavras, afirmando que nenhum poder no universo pode condenar aqueles a quem Deus perdoou - nem o próprio indivíduo (Rm 8.33-34).


A enorme conscienciosidade e senso de responsabilidade pessoal de Ben (o personagem de Will Smith), com seu conseqüente desejo de reparação não são populares em uma sociedade como a nossa, onde crianças são assassinadas com frieza e a negação do conceito de culpa promove a cauterização da consciência. Todavia, a chave para lidar com a culpa (e os erros que estão por trás dela) não consiste no auto-perdão indulgente e irresponsável, nem tampouco na paralisia da vida em submissão ao remorso, mas em comparecer integralmente (com toda sua bagagem de vida: com seus erros, acertos, frustrações, sentimentos e conceitos) à presença do Deus compassivo, cujo amor perdoador é demonstrado de forma clara na morte de Jesus Cristo, que se entregou por nossos pecados para possibilitar a redenção de nossa história (inclusive dos erros que trazem tortura interior para as pessoas; todos inclusos no perdão conquistado na cruz).


Através da graça de Deus, sempre é possível encontrar uma nova chance para um recomeço, cheio de perspectivas para o futuro.