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terça-feira, 11 de setembro de 2012

COMO SUPERAR DIFICULDADES PARA ENTENDER A BÍBLIA?

1. Engana-se quem imagina que eu iria mencionar a oração em primeiro lugar. Você pode me questionar: "Mas a oração não é necessária para o entendimento das Escrituras? O homem natural não pode compreender  as coisas do Senhor, de acordo com 1.ª aos Coríntios 2.14"! Em primeiro lugar, o vocábulo traduzido por "compreende" na versão Revista e Corrigida seria melhor traduzido por "aceitar" ou "receber". O entendimento de que Paulo fala aqui não é o entendimento do sentido do texto* (um ateu pode alcançar este sentido!), mas o entendimento redentor do texto (ou seja, o entendimento de que devo crer e obedecer à mensagem do texto). Logo, oramos ao ler a Bíblia para que Deus torne nossos corações receptivos à Verdade, e que através da leitura de Sua Palavra possamos crescer em nosso relacionamento com Ele e aprimorar nossos caminhos;

2. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque lemos a Palavra de Deus tentando encaixar nela nossas próprias ideias pré-concebidas! Tentamos enxergar nela apenas confirmações para nossos conceitos, preconceitos, experiências e tradições e este tipo de postura nos mantém fechados quanto ao entendimento do texto;

3. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque acredita-se que interpretar corretamente as Escrituras significa descobrir em suas páginas significados "místicos, metafóricos e mirabolantes", desprezando o sentido óbvio do texto. Esta postura, infelizmente, é consequência da falta de valorização da pregação que expõe e explica a Bíblia, em preferência de pirotecnias por parte do pregador;

4. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque acreditamos que tudo o que está escrito em suas páginas deva ter relação direta com algum problema pessoal. Tal postura dificulta o ato de estudar a Bíblia para compreender sua doutrina, sua leitura acaba sendo subordinada ao imediatismo. A consequência direta deste modo de pensar são as infames "caixinhas de promessa";

5. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque não compreendemos a relação entre as partes (cada livro) com o todo (a Bíblia inteira). Esta é uma dificuldade marcante principalmente em relação ao Antigo Testamento, que cobre um período histórico maior. Os livros na Bíblia aparecem em ordem temática, e não em ordem cronológica e precisamos perceber a relação que há, por exemplo, entre Reis e Crônicas e Isaías e Jeremias; entre Esdras e Zacarias; entre Atos e as cartas de Paulo. Uma boa sugestão para conseguir visualizar e assimilar este panorama da história bíblica é ler uma Bíblia para crianças - não tenha vergonha: obras deste tipo apresentam os fatos em ordem cronológica, de forma bastante clara;

6. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque isolamos seus textos e eles perdem seu sentido original. Cada texto da Bíblia deve ser compreendido em relação a seu contexto imediato (os versículos anteriores e posteriores) e mais amplo (dentro da estrutura do livro e da Bíblia como um todo). Neste sentido, a divisão em capítulos e versículos (inexistente no original) atrapalha um pouco, pois dá uma falsa impressão de que o texto é fragmentado;

7. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque o português da versão que estamos lendo geralmente é muito arcaico. O uso do dicionário e de uma versão bíblica com português contemporâneo (apenas evite versões parafraseadas da Bíblia) são de grande valia.

Estes são apenas alguns exemplos de problemas que dificultam a leitura da Bíblia. Felizmente, a maioria deles são apenas conceitos que precisam ser desmistificados (1, 2, 4, 7). Outros são superados ao longo do tempo; a dedicação ao estudo da Bíblia trará maior habilidade em seu manuseio.

Lembre-se: a Bíblia é a Palavra de Deus para você. Não é um livro de clérigos, mas um livro para todos. Sua mensagem é a Boa Nova de Deus aos homens, suas palavras são luz, vida e sustento. Leia a Bíblia - você precisa fazer isto. Não terceirize seu relacionamento com Deus.

Que possamos ter sempre a melhor postura diante do Livro Sagrado e uma vida frutífera através do aprendizado de suas palavras.

__________
* Reconheço, porém, muitas vezes o sentido das Escrituras é deturpado devido ao preconceito de algumas pessoas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

PEDRO, PAULO E NOSSO RELACIONAMENTO COM ELES

Não é exagero falar que, depois do Senhor Jesus, Pedro e Paulo são os personagens mais importantes do Novo Testamento.

Da mesma forma, também são os mais amados.

Por razões diferentes, no entanto.

Em Pedro enxergamos o nítido retrato da humanidade – o que sempre corresponderá a um quadro de fragilidade: sua impulsividade, sua fanfarronice, suas ideias absurdas, sua demora em aprender, e seu amor sincero por Jesus.

Amamos Pedro porque enxergamos a nós mesmos nele.

Com Paulo a situação toma outro rumo: amamos sua constância, dedicação, energia, vanguardismo e coerência. Amamos Paulo porque vemos nele a realização de um ideal que gostaríamos de alcançar em nossas próprias vidas.

Pedro desperta em nós cumplicidade. Paulo provoca admiração.

Rimos de Pedro, o trapalhão. Ficamos graves diante de Paulo, o apóstolo aos gentios.

Ouso dizer que somos esmagados pelo gigantismo que representa a figura de Paulo, que se torna, ao mesmo tempo para nós, desafio e frustração, e que respiramos aliviados diante de Pedro: ele é uma válvula de escape para nós.

Pedro, humano demais; Paulo, às vezes aparentando ser sobre-humano.

Nossa relação com Paulo apresenta um binômio de amor/frustração, ao passo que com Pedro somos tomados de amor/irritação (sim, pois mesmo que vejamo-nos a nós mesmos na trajetória de Pedro, impacientamo-nos com a demora do apóstolo em amadurecer – queremos ver mais dele, da mesma forma que queremos ver mais de nós).

Nossa análise dos apóstolos seria injusta se terminasse por aí, pois estaria se limitando apenas às impressões iniciais que estes homens nos passam.

Quando penetramos mais profundamente no pensamento destes homens, em um exame mais  minucioso do que eles viveram e escreveram, as primeiras impressões desaparecem.

Conhecemos um Paulo que se considerava portador de defeitos piores que Pedro – a ponto de ter sua tendência ao orgulho necessariamente sob a disciplina de um espinho na carne.

Conhecemos um Paulo que considerava todas as realizações de sua vida como obra da graça de seu Senhor em si.

Conhecemos um Paulo que se gloriava de suas fraquezas e falava delas com franqueza.

Conhecemos um Paulo que considerava-se longe da perfeição, jamais deixando de engajar-se em seu aprimoramento pessoal.

Conhecemos, enfim, um Paulo que azia a apologia do demérito – e, acima de tudo, um homem totalmente fascinado pela figura de seu Senhor.

Da mesma forma, em Pedro, conhecemos um homem que revelou-se mais que um trapalhão, mas alguém que aprendeu através do erro.

Conhecemos um Pedro que, tendo escrito menos que seu colega Paulo, nos legou a peça mais importante da Bíblia acerca do sofrimento cristão.

Conhecemos, enfim,um Pedro que cumpriu o propósito de seu Senhor, pastoreando as suas ovelhas – o trapalhão,afinal, evoluiu.

Que bom que nenhum relacionamento sério é construído através de impressões superficiais!

Permitindo que estes homens falem por si mesmos acerca de si e de sua experiência de fé através das páginas das Escrituras, nos livramos do fardo de estabelecer um relacionamento contraditório com eles, percebendo que, apesar de suas diferenças, ambos eram igualmente dependentes da graça de Deus e amados por seu Senhor.

Assim como nós.

domingo, 25 de julho de 2010

O CALVINISMO DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA

ATÉ O FIM

Quando nasci veio um anjo safado
O chato de um querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

"Inda" garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
 
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
 
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
 
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
 
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Em 1978, na canção "Até o fim", Chico Buarque de Holanda apresentou, de forma bem humorada, as desventuras de alguém que nunca "deu certo" na vida.

É bastante interessante que, em plena ditadura militar, o autor tenha declarado que um dos motivos pelos quais o personagem não dava certo era por não ser "ladrão" (uma mensagem ainda atual em nosso país de corruptos que "dão certo" impunemente), "bom de bola" (garantia certa de bom salário, em uma sociedade que exalta os profissiionais do entretenimento e paga salários miseráveis a seus principais profissionais), nem aguentar "ouvir clarim" - ou seja, não apoiava a ditadura militar nem dela sabia tirar vantagem.
Todavia, esta música merece atenção pelo viés teológico que Chico Buarque conferiu à narrativa: no fundo, tudo não dava certo porque "um anjo safado, um chato de um querubim", havia determinado que seria assim.

Em resumo, "Até o fim" apresenta o conflito do homem vendo-se como vítima do elemento religioso.

(É discutível se, ao descrever o tal "anjo safado" como o "chato de um querubim", Chico estivesse pensando em Satanás, descrito na Bíblia como um querubim caído: se assim fosse, o autor estaria creditando as mazelas humanas à oposição demoníaca. Todavia, esta parece ser uma alternativa improvável, não pela falta de cultura do autor, que poderia muito bem conhecer esta informação, mas pela suspeita com que o elemento religioso era visto nos anos 60 e 70, especialmente pelas esquerdas mais influenciadas pelo ateísmo do comunismo russo e cubano.)

A mesma temática de "Até o Fim" apareceu, de forma mais ousada, em "Rio 42", também do mesmo autor. Ou seja, 1) somos o que somos porque Deus os anjos assim o quiseram, 2) nossa realidade indica que eles não fizeram o serviço bem feito, 3) logo, Deus, na melhor das hipóteses, está sob suspeita, 4) e a fé não parece ser uma virtude sensata.
Lamento ver um artista tão talentoso nutrir tais sentimentos diante de Seu Criador. O retrato bíblico de Deus  (que certamente mudaria os conceitos de Chico Buarque) o apresenta como o soberano da História, mas não uma criatura caprichosa e mesquinha: ao contrário, o Soberano que rege o Universo o faz com ética, justiça e amor.

Há um ponto positivo, porém, que desejo destacar em "Até o Fim": mesmo apresentando um personagem que é "vítima" dos desígnios divinos e entra em conflito com a realidade religiosa, a canção apresenta a rejeição do fatalismo: mesmo com tudo contra, seu personagem vai "Até o Fim", e não entrega os pontos jamais.

Muitos cristãos, sabendo do domínio soberano de Deus e de Seu cuidado como Universo e com a História, desenvolvem uma visão fatalista da vida, e usam estas verdades como uma espécie de isenção à  ação, desculpando assim sua omisão ("minha vida está assim porque Deus quer"): cristãos assim esquecem que Deus cumpre seus propósitos na Terra através de nossas ações responsáveis.

Como Joabe bem sintetizou a questão: "Sê forte, pois; pelejemos varonilmente pelo nosso povo e pelas cidades de nosso Deus; e faça o Senhor o que bem lhe parecer". (2.º Samuel 10.12)

Nós também, como agentes de Deus, temos o dever de sermos agentes de transformação da realidade (em nós e ao nosso redor), e o conhecimento da soberania de Deus, longe de nos desanimar nesta tarefa, confere a certeza que ele abençoará nossos esforços.

Desculpas "piedosas" (que consistem em uma tentativa errônea de compreender e se sujeitar à vontade de Deus) ou "teológicas" (um falso calvinismo) para a apatia e a indolência não são competíveis nem com a Bíblia nem com o Deus da Bíblia.

Como o personagem de Chico Buarque, também devemos ir até o fim - com a diferença que sabemos "pronde" que vamos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

COMO ANDA SUA INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL?


Howard Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas.

Segundo o autor, cada um de nós se sobressai em uma área específica do saber humano. Não existe ninguém “burro”. O motivo pelo qual algumas pessoas são excluídas e taxadas como incapazes é que elas não se sobressaem nos saberes valorizados socialmente.

Sendo assim, teríamos multiplicidades de inteligências dentro da espécie humana: lógico-matemática, corporal, musical, interpessoal, intrapessoal, etc.

Um desdobramento da teoria de Gardner trouxe o conceito de “inteligência espiritual”.

Pessoas dotadas com este tipo específico de inteligência melhor compreenderiam os aspectos ulteriores da realidade, seriam mais sensíveis ao sofrimento alheio e teriam profunda consciência ética.

Afunilando um pouco esta definição (que é extremamente eclética), dando um enfoque mais cristão a este tema (que concebe a espiritualidade como vida em dinâmica comunhão com Deus através de Jesus Cristo), gostaria de propor algumas reflexões, um “quiz”, com o intuito de aferir se, como cristãos, somos “inteligentes” na maneira como vivenciamos nossa espiritualidade.

Alguns definem inteligência como a capacidade de solucionar problemas. Sendo assim, diante de uma grande dificuldade, a fé é seu primeiro recurso?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

Se inteligência (do latim intus leggere, “leitura interior”) significa capacidade de diálogo interior, para você auto-exame é uma postura de vida constante?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

É sinal de inteligência a autopreservação. Logo, posso dizer que emprego os meios necessários para promover meu crescimento espiritual de forma contínua e saudável?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

Uma pessoa inteligente assimila com mais facilidade as coisas. Sendo assim, fico protelando para aceitar a vontade de Deus para minha vida?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

Discernimento e inteligência andam juntos. Então, como cristão, gerencio com cuidado minha bagagem de conceitos e valores, tendo todos eles elencados cuidadosamente?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

Diz o adágio que “mente desocupada é oficina do diabo”. Posso dizer que não é o meu caso, pois tenho planos, aspirações e projetos de vida (que demonstram que minha mente não caminha pela ociosidade) estão fundamentados em Deus e visam Sua glória (e nem pela frivolidade)?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca
Concorda que é uma atitude inteligente compartilhar com outros a fé que é tão preciosa para você?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

É óbvio que a perfeição está distante de nós. Mas, esquecendo-me de refinamentos teológicos, sabendo que a aprendizagem de princípios simples precede a aprendizagem de princípios complexos, posso dizer que, nos mais rudimentares princípios do Evangelho, que são o amor a Deus e ao próximo, já obtive crescimento e eles são uma constante em minha vida?
(   ) Sim            (   ) Não     (   ) Às vezes    (   ) Quase nunca

***

Pois é, se o aprimoramento em santificação significa crescimento em sabedoria, o oposto também é verdadeiro: uma das características mais marcante do pecado é a tolice.

domingo, 11 de abril de 2010

A INADEQUAÇÃO DO "MEU" DEUS E DO "SEU" DEUS


Existe uma diferença muito grande entre o que pensamos sobre Deus e o próprio Deus em si.

Todos nós nos limitamos aos nossos conceitos sobre Deus,  à nossa teologia individual.

O grande problema com nossa teologia individual é que nunca conseguimos nos erguer acima dela: parece-me que foi A. W. Tozer que disse que "aquilo que pensamos sobre Deus é a questão mais importante de nossa vida".

Nossa vida vida é reflexo de nossas convicções sobre Deus.

Não é à toa que a etimologia da palavra idolatria seja eidos (idéia) + latreia (culto), ou seja, a deificação de um conceito particular.

O reconhecimento desta perigosa realidade levou muitos ao agnosticismo, por considerar ser impossível tecer qualquer discurso sobre Deus.

Como vencer nossa idolatria potencial sem cair no agnosticismo desesperançado?

Em primeiro lugar, reconheça que Deus nos deixou conceitos acerca de Si mesmo. Ele falou.  Através da criação, de Sua ação na História, através das bênçãos por Ele concedida - mas de modo muito mais específico através de Seu Filho, Jesus, e de Sua palavra, a Bíblia. 

Deus optou tanto por não deixar-nos no escuro acerca de Si mesmo quanto por poupar-nos do perigoso e sempre falho trabalho de "concebê-lo". Ao se intitular religião revelada, o cristianismo reconhece com gratidão o evento da auto-revelação divina, capaz de suprir nossa incapacidade epistemológica, apregoando, ao mesmo tempo, a necessidade da devida honestidade intelectual para conhecer a Deus: a humildade que capacita a aceitar o que Deus tem a dizer acerca de si e acerca de nós.

Segundo, ao ser confrontado pelo Deus verdadeiro, saiba que você terá de descartar o seu "Deus". Este não é um processo fácil e nem ao menos indolor, mas é necessário. Não é possível alimentar expectativas verdadeiras em torno de um falso Deus - mesmo que eu o tenha batizado com o título do Deus cristão. Livre-se do "seu" Deus em nome de Deus.

Terceiro, saiba que toda sua vida na Terra será de refinamento de sua visão e conhecimento de Deus. Não há como se graduar nisto. Há apenas a garantia de que, enquanto estou aberto a conhecer o Deus vivo e verdadeiro, estou a salvo do "meu" falso Deus.

E assim, nos aperfeiçoando na verdade, desfrutaremos melhor da liberdade dos filhos de Deus.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A PEDAGOGIA DE DEUS PARA AS CRISES DE BICO


O livro de Gênesis talvez seja um dos mais populares de toda a Bíblia. Geralmente os primeiros contatos que as crianças têm com as Escrituras é dado através das narrativas sobre a criação, o dilúvio, a torre de Babel e outras, o que torna os personagens de Gênesis (Adão, Eva, Noé, Abraão, José) muito conhecidos.

Inclusive Caim e Abel.

É famoso o relato do primeiro assassinato cometido na história humana.

Há divergências, contudo, acerca da motivação de Caim em cometer o homicídio, principalmente acerca do motivo que explica a recusa de Deus em receber sua oferta.

Já li argumentos alegando que a oferta de frutos de Caim foi rejeitada por não ter sido um sacrifício de sangue, como o de seu irmão Abel. Tal argumento não se sustenta à luz das leis sobre ofertas em Levítico, que prevê a oferta de vegetais e seus derivados na adoração (Levítico 2; 23.9-14).

Outro afirmava que a oferta de Abel fora um fruto espontâneo de seu trabalho, não algo que fora extraído à força da terra – um argumento bastante estranho, principalmente se considerarmos que Deus deu ao homem o mandamento de desenvolver a agricultura (Gênesis 1.29-30; 2.15) e que a morte cruenta de animais (tanto para sacrifício e como alimento), aparentemente, é um fato que se tornou necessário apenas após a Queda, não refletindo a ordem natural idealizada por Deus.

O Caim agricultor só podia servir a Deus sendo o Caim agricultor. Não abandonamos em um canto nossos talentos e profissão para adorar a Deus.

Pode ser uma possível explicação o fato, mencionado no texto que Abel apresentou as primícias de seu rebanho ao Senhor (Gênesis 4.4). Aparentemente, Caim não foi tão zeloso.

Todavia, considerações dos teólogos à parte, creio que o grande problema da oferta de Caim era Caim. O texto diz que Deus rejeitou a Caim, e, por conseqüência, sua oferta (“...de Caim e de sua oferta não se agradou.” Gênesis 4.5).

Isto ocorreu porque não é possível dissociar aquilo que fazemos fora dos ambientes de adoração com aquilo que ofertamos a Deus nos momentos de culto.

Deus não é subornável. Porque as obras de Caim eram más e as de seu irmão boas (1.ª João 3.12), Deus não pôde aceitar sua oferta, ao passo que Se alegrou com o culto oferecido por Abel.

A Bíblia relata que Caim ficou terrivelmente irado, e que seu semblante descaiu. “Fechou a cara”, como traz a Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

Após o incidente Deus, misericordiosamente, vai conversar com Caim.

O que o Senhor lhe diz?

Em primeiro lugar, Deus convidou Caim a pensar sobre sua atitude. Ou seja, quis fazê-lo refletir sobre os motivos que o levaram a ficar “de bico” (
“Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante?” Gênesis 4.6).

Ou seja, “pare e pense”, diz Deus. “Seja razoável"!

Depois disto, o convoca a deixar de ter auto-piedade e fazer uma análise honesta de suas atitudes e das possibilidades de melhorias para seu futuro caso se emendasse (“Se procederes bem, não é certo que serás aceito?” Gênesis 4.7).

Em outras palavras:

“Pare de ter autopiedade”.

“Pare de culpar a seu irmão por seu fracasso”.

“Pare de culpar a mim”.

“Culpe exclusivamente A VOCÊ pelo rumo que tem dado à sua vida.”

E, finalmente, Deus apresenta a grande responsabilidade que está sobre os ombros de cada ser humano da Terra, deixando claro que, aqueles que utilizam o ressentimento como escapismo para o dever de gerenciar bem a própria vida terão como conseqüência a perda progressiva da capacidade de geri-la (“Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. Gênesis 4.7).

Quem se faz de vítima, torna-se vitimado por um estado de incapacitação.

Quem se arma contra Deus e o próximo fica desarmado diante da desumanização.

Todos sabemos o final da História (Gênesis 4.8).

Caim não aproveitou bem a preciosa aula que Deus lhe deu.

Diariamente esta história se repete.

Muitas pessoas carregam dentro de si ressentimentos injustificáveis.

São misericordiosamente buscadas por Deus.

Inclusive você, meu leitor.

Se sua esta e a situação de seu coração, saiba que também pode contar com a misericórdia de Deus.


Jamais, porém, com sua conivência.

Tenha uma boa aula e tire 10 na arte de viver!


***

Recentemente foi anunciado o lançamento do novo livro do escritor português José Saramago, chamado “Caim”. A tese principal de Saramago é que Deus é o culpado por Caim ter assassinado Abel.


Haja bico!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SOBRE CHICLETES E COMPROMISSOS


Não vou revelar em que igreja isto ocorreu. Apenas quero expressar meu constrangimento com o ocorrido.

Ao participar de uma reunião, coloquei minha mão sob o assento da cadeira (de boa qualidade, obviamente custeada pelo dinheiro dos fiéis, que adquiriram o utensílio com o intuito de melhor equipar a casa de Deus) e encontrei ali um chiclete grudado.

Após o asco, e a preocupação e lavar as mãos, veio a indignação com o ato de vandalismo.

Nunca propus nenhuma espécie de perfeccionismo cristão e sempre denunciei a falibilidade de tal idéia, tanto dentro como fora da Igreja.

Todavia, encontrar um chiclete colado sob o assento da cadeira por um crente já é avacalhação demais!
(PS: O ocorrido não foi na parte do templo aberta ao público, mas em uma sala de reunião, onde apenas os membros possuem acesso.)
A nossa imperfeição e limitação não altera o fato de que temos um compromisso com a excelência, o que torna nossa vida uma jornada (desafiadora) de superação constante.

E certos hábitos e atitudes, de tão elementarmente toscos que são, já deveriam há muito ter sido superados entre a cristandade.

Que as centenas de copos plásticos e guardanapos jogados pelos templos nos finais de culto digam que estou mentindo!

Escrevo este artigo movido por uma mescla de indignação e também de medo.
Indignação pela demora quanto ao amadureceimento em coisas tão simples.
E medo do que pode acontecer se aqueles que são chamados à excelência se contentarem com a mediocridade.