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quarta-feira, 6 de julho de 2011

A PASSAGEM MAIS DIFÍCIL DA BÍBLIA



"E, descendo ele do monte, seguiu-o uma grande multidão. E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra" (Mateus 8.1-3).

 
Considero este um dos mais difíceis e enigmáticos textos da Bíblia.

Por quê?

Em ouras palavras, eis o que diz o texto:

LEPROSO: "Para que eu seja curado, basta o Senhor querer".

JESUS: "Ok, eu quero".

E o milagre aconteceu.

Simples assim – e complicado assim.

Considero este um dos mais difíceis textos da Bíblia porque é um exemplo claríssimo de sintonia da vontade humana com a vontade divina.

Acontece que nem sempre temos evidência de que a vontade divina está de acordo com a nossa.

Sabemos que basta o Senhor querer para que aconteça – se não aconteceu, é porque Ele não quis.

Mas a situação se torna angustiosa quando parece que nossa vontade é muito razoável, não havendo razões óbvias para a vontade divina não aceder a ela.

Afinal, que desejo mais natural a um leproso do que ser curado?

E como soa natural a resposta de Jesus “Quero, sê limpo”!

Por que nem sempre é tão simples assim?

Aqui caímos no terreno da oração não respondida.


(Quando digo "oração não-respondida", refiro-me à oração não-respondida de acordo com a intenção original de quem ora: "não-respondido" não significa "ignorado").

Mas o próprio Jesus soluciona este mistério ao ser também, de forma paradoxal, um paradigma da oração não respondida.

"Então, chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então, lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres". (Mateus 26.36-39)

Todos sabemos que o cálice não foi afastado de Cristo.

Mas Ele aceitou não priorizar Sua vontade, acatando a do Pai Celeste – e assim Ele nos instrui não somente acerca da oração respondida (em Mateus 8), mas também da oração não-respondida (em Mateus 26).
Se Deus não quer o mesmo que nós, é porque o que nós queremos não é tão bom quanto o que Ele quer!

Mesmo que às vezes não nos pareça razoável – mas a fé que nos leva a considerar o caráter de Deus em Seu perfeito amor e sabedoria, nos convence a abrir mão de nossa “razão” e confiar em Sua vontade.

A salvação da humanidade estava implícita no “não” de Deus a Cristo. O que não poderá estar implícito no “não” que Ele dirige a nós?

Continue confiando!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A LONGA DISTÂNCIA QUE SEPARA PROMETEU DE SATANÁS

O mito de Prometeu nos conta acerca de um titã que, compadecido da humanidade que criara, resolve conceder a ela o fogo, furtando-o dos deuses do Olimpo, que até então o reservavam apenas para si.

O castigo imposto pelos deuses por tal sacrilégio foi terrível: Prometeu seria acorrentado ao monte Cáucaso por 30000 anos e diariamente teria seu fígado devorado por uma ave de rapina e recomposto após o suplício, para sua repetição no dia seguinte.

Esta história atravessou as gerações e fez com que Prometeu fosse considerado o perfeito exemplo de um legítimo de filantropo, devido ao seu empenho em promover o bem-estar geral da humanidade.

Algumas pessoas tentam traçar um paralelo entre Prometeu e Satanás.

Apontam para o relato da tentação em Gênesis 3 e questionam: seria o argumento utilizado  por Satã ("Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal", Gênesis 3.5) uma prova de amizade para com a humanidade? Não estaria Satanás interessado em democratizar o acesso a um poder que a divindade restringia egoisticamente para Si mesma?

A idealização de Satanás como um símbolo libertário e emancipatório para o homem constitui-se na base de boa parte daquilo que tem se chamado "satanismo" hoje.

Ou seja, o diabo se tornou "cool".

É pena que aqueles que assim pensam não percebam a grande falha de seu raciocínio: é impossível traçar um paralelo entre Prometeu e Satanás porque o Deus contra o qual Satanás se rebelou não pode ser comparado às divindades lendárias do Olimpo.

Os deuses da mitologia grega são seres imorais e caprichosos em seu trato com a humanidade. Eu odiaria os deuses do Olimpo.

O Deus contra o qual Satanás se rebelou é santo e perfeito em seu caráter. Além de ser Todo-Sapiente, Todo-Presente e Todo-poderoso, é Todo-Amoroso.

O ato da tentação demonstra justamente a má-fé de Satanás para com os homens,  ao afastá-los de seu Bem Supremo - principalmente no que diz respeito a seu argumento utilizado, que foi mentiroso.
Ou alguém aí sente-se um deus?

E colhemos até hoje todos os prejuízos causados pela ação de Satanás contra a humanidade...

Belo filantropo...

Creio que o que leva alguém a fazer uma leitura “filantrópica” da pessoa de Satanás seja o velho preconceito que considera o Evangelho sinônimo de repressão – um argumento que cairia por terra se seus proponentes conhecessem o Evangelho e sua obra de libertação e emancipação humana!

Comprovam a veracidade do que estou dizendo qualquer pessoa que já teve uma experiência de transitar do Reino e obra das trevas para o Reino de Deus. 

Elas podem, sim, afirmar, onde foi que encontraram o verdadeiro Filantropo - que as amou e lhes fez bem - pois comprovaram a diferença!  

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VOCÊ AINDA CONSEGUE CONFIAR EM DEUS...?



Você ainda consegue confiar em Deus mesmo sem saber a cronologia exata de Gênesis?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo sem entender bem porque ele não destruiu Satanás imediatamente após sua rebelião?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo sem saber elencar todos os seres angelicais qua aparecem na Bíblia?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo quando desafiado por doutrinas enigmáticas que ultrapassam seu entendimento, como a predestinação?
 
Você ainda consegue confiar em Deus mesmo sem conseguir visualizar uma linha de tempo exata para os eventos do Apocalipse?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo sem obter algumas informações básicas sobre você mesmo, do tipo: sou corpo-e-alma, corpo-e-espírito ou corpo-alma-e-espírito?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo quando descobre Ele prefere contar com nossos esforços para melhorar o mundo, ao invés de usar Seus milagres?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo quando aceita o fato que Ele não fulmina imediatamente pessoas que, pelos males que causaram, dão a impressão de simplesmente estarem “fazendo hora extra no mundo”?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo quando assiste “Todo-Poderoso” e a idéia de Jim Carrey não parece tão absurda?

Você ainda consegue confiar em Deus mesmo sabendo que não consegurá solucionar todas suas dúvidas? 

Se você respondeu “sim” à grande maioria das questões, parabéns!

Isto demonstra que você não construiu sua fé (e, por consequencia, sua teologia e seu relacionamento com Deus) em torno de especulações sobre temas misteriosos do cristianismo (o que mostra também que você também rejeitou os extremos que incluem construir respostas teológicas simplistas do tipo “pão-pão, queijo-queijo” ou perder-se em devaneios estéreis), mas a edificou sobre o alicerce sólido da auto-revelação do caráter de Deus.

Não sei responder as questões mais intrincadas da teologia. Mas sei que Deus é amor. 

Não sei se todas as profecias do Apocalipse devem ser interpretadas literal ou simbolicamente. Mas sei que Deus é fiel e, por isso, cumprirá Seus planos na história.

Posso continuar confiando em Deus porque sei quem Ele é, mesmo que não o saiba explicar perfeitamente a Ele e a Seus atos.

Saber que Deus é confiável é mais importante do que saber tabular Deus.

Para a fé, basta saber que, se Deus é quem faz, está fazendo bem feito.
...
“Nossa fé é alimentada pelo que está claro nas Escrituras e testada pelo que é obscuro.” – Agostinho.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

DEUS NÃO É SEGURO

Boa parte das pessoas que se afastam do Evangelho apresentam algum tipo de decepção com Deus como motivo: desemprego, uma desilusão amorosa, problemas de saúde, a perda de um ente querido, tragédias na família. Não conseguem superar tais experiências porque crêem que, por serem pessoas de fé, não haveriam de passar por isso - e quando tal conceito não se sustenta, deixam o Evangelho.

Tais pessoas crêem que a fé significa imunidade diante da vida.

Creio que um dos motivos que explicam esta realidade foi a formação doutrinária dada a estas pessoas: ao tomarem contato com a fé cristã, foram apresentadas a uma visão triunfalista da vida cristã. Um Evangelho de bravatas.

Outra possível razão seria a idealização fantasiosa da vida cristã, exigindo de Deus promessas que Ele nunca fez.

Existe ainda uma outra contrapartida triste: há pessoas que crêem realmente que o Evangelho lhes garantia tal "imunidade", mas não a desfrutaram porque não possuíam fé suficiente. Consideram que elas, não o Evangelho, foi o problema - e, além de se afastarem do cristianismo, vivem imersas em culpa e remorso.

Posso ainda mencionar que muitas pessoas também não conseguem perceber a tensão que é apresentada pelo Evangelho quanto à experiência cristã: apesar de experimentar a salvação, o fiel a vivencia dentro da História, ou seja, a experiência individual de salvação ocorre dentro de um mundo ainda não-redimido: por isso sofremos. Somente a eternidade trará a consumação plena da salvação, tanto para o mundo quanto para o indivíduo.

A fé de tais pessoas pode reviver, através de aconselhamento e instrução bíblica acerca da natureza da vida cristã.

Mas creio que a questão é mais visceral:  todos temos a tendência de nos sentirmos traídos por Deus ao passar por momentos difíceis. Para nós, a perfeita expressão do amor de Deus é a de um grande Corretor de Seguros cósmico.

Porém, seguir a Cristo não é garantia de segurança. Aliás, o Evangelho é ESSENCIALMENTE perigoso, por ser um convite a deixarmos nossa zona de conforto de autonomia individual, permitindo que Deus remodele nossa vida. 
Isto é o que torna, o Evangelho, em essência, subversivo: a radicalidade existencial do ato de crer.

E o próprio ato de crer reorienta nossa percepção do sofrimento, pois a essência da fé é repousar a confiança sobre o ser de Deus e Seu caráter, de amor leal e constante.

E assim é possível entender que o amor de Deus para conosco não é expresso pelas circunstâncias que passamos, mas principalmente pela Sua presença conosco em meio a todos os momentos da vida - seja para melhor apreciarmos os bons momentos, seja para superarmos as adversidades.

Isto é simplesmente o teste que a História nos impõe à fé. 

Deus prometeu-nos um final feliz, mas não prometeu que eliminaria a jornada até o mesmo.

Foi a lição de fé que Jó nos deixou: fé é saber que Deus sempre é confiável.

Mesmo quando dói.

Mesmo quando é inexplicável.

Afinal, o ato de crer é alimentado pelo próprio Deus, através de Sua auto-revelação em Sua Palavra. O problema são nossos conceitos sobre Deus que, muitas vezes, são um verdadeiro impecilho à fé.

domingo, 11 de julho de 2010

UMA ANEDOTA, TRÊS PATIFES E UM CONCEITO MELHOR SOBRE DEUS



Três religiosos tinham diante de si uma quantia de dinheiro que havia sido doada pelos fiéis à instituição à qual pertenciam. Todos estavam ávidos por tomar o dinheiro para si. O mais ousado disse: "Vamos dividir a quantia em partes iguais para nós três". O mais pudico replicou: "Mas é dinheiro de Deus"! Foi então que o terceiro fechou a questão: "Vamos atirar o dinheiro para cima e dividir entre nós as notas que Deus não pegar para Ele".

Esta breve anedota confirma isto o fato de que nossas vidas sempre ficam na medida de nosso conceito sobre Deus. Os três religiosos da anedota demonstram que as más ações de um indivíduo são a consequência imediata de suas concepções sobre Deus: neste caso, a idéia de um Deus não intervém.

É óbvio que Deus não estenderia o braço para apanhar nenhuma cédula – o que motivou os espertalhões a justificarem o desvio do donativo.

Os homens agem mal por crerem em um Deus apático.

Para alguns, o exemplo da anedota demonstra que Deus é digno de censura, e não os três espertalhões – afinal, se Ele punisse de imediato tais crimes como este, a maldade do gênero humano seria refreada. O mundo seria melhor se Deus fulminasse imediatamente tiranos, assassinos, pedófilos, políticos corruptos, serial killers e canalhas em geral. Para tais pessoas, os métodos de Deus o tornam promotor da impunidade.

Veja quanta confusão causada pelos conceitos que as pessoas atribuem a Deus ou pensam em atribuir a Ele!

Que dilema!

Porém Deus transcende facilmente este dilema, mostrando-o falso.

A Bíblia deixa clara a ira de Deus contra o pecado, e garante que este não ficará impune – uma severa advertência àqueles que desdenham da idéia de uma prestação de contas perante o Criador. Mas ao mesmo tempo, o amor de Deus submete seu juízo ao tempo, a fim de conceder oportunidade de arrependimento aos homens – logo, aqueles que exigem um Deus mais funcional e imediatista deveriam lembrar-se de que se Deus assim agisse, eles também estariam excluídos de Sua presença, já que, segundo os padrões de justiça de Deus, todos somos pecadores dignos de sua ira.

Nem apático, nem imediatista: a Bíblia apresenta Deus como misericordioso.

E, sendo desta forma, realmente Deus não agirá de imediato para refrear a maldade dos homens, a fim de lhes conceder oportunidade de arrependimento, ao mesmo tempo em que garante que, no final, sua justiça não deixará impunes os impenitentes.

E sabem de uma coisa? Este é o único Deus que eu quero.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

POCKET GOD


Hoje, graças a um parente que mora no exterior, fui apresentado ao iPod Touch.

Admirado e, ao mesmo tempo, imaginando como deveria ser o iPhone (!), consegui entender na prática porque a tecnologia da Apple se tornou uma febre mundial (não no Brasil, infelizmente, graças aos impostos brasileiros que acabam impondo a estes produtos um preço final altíssimo).

Conferindo a infinidade de aplicativos que mostram que o Ipod é muito mais que um MP3 player comum (GPS, calendário, Wi-Fi, etc.) pude verificar como o aparelhinho é potente para rodar games com alta qualidade gráfica. Como o aparelho é totalmente touch-screen, joga-se deslizando os dedos na tela para executar os comandos, o que torna a experiência bem interessante.

Um joguinho, porém, chamou minha atenção.

Seu nome era Pocket God (literalmente, “Deus de bolso”).

A idéia do jogo é a seguinte: você controla totalmente a vida dos nativos que vivem em uma ilha. Você decide quantos nascimentos e quantas mortes haverão. Sol e chuva se alternam de acordo com sua vontade. O mar pode ter peixes ou tubarões. Você decide se os nativos terão um dia agradável ou se serão atingidos por um raio ou ainda se o vulcão da ilha entrará em atividade, provocando um incêndio.

O aplicativo me deixou perplexo e pensativo.

Fiquei pensando na intenção de quem bolou o game. Que mensagem ele (ou a equipe) quis passar?

1) Teria ele transmitido seu conceito particular sobre Deus (neste caso, considerando-O um ser sádico e insensível à humanidade – o que o caracterizaria como um ateu revoltado)?

2) Ou teria fantasiado acerca do que aconteceria se os seres humanos tomassem o lugar de Deus (o que conferiria um caráter mais filosófico ao jogo)?

Se a opção 1 for verdadeira, mostra o quão impregnada na cultura popular está a questão da teodicéia (conciliar a fé na bondade de Deus com o mal existente no universo), mostrando à Igreja a necessidade de apresentar a visão bíblica do problema do mal e do sofrimento e a solução que Deus provê para o mesmo, mediante o Evangelho. Ou seja, a Igreja precisa mostrar ao mundo que o dilema do mal é um problema que possui solução como parte de seu trabalho evangelizador.

Quanto à opção 2, vale a pena o questionamento: se alguém tivesse os poderes de Deus, iria usá-los com que finalidade? Para abençoar ou sacanear ou outros? Enquanto escrevo estas linhas estou assistindo O Todo Poderoso, com Jim Carrey, e tendo uma boa idéia do que aconteceria!

Dizem que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Neste caso, a questão 2 me dá mais motivos para amar e confia em Deus, pois somente Ele pode exercer poder ilimitado aliado a um caráter santo.
Mesmo as situações mais simples são desafios e oportunidades para reflexão e comunicação da fé, exigindo olhos treinados para não se iludir com a aparente simplicidade daquilo que temos sob vista - por trás de tal simplicidade pode estar um profundo clamor.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DE QUÊ VOCÊ PRECISA PARA CRER EM DEUS?


O filósofo Sam Harris, citado na edição de outubro da revista Galileu, sugere que 1 bilhão de cristãos se unam em oração em prol de uma única pessoa amputada, pedindo a Deus que faça crescer novamente o membro perdido.

Harris considera pífia a possibilidade de que este milagre ocorra.

De acordo com sua lógica, esta é uma prova cabal de que crer em Deus é tolice.

Afinal, se um Deus que, teoricamente, é todo-poderoso e todo-bondoso, ignora voluntariamente a súplica fervorosa de 1 bilhão de fiéis, traz motivos para duvidar ou de sua bondade ou de sua existência.

Argumento impressionante, não?

Não para Jesus.

Jesus teve de lidar com este argumento e não se curvou à sua lógica.

Em todas ocasiões em que foi desafiado a realizar milagres para provar algo sobre Si, respondeu com o silêncio (Mateus 12.38-42; lucas 23.8-9), ao passo que curou pessoas que mal sabiam Seu nome.

Deus não age sob pressão.

Pediram uma demonstração espetacular para Jesus enquanto ele estava na cruz (Mateus 27.41-42).

Prometeram-lhe "conversão em massa", caso Ele os atendesse.

"Desça da cruz e creremos"!


Nada.

Jesus não desceu da cruz.

Ele não desceu porque a cruz é a resposta de Jesus para todos aqueles que buscam a Deus (Romanos 5.8).

Quem não encontrar na cruz de Jesus razões suficientes para crer em Deus não as encontrará de nenhuma outra forma!


Agora a proposta de uma pergunta diferente para Sam Harris:

Será que 1 bilhão de ateus reunidos poderiam fazer o bem que Jesus me proporcionou?

Estou certo que não.

***


PS: Harris parece abertamente ignorar diversos relatos historicos de curas divinas documentados pela Igreja, mas ainda assim podemos lhe dar uma colher de chá e perguntar honestamente:


Por que não temos relatos de curas de amputados?


Não sei!


Deus o sabe!


Mas pela cruz posso saber de um futuro em que toda mutilação, do corpo e do coração, será curada.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

UM DOS MAIS IMPORTANTES DESAFIOS DA VIDA CRISTÃ


Boa parte das pessoas que rejeitam o Evangelho ou se afastam dele apresentam como motivo decepções causadas por algum cristão.

(Pessoas que estudam História e Ciências Humanas em geral apresentam a mesma resistência, chocados com os erros cometidos pela cristandade do passado e do presente).

Suas decepções com a igreja as levaram a se afastar de Deus.

Nada é tão prioritário para quem quer caminhar com Deus do que não confundi-Lo com a Igreja.

Aprender a diferenciar Deus do homem é fundamental para conhecê-Lo realmente – e não culpá-Lo indevidamente.

Deus NÃO É um inquisidor medieval.

Deus NÃO É sustentador do status quo.

Deus NÃO É promotor de alienação religiosa, política e cultural.

Deus NÃO É a favor da “guerra santa”.

Deus NÃO É o político que faz do nome de Jesus plataforma política.

Deus NÃO É o pastor pilantra que desvia dinheiro dos fiéis.

Deus NÃO É o profeta que te entregou uma profecia falsa que te iludiu (e, posteriormente, te desiludiu).

Deus NÃO É o cristão que te mostrou as costas quando deveria ter te oferecido o ombro.

Deus NÃO É o homem, em toda sua somatória de limitações.

Deus NÃO É TAMBÉM o cristão, em toda sua somatória de limitações!

Esta questão é tão séria e tão vital que posso afirmar, sem hesitação, que o homem ou a mulher que, na caminhada da fé, já superaram o teste de não confundir Deus com o homem, conseguiram dar um dos passos mais importantes rumo à MATURIDADE.

domingo, 5 de julho de 2009

SÚPLICA CEARENSE



Oh! Deus, perdoe este pobre coitado


Que de joelhos rezou um bocado


Pedindo pra chuva cair sem parar





Oh! Deus, será que o Senhor se zangou


E só por isso o sol se arretirou


Fazendo cair toda chuva que há





Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho


Pedi pra chover, mas chover de mansinho


Pra ver se nascia uma planta no chão





Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,


Eu acho que a culpa foi


Desse pobre que nem sabe fazer oração





Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água


E ter-lhe pedido cheinho de mágoa


Pro sol inclemente se arretirar





Desculpe eu pedi a toda hora pra chegar o inverno


Desculpe eu pedir para acabar com o inferno


Que sempre queimou o meu Ceará

Esta canção, composta por “Gordurinha“ e Nelinho e interpretada por Luiz Gonzaga aborda o drama do nordestino flagelado pela seca. Mais que isso, porém, a música apresenta diversos conceitos sobre Deus (especialmente no que diz respeito á relação entre Deus e o sofrimento) que merecem nossa análise:

1. Deus é apresentado como um ser distante e que não se relaciona com os fatos desta vida, sendo para ele um incômodo ter de fazê-lo (por isso o autor diversas pede perdão por fazer-lhe uma petição) - ou, quando o faz, sempre age de maneira punitiva (Oh! Deus, será que o Senhor se zangou/E só por isso o sol se arretirou).

2. Não existe qualquer elemento de pessoalidade ou intimidade na maneira de buscar a Deus. O autor sequer manifesta a esperança de que seja atendido. A Súplica Cearense mais parece um pedido de aumento de salário a um patrão egoísta do que a apresentação de uma necessidade a um pai amoroso.

3. A causa da súplica não-atendida é sempre devido à inadequação do homem às exigências caprichosas de Deus, por não saber buscá-lo com a devida cerimônia ou por não dispor dos conhecimentos necessários para fazer da religiosidade um meio de extorsão para relacionar-se com Deus (Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe/Eu acho que a culpa foi/Desse pobre que nem sabe fazer oração).

O sofrimento histórico do povo nordestino com a seca não deve ser subestimado nem minimizado.

É mais difícil, porém, superar o sofrimento quando temos um conceito errado sobre Deus. Aliás, isto de torna um sofrimento adicional – pois somente a verdade sobre Deus possui caráter libertador.

A Bíblia apresenta um Deus amoroso, misericordioso e compassivo, que se interessa pelos dramas da humanidade. Um Deus que acolhe as súplicas de quem O busca, a ponto de o autor aos Hebreus exortar: Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno (Hebreus 4.16).

Um Deus realista, que reconhece que este mundo não corresponde ao ideal de Sua mente, mas que em Cristo Jesus, já está operando a construção de um mundo novo: esta presente realidade (com todas suas mazelas, que sempre vale a pena lembrar, não fizeram parte da intenção original de Deus, mas são conseqüências da queda da espécie humana) não é a palavra final de Deus à História. E o caráter transitório desta era, dado como certo diante da promessa trazida pelo Evangelho, de novos céus e nova terra, é Sua resposta a todo aquele que “geme” diante das agruras da atual realidade (Romanos 8.19-23), constituindo-se em um convite à marcha, à peregrinação corajosa, dentro desta história, rumo ao futuro prometido por Deus.
Qualquer bênção ou livramento experimentados nesta realidade não são comparáveis à futura consumação plena da promessa de restauração de Deus, nem podem ser a base de nossa fé.
A promessa e revelação de Deus em Cristo é a resposta à Súplica Cearense.
O filósofo judeu Emmanuel Lévinas (1906-1995) perguntava-se, após os horrores da 2.ª Guerra Mundial: como falar de Deus depois do horror de Auschwitz?
O teólogo alemão Jürgen Moltmann (1926) apresenta um outro ponto de vista totalmente diferente: como não falar de Deus após Auschwitz?

sexta-feira, 13 de março de 2009

ILHA DAS FLORES



Rever o documentário “ilha das Flores” em uma recente aula de Sociologia foi muito bom. À primeira vista, pode parecer que parece que estarei comentando assunto antigo neste post: afinal, o curta-metragem de Jorge Furtado foi realizado em 1989. Todavia, relevância não é um atributo apenas daquilo que é recente.



Ilha das Flores narra a “saga” de um tomate (isso mesmo!) que passa por diversas etapas desde seu cultivo, venda, revenda e descarte, quando chega ao lixão conhecido como “Ilha das Flores”, onde seres humanos têm permissão para ali procurarem alimento para sua sobrevivência – depois de o dono do aterro ter selecionado a lavagem dos porcos.



A fotografia, montagem e narração do filme são brilhantes, apresentando importantes conceitos políticos, econômicos, históricos e sociais, como a questão do trabalho e produção de cultura e riqueza, a produção de capital e lucro, as relações sociais predatórias que geram desigualdade e injustiça social.



Todavia, o filme apresenta também um conceito religioso.



Durante a abertura do filme, antes de qualquer imagem, escrito com letras garrafais aparece a frase: “DEUS NÃO EXISTE”.



Vejamos:



Segundo a filosofia, existem dois tipos de juízo: a priori (antes do exame de um objeto, fato ou conceito, ou seja, um raciocínio dedutivo) e a posteriori (após o exame dos mesmos, onde a conclusão é construída de maneira indutiva).



Nunca pude conversar com Jorge Furtado, mas talvez os meses de experiência em um ambiente degradante, onde seres humanos estão abaixo de porcos na cadeia alimentar tenham inspirado-o a uma expressão tão cética e indignada.



Todavia, ao colocar a frase no início do filme, o diretor a transforma em um pressuposto para a interpretação de todos os fatos subseqüentes: ou seja, o espectador é predisposto antes da projeção do filme a realizar um juízo apriorístico, considerando Deus e Ilha das Flores como realidades excludentes entre si.



“Se Deus existe, não existiria um lugar como Ilha das Flores”.



“Ilha das Flores existe. Logo, ou Deus não existe ou, se Ele existe, Ele não é bom – portanto, indigno de minha confiança”.



Ora, já foi dito que a fé é uma fuga, uma espécie de escapismo que as pessoas utilizam para negar os problemas da realidade.



Todavia, não foi Deus quem produziu um lugar como Ilha das Flores: foram os homens! Esta é uma realidade que o documentário, ironicamente, mostra de forma bem clara!



Negar a responsabilidade humana pela construção de sua realidade perversa e lançar a culpa sobre Deus – não seria este o verdadeiro escapismo? A verdadeira alienação? Comentei sobre isto em “Jesus e os descaminhos da história”.



Ilha das Flores não nega a realidade de Deus. Antes, confirma a realidade da queda e do pecado do homem, bem como sua necessidade de redenção..

Embora tenha feito esta ressalva, convido você a assistir este documentário. Como eu disse, é um filme brilhante. Assista. E mobilize-se.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

JESUS E OS DESCAMINHOS DA HISTÓRIA


“Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. (Mateus 19.3-6)

O texto acima narra mais um debate entre Jesus e os fariseus, que constituíam-se na elite religiosa de seu tempo. O debate inicia-se com a dúvida acerca da legitimidade do divórcio. A resposta de Jesus põe em xeque todas construções históricas da humanidade que distorcem a dinâmica dos relacionamentos, de sorte que sua resposta é uma denúncia e um juízo.

O divórcio, a poligamia, o concubinato e toda forma de leviandade e desumanização dos relacionamentos são frutos da "dureza do coração" humano. Algumas foram toleradas historicamente por Deus à medida que Seus planos iam sendo revelados à humanidade (como a poligamia), mas jamais corresponderam a seu ideal para os seres humanos - portanto, Jesus não utiliza o mundo atual, construído historicamente pela humanidade, como fundamento para discorrer sobre a justiça de Deus: o paradigma do Criador é encontrado "no princípio".

Todos os descaminhos que constituem esta realidade são construção nossa: Deus concedeu um paraíso à humanidade, e esta o transformou em um inferno.

Não havia dificuldades de relacionamentos no mundo que Deus criou; logo, não havia divórcio no mundo que Deus criou.

Não havia dor no mundo que Deus criou.
Não havia crime no mundo que Deus criou.
Não havia guerra no mundo que Deus criou.
Não havia injustiça social no mundo que Deus criou.
Não havia fome no mundo que Deus criou.
Não havia poluição no mundo que Deus criou.
Não havia stress no mundo que Deus criou.
Não havia carências no mundo que Deus criou.
Não havia morte no mundo que Deus criou.
Não havia infelicidade no mundo que Deus criou.
O mundo que o homem criou - este, sim, contém todas estas coisas.
Como Jesus tratava os mal-feitos da história humana? Denunciava-os, afirmando o paradigma do Pai, que "no princípio" não idealizara tal estado de coisas. Sua mensagem consistia em um chamado duplo: o chamado ao reconhecimento responsável pelo fracasso da história humana construída longe do Criador, e o convite à entrada no Reino de Deus, que traz a promessa de renovação de todas as coisas, como "no princípio". O Apocalipse revela a recuperação do que o homem perdeu no Gênesis.
E você, como lida com os descaminhos da história e da realidade? Culpa a Deus pela história por nós construída? Atribui a Deus os crimes dos homens? Ou já discerniu a si mesmo e à nossa realidade, entendendo o significado e urgência da mensagem dupla de Jesus, que apresentou a este mundo o padrão do mundo conforme Deus planejou e que, mediante o Evangelho, o instaurará?