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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PENSE NISTO: UMA PALAVRA DE EDNILSON CORREIA DE ABREU

PASTOR , NÃO MORRA.

"Há poucas horas acabei de ler no blog.pastors.com (31/10/2011) produzido pela Sadleback Church que o pastor chamado Kim Hall, que serviu por 20 anos como pastor da Hunter’s Glen Baptist Church , Plano, Texas (EUA), cometeu suicídio.
 
Por que algo assim tão terrível acontece com um pastor?

Muitas conjecturas podem ser feitas, mas as certezas finais sobre tudo só o Senhor o sabe de fato.


Com o coração tocado por esta notícia quero lembrar aqui algumas verdades simples e já conhecidas sobre e para nós pastores.

 
1- Cada pastor é um ser humano, com todas as carências e dificuldades inerentes a natureza caída que todos temos. Esquecer isso é fatal.
 
2- As exigências ministeriais são sempre maiores do que o pastor, como ser humano pode de fato suprir, por isso temos que, como pastores, ser realistas em nossas limitações e ensinar o povo que é assim e nunca será diferente, nunca alcançaremos todas as expectativas, e tentar faze-lo nos conduzirá à doenças e a morte e isso não é plano de Deus.
 
3- Cada pastor, como ser humano precisa viver totalmente na graça, pois na atmosfera de graça podemos respirar um ar renovado para restaurar a alma e seguir adiante.
 
4- Cada igreja deve olhar para o seu pastor como um ser que precisa ser amado, respeitado e reconhecido como mais um ser humano dentro de uma congregação de seres humanos e não de fazedores religiosos humanos. Nós pastores temos de ensinar isso à igreja.
 
5-Não se isole nunca pastor, ache um amigo ou amigos verdadeiros, não competidores por numeros ministeriais ou hipócritas institucionais, ache um outro pastor que se vê como um humano pastor e não como uma máquina eclesiástica.
 
6-Pastor busque uma proximidade vital com Jesus, ame a Jesus, se deleite nele, receba o amor dele, chore, quebrante-se e alegre-se diante dele. Ele nos ama é deseja ter uma real comunhão com cada um de nós.

Concluindo, amados colegas pastores, não se superestime, não carregue fados que não podem e nem deve ser carregados, não assumam o papel de pseudo mártir e nem de Deus.

 
Sejamos apena servos, co-pastores de Jesus, mantendo as “artérias emocionais” desobstruídas, livres e desentupidas da amargura, do rancor, do ódio, da frustração, de pecados ocultos e de outros venenos afins.
 
Lute por aquilo que de fato vale à pena lutar, priorize seu relacionamento com Deus e sua família.
 
Quanto mais sadios formos nós, naturalmente inspiraremos a igreja, não permita que membros doentes adoeçam você. E nunca se esqueça que nada é maior do que a graça que o Pai, em Cristo, no agir do Santo Espírito já derramou sobre a sua vida.
 
Amado pastor, não se mate, mas viva".

Ednilson Correia de Abreu
Pastor da PIB em João Neiva - ES
www.gracaparahoje.com

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

UMA LEITURA TEOLÓGICA DE "SETE VIDAS"


O novo filme de Will Smith o apresenta no papel de um homem torturado por um erro terrível cometido no passado e que, não conseguindo conviver com a culpa, resolve suicidar-se, procurando, antes disso conferir ao seu ato um significado maior, salvando, através dele, sete vidas.


A trama é bem conduzida, com boas atuações dos atores, mantendo durante todo o filme o suspense sobre o personagem, cujas motivações são reveladas apenas no final da história.


Causou-me profundo impacto a urgente realidade apontada pelo personagem de Will Smith: as muitas pessoas que, como o personagem da ficção, não conseguem conviver com o tormento interior da culpa. A existência sob o peso de uma consciência culposa é um fardo, privando o ser humano de paz - com Deus, consigo mesmo e com os outros, pela leitura moralmente negativa que o indivíduo possui de si mesmo. O agravante encontra-se no fato que, no esforço desesperado para reparar os equívocos cometidos na vida é possível trilhar um caminho que conduz à autodestruição.

Após assistir este filme, compreendi a palavra do autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 9 e versículo 14 como uma bem-aventurança, por apresentar um dos benefícios da obra perdoadora de Jesus Cristo a nosso favor como purificação da consciência (... quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?). Desta forma, somos libertos do fardo de tentar confiar em nossa capacidade própria para satisfazermos Seu padrão de justiça (o que é sempre um esforço vão, por isso classificado como "obras mortas"), da auto-avaliação destrutiva e do temor da rejeição divina. Paulo expressa o mesmo conceito com outras palavras, afirmando que nenhum poder no universo pode condenar aqueles a quem Deus perdoou - nem o próprio indivíduo (Rm 8.33-34).


A enorme conscienciosidade e senso de responsabilidade pessoal de Ben (o personagem de Will Smith), com seu conseqüente desejo de reparação não são populares em uma sociedade como a nossa, onde crianças são assassinadas com frieza e a negação do conceito de culpa promove a cauterização da consciência. Todavia, a chave para lidar com a culpa (e os erros que estão por trás dela) não consiste no auto-perdão indulgente e irresponsável, nem tampouco na paralisia da vida em submissão ao remorso, mas em comparecer integralmente (com toda sua bagagem de vida: com seus erros, acertos, frustrações, sentimentos e conceitos) à presença do Deus compassivo, cujo amor perdoador é demonstrado de forma clara na morte de Jesus Cristo, que se entregou por nossos pecados para possibilitar a redenção de nossa história (inclusive dos erros que trazem tortura interior para as pessoas; todos inclusos no perdão conquistado na cruz).


Através da graça de Deus, sempre é possível encontrar uma nova chance para um recomeço, cheio de perspectivas para o futuro.