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segunda-feira, 12 de março de 2018

A IGREJA NÃO PODE VIRAR WAKANDA



Se você ainda não assistiu Pantera Negra, aconselho você retornar a este texto após ver o novo filme da Marvel Studios, sucesso de crítica e público, a fim de evitar possíveis spoilers. 

T'Challa é um super-herói incomum: antes de ser um guerreiro, é o rei de Wakanda, país africano fictício do universo Marvel, reserva mundial de Vibranium, metal fictício precioso e poderoso, que possibilitou o desenvolvimento tecnológico e social sem par desta nação e que por isso mesmo vive isolada de outras nações, preservando seu estilo de vida em sigilo. 

O Pantera Negra incorpora as funções de estadista, guerreiro e representante das crenças ancestrais de seu povo, o que o faz dele um personagem muito interessante, testemunho da genialidade de seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby e de como desde o início da formação de seu universo de super-heróis a Marvel soube trabalhar bem questões sociais e de representatividade.

O filme apresenta a coroação de T'Challa (seu pai, o antigo rei, fora assassinado em Capitão América: Guerra Civil) e o enfrentamento de um antagonista que pretende assumir o trono, Killmonger.

Uma fraqueza comumente apontada  nos filmes da Marvel é a superficialidade de seus vilões. Para boa parte da crítica e do público, Killmonger se torna uma exceção, pois seu argumento para enfrentar o herói é plausível: Wakanda se isolou do restante do mundo em sua riqueza e ignorou o sofrimento histórico da população negra. Wakanda era culpada de omissão e reformas eram necessárias. Infelizmente, Killmonger busca implementar sua visão através de crimes de ódio, o que torna sua reprovável sua conduta. O Pantera Negra vence seu antagonista e implementa uma política de cooperação internacional.

Não posso deixar de fazer uma comparação entre Wakanda e muitas igrejas de nossos dias: possuem a riqueza do Evangelho, mas estão fechadas em si mesmas, alheias a todo sofrimento e necessidade a seu redor. Tal tipo de omissão é imoral, assim como a da fictícia Wakanda.

Não temos vibranium, mas aquilo que temos, somos chamados a dar (At 3.6), diminuindo, em nome de Jesus, a dor de quem nos cerca. 

O Evangelho para sempre!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

SIGO A JESUS, E NÃO DOUTRINAS



A declaração “Sigo a Jesus, e não doutrinas” tem se tornado cada vez mais popular no meio evangélico dentro e fora do Brasil. “Cristianismo é relacionamento com Cristo, e não com um conjunto de doutrinas”, reforçam seus defensores.

Não podemos negar que o cristianismo envolve uma experiência pessoal de relacionamento com Cristo: Ele mesmo se compara à videira verdadeira que traz vida a seus discípulos, que são como varas ligadas a Ele. Paulo fala de si mesmo como um homem em Cristo.

Todavia, embora o slogan “Sigo a Jesus, e não doutrinas” pareça propor o devido resgate da dinâmica místico-relacional do cristianismo, esta ideia representa um risco nocivo para a Igreja: uma proposta de espiritualidade cristã esvaziada de seu conteúdo doutrinário! 

Pois que fundamento existe em opor a pessoa de Cristo ao ensino de Cristo? 

Não é possível ter um relacionamento com Cristo sem levar em consideração o que Cristo ensinou!

Nosso objetivo neste é demonstrar a falta de fundamentação bíblica desta reinterpretação contemporânea e cada vez mais popular da fé cristã, alertando à Igreja quanto a seu perigo.

1. O QUE SÃO DOUTRINAS?
Doutrina (gr. didaskalia) significa ensinamento. A expressão "doutrina cristã" significa que os seguidores de Cristo possuem um conjunto de ensinamentos que lhes foi transmitido e que se comprometem a observá-los, como expressão de sua fé.

O slogan “Sigo a Jesus, e não doutrinas” parece sugerir que Jesus não transmitiu ensinamentos a seus discípulos!

Existem duas espécies de doutrinas: as que ensinam os conteúdos da fé (em quê os cristãos crêem) e as que ensinam a vivência da fé (como os cristãos devem viver). O cristianismo se preocupa tanto com a ortodoxia (crença correta) quanto com a ortopraxia (prática correta). 

Veja dois exemplos:
  • "Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem." (1Co 15.20 - ensino da ortodoxia)
  • "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor." (1Co 15.58 - ensino da ortopraxia)

As doutrinas também podem ser divididas entre si em mais dois grupos:

  • Doutrinas fundamentais da fé cristã: pontos essenciais da mensagem cristã, claramente explicitados pelo ensino das Escrituras, cuja negação consiste em rompimento com a fé cristã ortodoxa. Exemplos:
    • A inspiração e autoridade divina das Escrituras do Antigo e do Novo Testamento;
    • A Trindade;
    • A realidade do pecado e a necessidade de redenção do homem;
    • A encarnação, morte salvadora e ressurreição de Jesus Cristo;
    • A salvação pela graça mediante a fé;
    • A Segunda Vinda de Cristo;
    • A ressurreição;
    • A vida eterna e o juízo eterno.
  • Doutrinas secundárias da fé cristã: pontos da mensagem cristã que não são abordados de maneira direta no ensino das Escrituras, dando margem a interpretações variadas, sendo assim considerados não-essenciais. Negar uma determinada interpretação de uma doutrina secundária não constitui rompimento com a fé cristã ortodoxa, mas rompimento com uma determinada linha teológica. Exemplos:
    • Formas diferentes de ministrar o batismo: aspersão, imersão, ablução;
    • Formas diferentes de compreender a constituição do homem: corpo + alma, corpo + espírito, corpo + alma + espírito;
    • Diferentes formas de compreender a ordem dos eventos finais.


Existem questões também que a Bíblia não fala de forma direta, havendo margem para debate e contextualização (questões de ordem litúrgica, por exemplo).

2. POR QUE ALGUNS SE OPÕEM A DOUTRINAS?

  • Questões culturais: a mentalidade pós-moderna é avessa à ideia de definir, preferindo relativizar a verdade;
  • Questões pessoais: pessoas que sofreram processo de doutrinação traumático, por parte de obreiros que não manejaram corretamente a Palavra de Deus (2Tm 2.15);
  • Questões teológicas: aqueles que creem, de fato, que o aspecto doutrinário do cristianismo é inexistente ou secundário.
3. AFINAL, DOUTRINAS SÃO IMPORTANTES? 

SIM!!

a. A fé está fundamentada na doutrina (1Co 15.3-11; Cl 1.23)
b. A ética depende da doutrina (Sl 119.1)
c. A igreja é chamada a preservar a doutrina (1Tm 3.15; 2Tm 2.2; Jd 3)
d. Não é possível evangelizar sem doutrina (Mt 28.18-20)

Você consegue imaginar as consequências de um "Cristianismo sem doutrina"?

Deus nos livre!

domingo, 10 de agosto de 2014

OLHAR PARA O TEMPLO OU OLHAR PARA A CRUZ?


"E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo"... (Mateus 27.50-51a)


Ao morrer na cruz, o Senhor Jesus completou a obra da redenção (Mc 10.45; Jo 19.30), trazendo consigo uma nova era de salvação para a humanidade.


O raiar desta nova era acarretou a obsolescência da antiga, que agora encontra seu cumprimento na cruz, o que é demonstrado com o rasgar do véu rasgado após a morte vicária de Cristo: o caminho para Deus estava aberto; não através da antiga liturgia da promessa, mas através da esperança cumprida na cruz.

Deus dera um passo adiante em Seu plano redentor na história, convidando a humanidade a acertar o passo com Ele, olhando para a cruz.


Acabava a era do templo; chegava o tempo de olhar para a cruz e descobrir que Deus faria de homens os Seus templos (Jo 14,23; 1Co 6.19).



Acabava a era de evocar a memória de Salomão; chegava o tempo de olhar para a cruz e contemplar Aquele que é maior que Salomão (Mt 12.42).

Acabava a era dos sacerdotes e do sumo-sacerdote; chegava o tempo de olhar para a cruz e descobrir que o Grande Sumo Sacerdote universalizaria o sacerdócio (Hb 4.14; 7.28; 1Pe 2.9).

Acabava a era dos levitas; chegava o tempo de olhar para a cruz e descobrir que todos os fiéis receberiam dons e seriam capacitados para o serviço (Ef 4.7-8).

Acabava a era da antiga liturgia; chegava o tempo de olhar para a cruz e contemplar o sentido e cumprimento dos antigos ritos, junto com a chegada da nova liturgia, em espírito e em verdade (Cl 2.16-17; Jo 4.20-23).

Acabava a era do local geográfico da adoração; chegava o tempo de olhar para a cruz e compreender que o Crucificado estaria entre dois ou três que invocassem Seu nome, em qualquer parte da Terra (Mt 18.20; Jo 4.20-23).

Acabava a era da adoração mediada por homens; chegava o tempo de olhar para a cruz e através dela relacionar-se diretamente com Deus (1Tm 2.5).

Acabava a era da antiga teocracia; chegava o tempo de olhar para a cruz e ver a realização do plano de Deus através de todas as etnias, desvinculado a qualquer estrutura de Estado (Gl 2.28).

Acabava a era dos sacrifícios, chegava o tempo olhar para a cruz e nela ver o verdadeiro sumo-sacerdote, o verdadeiro sacrifício, o verdadeiro Cordeiro e, assim, ter os pecados removidos (Jo 1.29; Hb 7.20-28). 

Acabava a era da Arca da Aliança (que já havia se perdido há muito); chegava o tempo olhar para a cruz e a ver nela a perfeita propiciação, onde Deus Se reconcilia com os homens (1Co 5.18-21; 1Jo 2.1-2).

Acabava a era da atuação restrita do Espírito Santo; chegava o tempo olhar para a cruz e receber o dom ilimitado do Espírito Santo (At 2.38-39; Ef 1.13).

Acabava a era da Antiga Aliança, chegava o tempo de olhar para a cruz e ver a Nova Aliança.

E você, está olhando para a cruz ou olhando para o templo?

terça-feira, 21 de maio de 2013

NÃO GOSTO DE CARICATURAS (DO EVANGELHO)

Sou desenhista e gosto de caricaturas.


Admiro o traçado hábil e inteligente de um caricaturista.

Porém não gosto de caricaturas do Evangelho.

Não gosto de caricaturas do Evangelho porque caricaturas são, por natureza, divertidas, e não consigo achar a menor graça com o que estão fazendo com o Evangelho.

Não gosto de caricaturas do Evangelho porque há uma diferença entre caricatura (representação fantasiosa); e retrato (representação fiel). A Igreja é chamada para dar testemunho de Cristo, ou seja, representá-lo e apresentá-lo fielmente ao mundo. Um evangelho caricato dá testemunho da infidelidade da Igreja.

Não gosto de caricaturas do Evangelho porque uma caricatura não consegue dar a real ideia de como é alguém. Por isso muita gente que se diz avessa a Cristo não o é, de fato: nunca foram apresentadas a Ele - apenas à sua caricatura... e mal conseguem imaginar como Ele é de fato.

Não gosto de caricaturas do Evangelho porque o método para a produção de uma caricatura é a distorção e o exagero, mas o Evangelho possui equilíbrio e perfeição.

Não gosto de caricaturas do Evangelho porque um evangelho caricato é assunto sério que virou piada. É o desgraçamento da graça.

Enfim, não gosto de caricaturas do Evangelho principalmente por constatar que as caricaturas do Evangelho geram pessoas deformadas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

REAVALIANDO O SIMPLISMO EVANGÉLICO

O discurso evangélico é simplista. Enfatiza que somente (e apenas) Jesus é a solução para o problema humano. Sua tese, portanto, é a de que tudo que o homem necessita é receber Jesus Cristo.

Na verdade, este simplismo é verdadeiro e não há nada de errado com ele. Aliás, é bom quando o discurso evangélico consegue alcança tal grau de singeleza (2.ª aos Coríntios 11.3).

No século V Agostinho, definiu o mal como privação do bem. Sendo Deus o bem supremo, aproximar-se de Deus constitui-se na solução do problema ontológico e ético do ser humano, tanto individual quanto coletivamente.

Esta é a mensagem cristã: as pessoas precisam desesperadamente de Deus (ainda que não reconheçam) e Deus é acessível através de Cristo.

Simples, não?

Há uma crítica a ser feita, porém – não ao simplismo do discurso evangélico, mas à interpretação e aplicação simplista do discurso evangélico.

É absolutamente correto afirmar que receber a Jesus é a única e exclusiva solução do problema humano, MAS:

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é compreendido apenas como uma alteração de hábitos religiosos;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é desvinculado de sua dimensão ética;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus se torna um exercício de individualismo, não se prestando à formação do espírito de comunidade;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é compreendido apenas como uma garantia de bem-aventurança pós-morte, sem a realidade da bem-aventurança presente;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus não é compreendido como o caminho para a formação de um ser humano melhor, em todos os aspectos de sua vida;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus gera alienação ao invés de emancipação;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus é compreendido como subserviência àqueles que falam em nome dEle, ao invés de compromisso ardoroso com a realização da vontade de Deus;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus não gera gratidão e misericórdia para com o próximo, mas bravatas orgulhosas;

...o problema humano não é solucionado quando o ato de receber Jesus não traz novidade de vida.

A Igreja evangélica não deve ter vergonha do simplismo da mensagem que prega (isto é positivo!) - mas se faz necessário discernimento para esta mesma mensagem não seja deturpada em algo simplório.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CARTA ABERTA A UM LUTERO ANGUSTIADO


Tudo começou enquanto eu procurava uma figura para substituir o Spectreman (quem foi criança na década de 80, que entenda!) de minha área de trabalho.

Decidi procurar uma imagem relacionada à Reforma Protestante ou aos cinco Solas e me deparei com a charge acima.

Desconheço o autor da charge e o contexto de onde se originou. A leitura que eu faço da imagem me sugere um Lutero angustiado diante da fragmentação da Igreja em diferentes facções teológicas - e, ao meu ver, a angústia maior deste pensativo Lutero é que ele sente-se responsável pela confusão que está às suas costas.

Em parte até concordo que o Reformador de carne em osso teria compartilhariado, em certa medida, com os sentimentos que aparecem no desenho: Lutero pretendia reformar o catolicismo (já cindido desde o século XI), e não criar um novo segmento eclesiástico. Não creio, contudo, que ele teria chegado ao mesmo nível de desânimo representado na figura. 

Afinal, a grande questão que a charge levanta é: diante do quadro religioso que se desenvolveu nos últimos cinco séculos, valeu a pena a Reforma Protestante?

Respondo positivamente a esta pergunta - e gostaria de apresentar meu argumentos na forma de consolação, uma carta aberta a este Lutero angustiado.

"Caro irmão em Cristo:

Você se encontra angustiado, questionando o seu legado. Por favor, gostaria que você considerasse estas razões para você se reanimar e olhar de foema mais positiva o trabalho que fez em prol do Reino de Deus: 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque os riscos da liberdade sempre são preferíveis à falsa segurança da repressão.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque colocou a Bíblia nas mãos do povo - e mesmo que alguns façam mau uso dela, a culpa não é nem sua, e nem da Bíblia (além disso, se este argumento não te convencer, lembre-se que tem muita gente que ainda faz bom uso da Bíblia). 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque ainda que muita gente tenha se equivocado é sempre melhor alguém pensar e errar do que errar porque alguém pensou em seu lugar.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque alguns conceitos do cristianismo realmente possibilitam interpretações variadas  - e foi seu próprio discípulo, Melanchton, quem cunhou o lema máximo da Igreja para lidar com tais questões: 'Nas coisas necessárias, unidade; nas coisas incertas, liberdade; em todas as coisas, caridade'.

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque ainda que muitos, mesmo tendo a Bíblia em suas mãos, tenham se afastado da doutrina cristã ortodoxa (nem todas as falas que aparecem às suas costas se enquadram na regra de Melanchton e você sabe disso), assim o fizeram não por consequencia direta do espírito da Reforma, mas justamente por se afastarem do espírito da Reforma, que sempre enfatizava a centralidade de Cristo e das Escrituras. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque não foi a 'sua' reforma particular - o que ocorreu em 1517 foi a culminância de aspirações e sentimentos de várias gerações de cristãos que vieram antes de você e que também desejaram reaproximar a cristandade da Bíblia. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque além dos efeitos religiosos, ela foi também um movimento intelectual e econômico pujante, trazendo diversas contribuições à humanidade. 

Lutero, a Reforma Protestante valeu a pena apesar da cena às sua costas porque foi um movimento que conseguiu desburocratizar a fé, resgatando a simplicidade da mensagem cristã e reafirmando a dignidade de cada cristão com a Bíblia nas mãos, diante de Deus através de Cristo.

E meu caro Lutero, se nenhum destes argumentos te convencer, apresento um argumento tirado de meu tempo, do século XXI:

Nunca precisamos tanto de uma Reforma quanto hoje! A situação está feia, pior do que a cena que está às suas costas!

Espero que este último argumento, ao ressaltar a urgência do resgate de seu legado, demonstre de forma concomitante a importância mesmo, te convencendo de uma vez por todas a espantar o bode e se levantar dessa mesa.

Fraternalmente em Cristo, Vitor Gadelha".

sábado, 14 de julho de 2012

O VERSÍCULO MAIS TRISTE DA BÍBLIA


“Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6.3).

O que torna triste este versículo – que tem sido largamente utilizado como tema de canções e congressos pela igreja brasileira?

O que torna triste este versículo – que expressa um anelo nobre e que deve, sem sombra de dúvida, ser endossado: o de conhecer de forma crescente e contínua a Deus?

O que torna triste este versículo – escrito pelo profeta que exemplificou em sua vida pessoal a intensidade e fidelidade do relacionamento de amor Deus com Seu povo?

O que torna triste este versículo – que faz parte do rol dos chamados “versículos conhecidos” da Bíblia Sagrada (sem dúvida um status privilegiado para este texto, levando em consideração o atual índice de analfabetismo bíblico)?

O que torna tão triste este versículo é o seu contexto – ou, de forma mais precisa, o versículo seguinte:

“Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa beneficência é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa” (Oséias 6.4).

Deus não se enganou pelas belas palavras daqueles que, desde o versículo 1, falavam sobre conversão e restauração. Deus conhecia o coração deles.

Era fogo de palha – e, para Deus, fogo de palha é fogo estranho.

Oséias 6.3 é simplesmente o registro de uma grande fanfarronice de Israel.

Uma fanfarronice que dá testemunho da justiça do julgamento executado por Deus, conforme relata o versículo 5. E é triste ver que o Deus que julgou a dissimulação de Seu povo tinha como anseio justamente ser conhecido por ele (versículo 6), em um relacionamento ortodoxo e ortoprático – mas Seu povo teimosamente preferia se ater a uma religiosidade hipócrita, insensível e ritualística, sofrendo as consequências disto.

O que torna Oséias 6.3 o versículo mais triste da Bíblia é constatar que a nobre intenção do versículo, expressa em tão belas palavras, não foi cumprida.

Que possamos fazer melhor.

Deus não é o Capitão Nascimento, mas certamente já está farto de fanfarronice. Mesmo daquelas expressas com as palavras mais belas .

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

E POR FALAR NO DIA DO SEXO...


"Eis que és formosa, amiga minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças, o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade. Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas. Os teus lábios são como um fio de escarlata, e o teu falar é doce; a tua fronte é qual pedaço de romã entre {ou atrás do teu véu} as tuas tranças. O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de valorosos. Os teus dois peitos são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios" (Cântico dos Cânticos 4.1-5).


O prazer sempre foi um tema problemático para a cristandade, devido a um histórico milenar de zelo sem entendimento.

Um dos exemplos mais clássicos disto é a alegorização (metaforização “espiritualizada”) que os teólogos (judeus e cristãos) aplicavam ao Cântico dos Cânticos, devido à sua dificuldade de aceitar a presença de um texto bíblico que exaltava o amor sexual – logo, o livro não deveria ser entendido literalmente, mas como uma metáfora do amor entre Deus e Israel ou e/ntre Cristo e a Igreja.

Os teólogos foram engenhosos para elaborar argumentos que justificassem a rejeição do sentido óbvio do texto. A Bíblia de Estudo Defesa da Fé apresenta alguns exemplos destas “pérolas” que foram utilizadas no passado para interpretação de Ct 4.5:

“O Targum (a tradição e a explicação em aramaico do Antigo Testamento)correlacionou dois peitos com dois Messias, ou com Moisés e Arão. Historicamente, os intérpretes cristãos ofereceram uma variedade de explicações. Alguns afirmaram que os dois seios se referiam aos dois Testamentos, alimentando espiritualmente a Igreja. Outra perspectiva correlacionou os seios com os mandamentos de amar a Deus e de amar uns aos outros. Uma terceira interpretação acreditava que os seios representavam o monte Ebal e o monte Gerizim (Dt 27.11-13), ao norte de Jerusalém, de onde as tribos israelitas proclamavam as maldições ou sanções do concerto”.

Ridículo.

O que me chamou mais a atenção, porém, é que mesmo o comentarista contemporâneo (Sheri L. Klouda) temeu o conteúdo sexual do texto sagrado e ofereceu uma interpretação tangenciada:

“É improvável que a menção aos seios tivesse o propósito especial de sugerir o apelo sexual da esposa ao homem, ainda que em uma interpretação literal: eles foram listados aqui justamente com outras características da esposa que impressionam igualmente o poeta (4.1-7). Somente nos tempos modernos os seios das mulheres têm uma conotação ‘sugestiva’ na cultura ocidental. Nos tempos antigos e medievais, eles eram símbolos de sua função: fornecer alimento”.

Ah, tá.

Quero ver como sustentar uma interpretação destas diante de textos como Ct 7.1-8 (e o versículo 6 deixa claro que Salomão enfatiza o aspecto estético/sensual) ou Pv 5.18-20 (comprove por você mesmo, leitor!).

A Biblia não tem os grilos dos teólogos!

A doutrina cristã compreende o amor sexual como uma dádiva generosa de Deus para o bem da espécie humana, a ser usufruído exclusivamente no matrimônio, de forma monogâmica: ou seja, dentro de uma aliança de amor e fidelidade, assumida diante de Deus e dos homens – que é a salvaguarda para evitar a “coisificação” do ser e da sexualidade. Por isso, a doutrina cristã repudia severamente a libertinagem (que, temo, seja o sentido da comemoração popular de 06 de setembro).

Todavia, é igualmente cristão e necessário afirmar, que a doutrina cristã repudia o recalque, mesmo que ele seja utilizado equivocada e amplamente por muitos cristãos como ferramenta para a promoção da santidade: sempre será uma ferramenta ineficaz.

Afinal, o recalque é incapaz tanto de promover a glória ao Criador de todas as coisas (inclusive do sexo) quanto a felicidade e consagração de Seus filhos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A “ESTADUNIZAÇÃO” DA FÉ

Em primeiro lugar, do título do artigo: me recuso a falar da “americanização” da fé porque a América somos nós – latinos e anglo-saxões e não apenas os ocupantes do país governado por Barak Obama.

Agora, quanto ao tema do artigo propriamente dito: temo que a compreensão e vivência da fé evangélica no Brasil esteja adquirindo algumas características (leia-se: vícios) do cristianismo norte-americano.

Em primeiro lugar, a visão política do segmento, estreitando-se em questões relacionadas ao aborto e à questão LGBSTT, tal como nossos vizinhos do hemisfério norte – não nego a importância do debate sério e cidadão sobre estes temas, mas preocupa-me o fato de que eles possam decidir eleições (uma tendência que os candidatos espertalhões vão saber aproveitar muito bem para angariar a simpatia do segmento) e de que a escolha de uma candidato possa ser feita tão somente com relação a seu posicionamento sobre estes temas, descartando a exigência idoneidade pessoal e da apresentação de um projeto político que abranja a promoção de cidadania e justiça social mais ampla e efetiva.

Em segundo lugar, preocupa-me a apologia do obscurantismo: os cristãos americanos são afoitos e obcecados com teorias de conspiração, mensagens subliminares, especulações escatológicas e coisas do gênero: ou seja, se promove a espiritualidade através da paranóia, através de um perigoso desprezo ao discernimento e uso do senso crítico como meio de crescimento espiritual.

E, finalmente, o crescimento do nominalismo evangélico também me preocupa e entristece: as estatísticas numéricas do evangelicalismo nos Estados Unidos são impressionantes – da mesma forma como o alardeado crescimento da Igreja brasileira: porém, de forma semelhante nos dois países, é alto o número sem compromisso com Deus e sem vida cristã, apesar de inscritas em um rol de igreja. O que explica este fenômeno? Arrisco dizer que este seja um subproduto da Teologia da prosperidade perversamente pregada em muitos recantos evangélicos do país, com uma metodologia de discipulado falha, formando consumidores e espectadores da fé – e não imitadores de Cristo.

Historicamente, somos consumidores, imitadores e admiradores de tudo o que vem do “primeiro mundo” – mas espero que, nos casos que citei agora, nosso povo não siga o exemplo do país de Tio Sam.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

666, O NÚMERO DA BESTA (Só que agora no outro sentido...)

E eu que pensava que depois de INRI Christi não veria nada pior... Aff!

Leia as "pérolas" escritas no panfleto da doce criatura abaixo as lágrimas, ou o vômito, ou ambos! 









É lamentavel que existam pessoas que levem um sujeito desses a sério e o sigam.

Mas, pensando bem, se o INRI Christi consegue, por que ele também não?

É a "democratização" do Reino das Trevas!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

MEU PROBLEMA COM AS RÁDIOS EVANGÉLICAS

Domingo, 07 de agosto, por volta das 17:00h.

Venho fazendo com o carro um trajeto curto, de não mais que 15 minutos, da igreja até minha casa.

Ligo o rádio, sintonizo em uma estação evangélica.

Entre gritos, frases de efeito e línguas estranhas, escuto um pregador vociferar para que as pessoas ofertassem e dizimassem.

Mudo a estação.

Na outra, uma senhora solicita ao pastor que faça uma “oração forte” por ela.

Desligo o rádio. Como disse, o trajeto era de cerca de 15 minutos e não agüentaria esta tortura por tanto tempo.

Mesmo dia, trajeto para o culto noturno.

Ligo o rádio e as primeiras palavras que escuto são “Banco Bradesco”.

Desligo o rádio antes de sair da garagem de casa e vou em silêncio para a Igreja e menciono em meu sermão meu desgosto com o teor da programação das rádios evangélicas.

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Preocupo-me com a imagem que as emissoras evangélicas têm promovido do Evangelho junto ao público, com sua programação recheada de Williams Colgates, crendices e incentivo à superstição e personalismo.

(Ou que imagem formada do Evangelho você acha que tinha a senhora que buscava uma “oração forte” do pastor?)

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Segunda-feira, por volta das 7:40 da manhã.

Por teimosia, novamente ligo o rádio do carro. E sou bombardeado com o número de uma conta corrente.

Mas desta vez não viajo em silêncio, mudo a função do aparelho e opto por viajar ouvindo os MP3 de meu pen-drive.

Ainda bem que desliguei a tempo de não ter de ouvir o locutor gritando “Êita, Deus!”

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Sei que não devo generalizar: não é toda programação gospel radiofônica que presta um desserviço ao Evangelho: reconheço que através das ondas de rádio, milhares de vidas são alcançadas, evangelizadas e edificadas.

Mas ou eu sou muito azarado que não consigo sintonizar tal programação de qualidade ou realmente ela é muito escassa!

PENSO QUE:

... se manter um programa evangélico no ar custa tão caro que o tempo da programação necessário para a evangelização deve ser utilizado na realização de pedidos constantes de ofertas...

... se a pregação radiofônica do Evangelho tem comprometido a essência do Evangelho, com doutrinas e atitudes estranhas...

... se o modelo de espiritualidade apresentado mais contribui para a alienação que para o discipulado...

... se um desserviço ao Evangelho tem sido prestado...

... está na hora de a Igreja repensar e reformatar urgentemente este ministério!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SOU FUNDAMENTALISTA? SIM E NÃO

Considero-me um cristão fundamentalista porque creio que o cristianismo possui princípios e crenças fundamentais, ou seja, cuja negação teria como conseqüência a adulteração do próprio cristianismo.

Como fundamentos da fé cristã posso mencionar a existência triúna (Pai, Filho e Espírito Santo) do Deus Onipotente, Onipresente, Onisciente e Onibenevolente, criador do universo e de toda a vida; Sua auto-revelação proposicional e histórica de através de Sua Palavra inspirada e inerrante; a pecaminosidade do gênero humano, fruto da Queda histórica dos progenitores da humanidade; a obra salvadora de Cristo (iniciada no tempo, consumada na eternidade), efetuada através da Encarnação (nascimento virginal), morte expiatória, ressurreição, ascensão, concessão do Espírito Santo aos que crêem, Ascenção e Segunda Vinda; a salvação pela graça mediante a fé; a realidade da Igreja como comunidade de pecadores redimidos em missão; a existência de seres espirituais hostis a Deus e à humanidade.

Historicamente, a expressão “fundamentalista” se deriva do início do século XX, onde teólogos da Igreja decidiram reafirmar os fundamentos da fé cristã em oposição ao avanço da teologia liberal/secularizada nas igrejas e seminários.

Em contrapartida, não me considero um cristão fundamentalista por não me identificar com o chamado movimento fundamentalista, desenvolvido posteriormente.

O movimento fundamentalista elenca algumas ênfases doutrinárias particulares (geralmente relacionadas a temas teológicos que permitem um leque de discussão/interpretação mais amplo) e as eleva ao mesmo nível dos fundamentos citados acima, recriminando os que não crêem da mesma forma.

Neste sentido, não sou fundamentalista por vários motivos:

Não sou fundamentalista porque discordo da teologia dispensacionalista.

Não sou fundamentalista porque creio na contemporaneidade de todos os dons espirituais.

Não sou fundamentalista porque não considero que a Bíblia Almeida na versão Revista e Corrigida Fiel (ou a Bíblia King James em inglês) seja a única tradução da Bíblia legítima.

Não sou fundamentalista porque consigo contemplar alguém entoando cânticos de louvor que firam meu gosto musical em particular e ainda assim considerá-lo meu irmão.

Não sou fundamentalista porque creio que, usando discernimento, posso aprender até com aqueles de quem discordo.

Não sou fundamentalista porque não creio que Deus se materializou em alguma ideologia política específica – de direita ou de esquerda.

Não sou fundamentalista porque discordo da práxis social desenvolvida pelas igrejas fundamentalistas (quando falo isto, penso na segregação produzida pelas igrejas dos Estados Unidos).
 
Não sou fundamentalista porque não creio que a verborragia raivosa dos manifestos fundamentalistas seja um instrumento eficaz de evangelização.
 
Não sou fundamentalista porque admito que não tenho todas as respostas a todos os mistérios da fé – sabendo que Deus, em sua sabedoria, optou por não nos revelar tudo, mas somente o que é fundamental. É com base nestes fundamentos que caminho na fé e discirno os membros da família de Cristo.
 
E, finalmente, não sou fundamentalista porque sei que não posso limitar o Corpo de Cristo à minha concepção particular do cristianismo – pois isto implicaria em considerar como irmão apenas aquele que é igual a mim.

terça-feira, 15 de março de 2011

SOBRE DANILO GENTILI E A FILHA PELADA DO PASTOR



Tem circulado na Internet uma entrevista onde Danilo Gentili comenta seu passado como membro da igreja evangélica.

Dentre as declarações, conta que desejou ser pastor, que chegou a pregar e que a primeira mulher nua que viu na vida foi a própria filha do pastor.

Para alguns (embora, o comediante em pessoa não tenha chegado a afirmar isto), o comportamento da moça foi um desabono à igreja evangélica.

E eu digo que não.

"A filha do pastor ficou nua diante de Danilo Gentili", afirmam.

E eu pergunto: "E daí"?

E, ao perguntar "e daí", não o faço por desdém, por banalizar o pecado ou como um incentivo ao erro (e quem me conhece pessoalmente sabe qual é minha postura e convicções), mas pelas seguintes razões:

1) A filha do pastor desnudou-se diante de Danilo Gentili - engraçado é que ninguém comenta nada das centenas de filhas de médicos, advogados,  empresários, políticos e outros que se desnudaram no Carnaval - o que soa para mim como um terrível caso de hipocrisia social.

2) Por que seria vedado à filha de um pastor a realidade de sua humanidade e fragilidade? Uma filha de pastor é imune a conflitos com sua sexualidade e feminilidade? Uma filha de pastor não pode cometer erros? Não peca? Note que usei a palavra "pecado" para definir o comportamento da moça, mas saber que estamos diante de um pecador é insuficiente se não compreendermos também,e acima de tudo, que estamos diate de alguém que precisa de ajuda.

3) É perigoso considerar que o comportamento da moça desabona a igreja evangélica (e, assim, "descer a lenha" sobre ela de maneira simplória  porque isto mostra um entendimento errado sobre a própria natureza da Igreja: em primeiro lugar, porque uma instituição sempre é maior do que os indivíduos que a compõem, de forma que, o fracasso de um indivíduo em preservar os ideiais da instituição os invalidam e nem desabonam a instituição em si, mas o indivíduo. E, em segundo lugar, porque a Igreja é composta de pecadores. 

Que tipo de pecador compõe a Igreja? 

É necessário fazer esta pergunta porque, embora a Igreja seja composta de pecadores, nem todo pecador pertence à Igreja - qual a fronteira de delimitação?  

A Igreja é formada por pecadores que não se conformam a seu pecado e buscam, com a ajuda da graça de Deus, melhorar.  

A Igreja é formada por aqueles que entendem que seu pecado ofende a Deus.

Por aqueles que sabem que não podem emendar-se por si mesmos. 

Por aqueles que, apesar da realidade de seu pecado, o contrapuseram à cruz de Cristo e obtiveram esperança através do amor de Deus.

Por aqueles que compreendem que "salvação" é um conceito que invade o tempo e desemboca na eternidade, aceitando viver o desafio de seguir a Cristo - o que significa o desafio de ser um homem ou mulher melhor.

A Igreja é formada por pessoas falhas. Por pessoas que falham. Por pessoas que falharão. Mas que estão tentando vencer suas falhas na presença de Deus.

E isto faz toda a diferença! 

Neste sentido,  a Igreja é um espaço terapêutico e de aprendizagem - a longo prazo.

Por isso, ela é um local de esperança. Esperança que inclui a filha do pastor, também. 

Quando pregamos o Evangelho, devemos deixar  claro que o Salvador não veio apenas para atender às carências dos ouvintes da mensagem - mas também daqueles que a pregam.

Caso contrário, nossos ouvintes nunca entenderão o Evangelho. 

***
Espero que a filha do pastor tenha conseguido vencer seus conflitos e fraquezas e  que hojeesteja firme e feliz na presença de Deus.

E quanto ao Danilo, espero vê-lo algum dia assim:


Tendo superado suas dúvidas.

Tendo superado suas experiências negativas com a Igreja.

E tendo entendido que nada pôde nublar a realidade do amor de Deus e os seus propósitos para sua vida.

Que o Senhor abençoe seu coração para buscá-Lo.