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terça-feira, 11 de setembro de 2012

COMO SUPERAR DIFICULDADES PARA ENTENDER A BÍBLIA?

1. Engana-se quem imagina que eu iria mencionar a oração em primeiro lugar. Você pode me questionar: "Mas a oração não é necessária para o entendimento das Escrituras? O homem natural não pode compreender  as coisas do Senhor, de acordo com 1.ª aos Coríntios 2.14"! Em primeiro lugar, o vocábulo traduzido por "compreende" na versão Revista e Corrigida seria melhor traduzido por "aceitar" ou "receber". O entendimento de que Paulo fala aqui não é o entendimento do sentido do texto* (um ateu pode alcançar este sentido!), mas o entendimento redentor do texto (ou seja, o entendimento de que devo crer e obedecer à mensagem do texto). Logo, oramos ao ler a Bíblia para que Deus torne nossos corações receptivos à Verdade, e que através da leitura de Sua Palavra possamos crescer em nosso relacionamento com Ele e aprimorar nossos caminhos;

2. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque lemos a Palavra de Deus tentando encaixar nela nossas próprias ideias pré-concebidas! Tentamos enxergar nela apenas confirmações para nossos conceitos, preconceitos, experiências e tradições e este tipo de postura nos mantém fechados quanto ao entendimento do texto;

3. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque acredita-se que interpretar corretamente as Escrituras significa descobrir em suas páginas significados "místicos, metafóricos e mirabolantes", desprezando o sentido óbvio do texto. Esta postura, infelizmente, é consequência da falta de valorização da pregação que expõe e explica a Bíblia, em preferência de pirotecnias por parte do pregador;

4. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque acreditamos que tudo o que está escrito em suas páginas deva ter relação direta com algum problema pessoal. Tal postura dificulta o ato de estudar a Bíblia para compreender sua doutrina, sua leitura acaba sendo subordinada ao imediatismo. A consequência direta deste modo de pensar são as infames "caixinhas de promessa";

5. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque não compreendemos a relação entre as partes (cada livro) com o todo (a Bíblia inteira). Esta é uma dificuldade marcante principalmente em relação ao Antigo Testamento, que cobre um período histórico maior. Os livros na Bíblia aparecem em ordem temática, e não em ordem cronológica e precisamos perceber a relação que há, por exemplo, entre Reis e Crônicas e Isaías e Jeremias; entre Esdras e Zacarias; entre Atos e as cartas de Paulo. Uma boa sugestão para conseguir visualizar e assimilar este panorama da história bíblica é ler uma Bíblia para crianças - não tenha vergonha: obras deste tipo apresentam os fatos em ordem cronológica, de forma bastante clara;

6. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque isolamos seus textos e eles perdem seu sentido original. Cada texto da Bíblia deve ser compreendido em relação a seu contexto imediato (os versículos anteriores e posteriores) e mais amplo (dentro da estrutura do livro e da Bíblia como um todo). Neste sentido, a divisão em capítulos e versículos (inexistente no original) atrapalha um pouco, pois dá uma falsa impressão de que o texto é fragmentado;

7. Temos dificuldades em entender a Bíblia porque o português da versão que estamos lendo geralmente é muito arcaico. O uso do dicionário e de uma versão bíblica com português contemporâneo (apenas evite versões parafraseadas da Bíblia) são de grande valia.

Estes são apenas alguns exemplos de problemas que dificultam a leitura da Bíblia. Felizmente, a maioria deles são apenas conceitos que precisam ser desmistificados (1, 2, 4, 7). Outros são superados ao longo do tempo; a dedicação ao estudo da Bíblia trará maior habilidade em seu manuseio.

Lembre-se: a Bíblia é a Palavra de Deus para você. Não é um livro de clérigos, mas um livro para todos. Sua mensagem é a Boa Nova de Deus aos homens, suas palavras são luz, vida e sustento. Leia a Bíblia - você precisa fazer isto. Não terceirize seu relacionamento com Deus.

Que possamos ter sempre a melhor postura diante do Livro Sagrado e uma vida frutífera através do aprendizado de suas palavras.

__________
* Reconheço, porém, muitas vezes o sentido das Escrituras é deturpado devido ao preconceito de algumas pessoas.

sábado, 14 de julho de 2012

O VERSÍCULO MAIS TRISTE DA BÍBLIA


“Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6.3).

O que torna triste este versículo – que tem sido largamente utilizado como tema de canções e congressos pela igreja brasileira?

O que torna triste este versículo – que expressa um anelo nobre e que deve, sem sombra de dúvida, ser endossado: o de conhecer de forma crescente e contínua a Deus?

O que torna triste este versículo – escrito pelo profeta que exemplificou em sua vida pessoal a intensidade e fidelidade do relacionamento de amor Deus com Seu povo?

O que torna triste este versículo – que faz parte do rol dos chamados “versículos conhecidos” da Bíblia Sagrada (sem dúvida um status privilegiado para este texto, levando em consideração o atual índice de analfabetismo bíblico)?

O que torna tão triste este versículo é o seu contexto – ou, de forma mais precisa, o versículo seguinte:

“Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa beneficência é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa” (Oséias 6.4).

Deus não se enganou pelas belas palavras daqueles que, desde o versículo 1, falavam sobre conversão e restauração. Deus conhecia o coração deles.

Era fogo de palha – e, para Deus, fogo de palha é fogo estranho.

Oséias 6.3 é simplesmente o registro de uma grande fanfarronice de Israel.

Uma fanfarronice que dá testemunho da justiça do julgamento executado por Deus, conforme relata o versículo 5. E é triste ver que o Deus que julgou a dissimulação de Seu povo tinha como anseio justamente ser conhecido por ele (versículo 6), em um relacionamento ortodoxo e ortoprático – mas Seu povo teimosamente preferia se ater a uma religiosidade hipócrita, insensível e ritualística, sofrendo as consequências disto.

O que torna Oséias 6.3 o versículo mais triste da Bíblia é constatar que a nobre intenção do versículo, expressa em tão belas palavras, não foi cumprida.

Que possamos fazer melhor.

Deus não é o Capitão Nascimento, mas certamente já está farto de fanfarronice. Mesmo daquelas expressas com as palavras mais belas .

sexta-feira, 2 de março de 2012

O BOM PASTOR, O FILHO PRÓDIGO E O PARADOXO DE NOSSA NECESSIDADE DE AMOR



O Salmo 23 e a Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15.11-32) são duas das passagens mais conhecidas e amadas da Bíblia.

Em comum elas possuem o fato de serem retratos nítidos da profundidade do amor de Deus: no Salmo 23, expresso em Seu cuidado; em Lucas 15, expresso em Seu perdão.

O apreço que estas passagens bíblicas recebem é um reflexo de como os seres humanos são carentes de amor.

E ao mesmo tempo que são carentes de amor, os homens fogem do amor de Deus!

O homem vive sob o signo do paradoxo, onde evita o que mais necessita!

E nesta situação contraditória, se perde tentando satisfazer sua necessidade de amor e felicidade de formas equivocadas e ineficazes!

Que situação lastimável!

Pergunto: como você está tentando satisfazer tua necessidade de amor?

Do jeito que você realmente precisa?

Ou está tentando remediar aquilo que só pode ser resolvido em Deus - ou seja, você mesmo?

Mesmo que sua resposta seja "não", ainda há esperança: o Bom Pastor do Salmo 23 está esperando por você, assim como fez pelo Filho Pródigo de Lucas 15.

Então, sabendo de qual é o legítimo remédio para sua necessidade... não perca mais tempo! 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

E POR FALAR NO DIA DO SEXO...


"Eis que és formosa, amiga minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças, o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade. Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas. Os teus lábios são como um fio de escarlata, e o teu falar é doce; a tua fronte é qual pedaço de romã entre {ou atrás do teu véu} as tuas tranças. O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de valorosos. Os teus dois peitos são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios" (Cântico dos Cânticos 4.1-5).


O prazer sempre foi um tema problemático para a cristandade, devido a um histórico milenar de zelo sem entendimento.

Um dos exemplos mais clássicos disto é a alegorização (metaforização “espiritualizada”) que os teólogos (judeus e cristãos) aplicavam ao Cântico dos Cânticos, devido à sua dificuldade de aceitar a presença de um texto bíblico que exaltava o amor sexual – logo, o livro não deveria ser entendido literalmente, mas como uma metáfora do amor entre Deus e Israel ou e/ntre Cristo e a Igreja.

Os teólogos foram engenhosos para elaborar argumentos que justificassem a rejeição do sentido óbvio do texto. A Bíblia de Estudo Defesa da Fé apresenta alguns exemplos destas “pérolas” que foram utilizadas no passado para interpretação de Ct 4.5:

“O Targum (a tradição e a explicação em aramaico do Antigo Testamento)correlacionou dois peitos com dois Messias, ou com Moisés e Arão. Historicamente, os intérpretes cristãos ofereceram uma variedade de explicações. Alguns afirmaram que os dois seios se referiam aos dois Testamentos, alimentando espiritualmente a Igreja. Outra perspectiva correlacionou os seios com os mandamentos de amar a Deus e de amar uns aos outros. Uma terceira interpretação acreditava que os seios representavam o monte Ebal e o monte Gerizim (Dt 27.11-13), ao norte de Jerusalém, de onde as tribos israelitas proclamavam as maldições ou sanções do concerto”.

Ridículo.

O que me chamou mais a atenção, porém, é que mesmo o comentarista contemporâneo (Sheri L. Klouda) temeu o conteúdo sexual do texto sagrado e ofereceu uma interpretação tangenciada:

“É improvável que a menção aos seios tivesse o propósito especial de sugerir o apelo sexual da esposa ao homem, ainda que em uma interpretação literal: eles foram listados aqui justamente com outras características da esposa que impressionam igualmente o poeta (4.1-7). Somente nos tempos modernos os seios das mulheres têm uma conotação ‘sugestiva’ na cultura ocidental. Nos tempos antigos e medievais, eles eram símbolos de sua função: fornecer alimento”.

Ah, tá.

Quero ver como sustentar uma interpretação destas diante de textos como Ct 7.1-8 (e o versículo 6 deixa claro que Salomão enfatiza o aspecto estético/sensual) ou Pv 5.18-20 (comprove por você mesmo, leitor!).

A Biblia não tem os grilos dos teólogos!

A doutrina cristã compreende o amor sexual como uma dádiva generosa de Deus para o bem da espécie humana, a ser usufruído exclusivamente no matrimônio, de forma monogâmica: ou seja, dentro de uma aliança de amor e fidelidade, assumida diante de Deus e dos homens – que é a salvaguarda para evitar a “coisificação” do ser e da sexualidade. Por isso, a doutrina cristã repudia severamente a libertinagem (que, temo, seja o sentido da comemoração popular de 06 de setembro).

Todavia, é igualmente cristão e necessário afirmar, que a doutrina cristã repudia o recalque, mesmo que ele seja utilizado equivocada e amplamente por muitos cristãos como ferramenta para a promoção da santidade: sempre será uma ferramenta ineficaz.

Afinal, o recalque é incapaz tanto de promover a glória ao Criador de todas as coisas (inclusive do sexo) quanto a felicidade e consagração de Seus filhos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BÍBLIA COMPARATIVA, A MINHA BÍBLIA


Como é característico de um país que goza de liberdade religiosa, é fácil ter acesso à Bíblia no Brasil – e o mercado encontra-se saturado delas, em diferentes versões e encadernações, além da “Bíblias de Estudo”, que trazem recursos variados junto ao texto (em geral, mapas, tabelas, gráficos, e, principalmente, comentários dos textos bíblicos em rodapé, que expressam diferentes ênfases e matizes teológicas). Algumas delas são excelentes, outras aparentam ser apenas jogada de marketing.

Gostaria de falar da Bíblia que eu uso, a Bíblia Comparativa.

Por que estou recomendando esta Bíblia, que aparentemente não passa de uma "colagem" de duas versões (Almeida Revista e Corrigida e Nova Versão Internacional) lado a lado?

Porque traduzir a Bíblia não é tarefa fácil.

Engana-se aquele que pensa que basta fazer uma transposição direta palavra por palavra do idioma dos originais para a língua portuguesa – é impossível.

Para transmitir a fluência do texto bíblico original para o idioma traduzido se faz necessário que o tradutor leve em conta aspectos lingüísticos, vocabulares, históricos, gramaticais e contextuais.

Isto sem mencionar a questão textual (ou seja, o texto original adotado: as famílias de manuscritos se dividem em orientais e ocidentais), que na melhor das hipóteses, é especulativa – a expressão “tradução baseada nos melhores manuscritos originais” reflete simplesmente a opinião do tradutor sobre os manuscritos utilizados, já que não temos critérios totalmente objetivos para avaliá-los.

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais sobre a história da Bíblia, recomendo os livros Introdução Bíblica: como Bíblia chegou até nós, de Norman Geisler e William Nix (ed. Vida) e Versões da Bíblia – porque tantas diferenças?, de Elizabeth Muriel Ekdahl (ed. Vida Nova).

Felizmente temos boas traduções no Brasil, mas todas elas têm pontos positivos e negativos.

Como já foi mencionado, a Bíblia Comparativa traz a versão Almeida Revista e Corrigida, a tradução mais utilizada (e amada) no Brasil (e, por consequencia, a mais conhecida, memorizada e utilizada publicamente na igreja) lado a lado com a nova Versão Internacional (uma tradução que se preocupa com a fluência do texto na língua contemporânea, mas evita parafraseá-lo).

Cada versão tem suas dificuldades: se, por um lado, a Almeida Revista e Corrigida é muito literalista em sua tradução (embora haja vários textos que eu discorde da escolha vocabular e gramatical), seu vocabulário e gramática arcaicos também fazem com que o leitor se confunda e não compreenda muitas de suas passagens. A maior vantagem da Nova Versão Internacional é que sua linguagem assegura melhor compreensão do texto (muitas vezes, até esclarecendo o que a Almeida quis dizer em algumas passagens), embora eu ache que algumas passagens apresentaram um certo excesso de liberdade em relação ao texto original, para tentar torná-lo mais fluente. Além disso, já vi exemplares com erros de impressão (erros de gráfica).

Mas a publicação desta Bíblia prestou um excelente serviço à comunidade falante de língua portuguesa. É justamente o contraste entre as duas versões que contribuem para uma leitura mais atenta e aprofundada do texto e a tornam uma ferramenta poderosa - por isto ela é minha Bíblia.

***

PS: Não há nenhum interesse comercial por este post, nem estou recebendo nenhum subsídio  financeiro da editora. Recomendo o produto apenas porque acho que se é bom para mim, será também para outros.

sábado, 26 de setembro de 2009

CONTEXTOS DE VIDA IDEAIS PARA A LEITURA DO SALMO 23


Leia o Salmo 23 quando você tiver a mesa farta. Ou, quando a mesa não estiver farta, perceber que ainda tem o que comer e o que vestir. E também quando estes recursos faltarem, sendo você sabedor que a vida é mais que comida e bebida, reconhecendo que você ainda vive e respira e está certo de que este momento difícil não diminuirá sua capacidade de viver a vida dignamente, pois o SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Leia-o quando tiver emergido do fundo do poço, superado um grande obstáculo e encontrar em si, sem saber como e nem por que, as forças necessárias para enfrentar o próximo: somente Ele deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma.

Leia-o quando perceber as pressões da tentando tornar você alguém melhor, e não meramente mais abastado e bem-sucedido, já que este é o verdadeiro conceito de sucesso na vida para Aquele a doou para você, Aquele que guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Leia-o quando o perigo e a angústia, em suas mais variadas formas, forem mais reais e presentes do que você gostaria que o fossem, consciente de que ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Leia-o quando sentir-se pressionado pelo anonimato e pela inverdade da avaliação dos homens e desejar que sua história de vida seja vindicada pois, neste mundo ou no outro Ele prepara uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unge a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.

Leia-o quando você perceber que, no balanço final da vida você recebeu muito mais do que merecia, pois certamente que a bondade e a misericórdia me seguiram todos os dias da minha vida.

Leia-o principalmente se hoje, você tiver percebido que ainda não chegou a etapa final de sua vida, mas já tenha decidido vivê-la no aprisco do Bom Pastor. Mas tão somente se estiver sentindo-se feliz e privilegiado por isso, pois Ele somente aceitará estabelecer um relacionamento com aquele que declarar habitarei na Casa do SENHOR por longos dias de forma espontânea e sincera.

E, assim, usufruir da promessa de vida que este Salmo traz consigo.