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segunda-feira, 12 de março de 2018

A IGREJA NÃO PODE VIRAR WAKANDA



Se você ainda não assistiu Pantera Negra, aconselho você retornar a este texto após ver o novo filme da Marvel Studios, sucesso de crítica e público, a fim de evitar possíveis spoilers. 

T'Challa é um super-herói incomum: antes de ser um guerreiro, é o rei de Wakanda, país africano fictício do universo Marvel, reserva mundial de Vibranium, metal fictício precioso e poderoso, que possibilitou o desenvolvimento tecnológico e social sem par desta nação e que por isso mesmo vive isolada de outras nações, preservando seu estilo de vida em sigilo. 

O Pantera Negra incorpora as funções de estadista, guerreiro e representante das crenças ancestrais de seu povo, o que o faz dele um personagem muito interessante, testemunho da genialidade de seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby e de como desde o início da formação de seu universo de super-heróis a Marvel soube trabalhar bem questões sociais e de representatividade.

O filme apresenta a coroação de T'Challa (seu pai, o antigo rei, fora assassinado em Capitão América: Guerra Civil) e o enfrentamento de um antagonista que pretende assumir o trono, Killmonger.

Uma fraqueza comumente apontada  nos filmes da Marvel é a superficialidade de seus vilões. Para boa parte da crítica e do público, Killmonger se torna uma exceção, pois seu argumento para enfrentar o herói é plausível: Wakanda se isolou do restante do mundo em sua riqueza e ignorou o sofrimento histórico da população negra. Wakanda era culpada de omissão e reformas eram necessárias. Infelizmente, Killmonger busca implementar sua visão através de crimes de ódio, o que torna sua reprovável sua conduta. O Pantera Negra vence seu antagonista e implementa uma política de cooperação internacional.

Não posso deixar de fazer uma comparação entre Wakanda e muitas igrejas de nossos dias: possuem a riqueza do Evangelho, mas estão fechadas em si mesmas, alheias a todo sofrimento e necessidade a seu redor. Tal tipo de omissão é imoral, assim como a da fictícia Wakanda.

Não temos vibranium, mas aquilo que temos, somos chamados a dar (At 3.6), diminuindo, em nome de Jesus, a dor de quem nos cerca. 

O Evangelho para sempre!

sexta-feira, 2 de março de 2018

O SALMO FAVORITO DE DAVI



O SALMO 16 É UM MICTÃO: A palavra mikhtam provavelmente significa “dourado”, trazendo a ideia de excelência. Os Salmos 56, 57, 58 59 e 60 também são chamados assim, mas todos são ligados a uma circunstância específica da vida de Davi. Somente o Salmo 16 é chamado simplesmente de “excelentíssimo”.

O SALMO 16 É O RETRATO DOS PROFUNDOS SENTIMENTOS DE DAVI PARA COM DEUS

- DEUS É O REFÚGIO DE DAVI (v.1)“GUARDA-ME, ó Deus, porque em ti confio.”: O reconhecimento do salmista de que neste mundo precisaremos de proteção. A fé é o meio de acesso à proteção divina (Sl 91)

- DEUS É O SENHOR DE DAVI (v.2)
“A minha alma disse ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; não tenho outro bem além de ti”: Davi entende a maneira correta de se relacionar com Deus (Lc 6.46)

- DEUS É A RIQUEZA DE DAVI (v.3)
“A minha alma disse ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; não tenho outro bem além de ti.”: Davi reconhecia que somente Deus é um bem de valor absoluto – quem possui Deus possui tudo; diante dEle, todas as outras coisas possuem valor relativo – são como nada. A capacidade de discernir a importância das coisas chama-se juízo de valores (Mt 6.21).

- O POVO DE DEUS É A COMPANHIA DE DAVI (v.3)
“Digo aos santos que estão na terra, e aos ilustres em quem está todo o meu prazer...”: Davi possui comunhão com aqueles que possuem comunhão com Deus, valorizando e respeitando o povo de Deus

- DEUS É A SATISFAÇÃO DE DAVI (v.5)
“O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte. As linhas caem-me em lugares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança.”: Davi se compara a um levita, que não possuía herança fixa, mas dependia totalmente do Senhor. Davi aceita o que vem da mão de Deus (Jó 2.10), demonstrando satisfação. Não se entrega à ansiedade (Mt 6.25-34), nem à ambição (Sl 131) ou murmuração. Age com gratidão.

- DEUS É O MESTRE DE DAVI (v.7)
“Louvarei ao SENHOR que me aconselhou; até os meus rins me ensinam de noite.” Davi reconhece que precisa da orientação do Senhor e louva a Deus por orientá-lo (Mt 11.25-30), acatando no interior a orientação do Senhor (Lc 8.15), sem rebeldia (Sl 32.8-9).

- DEUS É A FORÇA DE DAVI (v.7)
“Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei.”: Davi toma uma atitude perante o Senhor e sua firmeza é consequência de sua atitude (Nm 13.31-32; 14.7-9)

- DEUS É A ESPERANÇA DE DAVI (v.5, 9-11)
“O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte. (...) Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.  Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.”: A esperança de Davi se relaciona a esta vida e ao porvir - Davi tem um vislumbre de Cristo, o grande cumpridor de seu Salmo (At 2.25-33 - o futuro reservado para os que crêem: Jo 5.28-29; 1Co 15.20, 51-52; 1Ts 4.16-17). O SALMO 16 É O RETRATO DOS PROFUNDOS SENTIMENTOS DE DAVI PARA COM DEUS E TAMBÉM O RELATO PROFÉTICO DE SUA VISÃO DE CRISTO

terça-feira, 17 de novembro de 2015

VOCÊ É MOTIVADO (A)?





"Depois, voltaram de espiar a terra, ao fim de quarenta dias.E caminharam, e vieram a Moisés, e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel no deserto de Parã, a Cades, e, tornando, deram-lhes conta a eles e a toda a congregação; e mostraram-lhes o fruto da terra. E contaram-lhe e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel, e este é o fruto. O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades, fortes e mui grandes; e também ali vimos os filhos de Anaque. Os amalequitas habitam na terra do Sul; e os heteus, e os jebuseus, e os amorreus habitam na montanha; e os cananeus habitam ao pé do mar e pela ribeira do Jordão.Então, Calebe fez calar o povo perante Moisés e disse: Subamos animosamente e possuamo-la em herança; porque, certamente, prevaleceremos contra ela. Porém os homens que com ele subiram disseram: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.E infamaram a terra, que tinham espiado, perante os filhos de Israel, dizendo: A terra, pelo meio da qual passamos a espiar, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos no meio dela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos e assim também éramos aos seus olhos." (Números 13.25-33)


Todo comportamento é explicável pela motivação (MOTIVO-EM-AÇÃO) que há por trás dele. Muitas vezes, a motivação chega a ser mais importante do que a própria ação em si.

O tema "motivação"é considerado extremamente importante na sociedade atual, sendo pauta frequente em várias esferas: corporativas, esportivas, educacionais, etc. Pessoas que "dominam" este assunto são consideradas “gurus”, sendo muito requisitadas.


As motivações se dividem em externas e internas:


Um aumento de salário, ambiente favorável, equipe colaborativa, apoio e aceitação são alguns exemplos de motivadores externos (que estão fora do sujeito). Com estes poucos exemplos, podemos salientar 3 características das motivações externas:

  • Nem sempre é possível contar com elas - por isso é perigoso vincular a ação às circunstâncias ou a terceiros; teríamos aí o inadequado casamento da conveniência com a heteronomia;
  • Podem ser mal aproveitadas - a experiência comprova que muitas pessoas cercadas das melhores condições de vida e trabalho não traduzem estes benefícios em qualidade de vida, criatividade e produtividade;
  • Não atendem à satisfação humana - as pessoas sempre querem mais.

Meus valores, prioridades, compromissos e sentimentos são exemplos de motivadores internos (que estão no sujeito):

  • Já fazem parte de mim - logo, a ação passa a ser um exercício de autonomia; 
  • Independem de circunstâncias - logo, sempre teremos a certeza da ação;
  • Podem ser bons ou ruins - uma pessoa pode ser motivada pelos ideias mais nobres ou mais baixos; nenhuma ação, seja qual for seu elemento motivador, está isenta de escrutínio ético.


A grande questão que fica para o cristão é: A TUA FÉ TE MOTIVA???

Entendemos que a fé é um elemento motivador interno. Mas ela possui relevância tal em nossa vida a ponto de nos motivar para a ação, nos motivar em meio aos desafios?


Uma das mais preciosas aprendizagens para o cristão é a de se auto-motivar de forma correta. 

Principalmente por entender não apenas que a motivação precede e fundamente a ação, mas para evitar que a desmotivação leve a um tempo em que seja tarde demais para agir.

Os contemporâneos desmotivados de Josué e Calebe que o digam.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A REGRA NÃO PODE VIRAR EXCEÇÃO



Desde 13 de março de 2013, ao ser eleito papa, Jorge Mario Bergoglio tem surpreendido o mundo com suas atitudes.

A começar pela escolha de seu nome papal, “Francisco”, homenageando o poverello de Assis. Logo em seguida, ao pedir que orem por ele, surpreende com suas maneiras afáveis e gentis. Continua surpreendendo com sua acessibilidade e, principalmente, por seu desapego, expresso nos hábitos simples, na pela pregação a favor de uma vida simples e na punição de religiosos que viviam luxuosamente à custa dos fiéis.  

Realmente, Francisco é uma surpresa para o mundo (mesmo para aqueles que, como eu, não concordam com sua teologia). Uma grata surpresa.

E ao mesmo tempo, lamento que Francisco cause tanta admiração – pois, afinal, ele está simplesmente demonstrando a prática que sua crença exige.

O nível de surpresa que o mundo demonstra diante de Francisco demonstra também algo mais grave: que não é esperado um comportamento gentil e humilde por parte de um líder religioso. Quando ocorre, é de causar admiração.

Isto mostra que a regra se tornou exceção! Triste realidade!

Costumo pensar que herói é aquele que faz o qualquer um deveria ter feito. Neste sentido, a existência de “heróis” se constitui em uma anomalia. E, como dito, triste é o povo que precisa de heróis – porque não assume sua vocação para a virtude.

Precisamos de uma nova safra de religiosos que mostre que gentileza e humildade é regra, não exceção, fazendo com que o mundo pare de se espantar diante destas virtudes – e simplesmente se acostume com elas.


E que esta nova safra venha a surgir também no Brasil, tão repleto de pastores-que-querem-ser-papas, que fariam bem em observar melhor este papa que quer ser pastor.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PENSE NISTO: UMA PALAVRA DE JÜRGEN MOLTMANN SOBRE O CULTO AO CORPO

"As possibilidades de embelezamento do corpo se desenvolveram e disseminaram (...). Em algumas áreas, a mania de beleza e o culto ao corpo se converteram na religião que dá sentido ao ser humano moderno. A cirurgia plástica e a cirurgia cosmética prometem a obtenção do corpo que se deseja para estar bem consigo mesmo e ser reconhecido pelos outros. 'Quem quer ser bonito tem de sofrer', mas o que tudo não se faz por causa do reconhecimento! Partes essenciais da moderna mania de beleza são os programas de antienvelhecimento. Só quem permanece jovem é belo, e quem permanece belo é considerado jovem. Ele ou ela se tornam, a seu modo, 'imortais'. Um corpo treinado e belo não mostra as marcas da idade, deve -se imaginar. Porém, os corpos amoldados ao ideal não são estranhamente enrijecidos e sem vida, impessoais e sem caráter?

Os aumentos de desempenho e os tratamentos de beleza se devem realmente só à autodeterminação livre e legítima da própria vida? Não é verdade. São antes imposições da sociedade moderna que obrigam as pessoas a ser produtivas e bem-sucedidas, belas e atraentes. No palco esportivo da sociedade moderna, a imposição ainda se chama 'competição' nobre, na sociedade burguesa do dia a dia é concorrência dura e fria. No esporte de alto rendimento, o doping se tornou a imposição sistêmica: Quem não pode acompanhar o ritmo, está fora. É o que diz também a indústria farmacêutica que lucra com isso. Por causa do medo de não poder mais apresentar o desempenho que se esperava dele, Robert Enke, famoso goleiro alemão, se jogou na frente de um trem em 2009. Por causa do medo da síndrome de burn-out, os professores recorrem ao doping neurológico. Quem quiser acompanhar o ritmo e ficar entre os ganhadores, terá de trabalhar em si mesmo e se sacrificar, de um jeito ou de outro. O mesmo se aplica à beleza: O poder-ser-mais-belo há muito tempo deu lugar ao deve-ser-belo. Por isso, os belos muitas vezes passam uma impressão tão tensa e triste. Não se consegue mais distinguir entre seu amor ao corpo e seu ódio ao corpo. Os corpos do mundo moderno, corpos de alto rendimento e corpos lindamente modelados, são, muitas vezes, só variantes do corpo militar e sucessores do corpo ascético. (...) 

A autêntica experiência corporal cristã está inserida na experiência de fé do amor de Deus. Quem se sente aceito e amado, também está bem consigo mesmo e aceita seu corpo assim como ele é e vem a ser com o passar do tempo. A experiência do amor divino torna os crentes não só justos, mas também belos. 'Os pecadores são belos, porque são amados; não são amados porque são belos'., escreveu Lutero na controvérsia de Heidelberg em 1518. Também o amor humano deixa a pessoa amada bela, quando é gratuito e solícito. Ele provoca também nos rostos desfigurados o brilho da beleza porque desperta a alegria. O 'corpo do amor' é a vida humana plenificada da vida divina.

Com a encarnação de Deus realmente já está posta uma imagem contrária ao moderno 'homem-máquina' e aos produtos artificiais 'desempenho' e 'beleza'. Deus se fez humano para que nos convertamos de deuses orgulhosos e infelizes em verdadeiros seres humanos; em seres humanos que podem aceitar a sua juventude e a sua velhice e estão de acordo com a transitoriedade dos seus corpos; em seres humanos que sabem que a vida é mais que desempenho e que o amor é o que embeleza o ser humano".

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MEU ELOGIO A NED FLANDERS

Sei que não á possível falar de apenas "um" Ned Flanders.

Afinal, cada diferente episódio (e cada diferente roteirista) apresenta um novo olhar, uma nova forma de te definir, apesar de manterem, de forma consciente ou não, o mistério que há em você.

Não conseguiram negar o poder de sua fé genuína e os benefícios que ela traz aos que convivem com você.

Sim , pois no seriado que consagrou o deboche niilista como meio de crítica e denúncia, você permanece como um referencial de decência e sanidade.

Apesar de tudo.

Apesar de muitas vezes tentarem transformar você em um símbolo da obsolescência do Cristianismo, não conseguiram impedir que você fosse admirado.

Apesar de tentarem fazer de você o bode expiatório dos erros dos religiosos modernos e do passado, não conseguiram diluir a validade de sua crença e de seu exemplo.

Sua ingenuidade apenas dá testemunho da singeleza de sua fé.

Quando você se mostra limitado na compreensão dos aspectos mais amplos de sua crença,  você se irmana com todos aqueles que precisam crescer na graça e conhecimento de Jesus Cristo.

Seus erros dão testemunho de sua fragilidade - a qual você confessou e encarou de forma franca, diversas vezes.

Você é temente a Deus - e, justamente por isso, você se torna amigo de Deus e amigo do próximo.

E aí está toda a diferença.

Seu simples e ao mesmo tempo vasto legado consiste em estender constantemente a destra da amizade a um vizinho insuportável, mostrar-se mais devoto do que o clérigo de sua comunidade, ser um pai dedicado e um cidadão honesto e cortês.

Então, por demonstrar de forma tão clara prática o amor de Cristo, eu te dou meus parabéns, Ned Flanders!

Parabéns por seu bom testemunho durante estes 20 anos de "Os Simpsons"!

Parabéns por impedir que o seriado de maior longevidade na história da televisão ficasse totalmente secularizado!

Parabéns por fazer a diferença em Springfield!

E parabéns por mostrar que a fé, o amor e a esperança são ferramentas mais poderosas e eficazes que o deboche e o niilismo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A TEOLOGIA DO GRANDE AMOR



A repercussão causada pela traição de Kristen Stewart me fez pensar um pouco sobre as contradições de nosso tempo.

Vivemos em uma sociedade que valoriza cada vez mais a liberalidade no amor como forma de liberdade, mas que ao mesmo tempo rejeitou a atitude da jovem atriz.



Robert Pattinson e Kristen Stewart protagonizaram nos cinemas a saga Crepúsculo, o mais recente sucesso da literatura romântica (o vampirismo, na verdade, é apenas um tema menor dentro da obra, que é uma história de amor, em sua forma mais clássica, nobre e antiquada – e, aliás, para muitos críticos, é um mistério que um livro com uma ética tão retrógrada tenha feito tanto sucesso em nossos dias permissivos.).



Os romance dos dois jovens atores fascinava por dar continuidade, na vida real, ao romance da fantasia.

Era a concretização do final feliz – que veio por água abaixo com o affair da garota com o diretor de seu novo filme.



E vivemos em uma sociedade que não admite perder o final feliz de um conto de fadas romântico – e por quê, já que seu discurso e prática, com seus carnavais, baladas, bailes funk e coisas do gênero conspiram contra ele?

Por que, se os paradigmas de masculinidade e feminilidade de nosso tempo aboliram o “que até a morte os separe” como essencial para o final feliz?

Talvez por saber, sem assumir, que esta postura inviabiliza o “felizes para sempre”.



Parece que a permissividade é o discurso de nosso tempo, mas o desejo dos seres humanos de nosso tempo continua sendo o grande amor.

Prega-se a poligamia, mas se quer a monogamia.



Ouso dizer que, da mesma forma que Deus colocou a eternidade no coração dos homem, instigando-o para a transcendência (Eclesiastes 3.11), Deus também colocou no coração humano o desejo de viver um relacionamento significativo e exclusivo com outra pessoa  – ser uma única carne com alguém (Gênesis 2.18-25)*.

Uma figura tão poderosa que é símbolo do relacionamento de Cristo com Seu povo (Efésios 5.25-33).

Viver o grande amor. Não uma molecagem. É disto que os seres humanos precisam.



Mesmo que o discurso de nossa sociedade negue isto, como ato falho este anseio aparece, nas artes e nas canções - motivo pelo qual eu coloquei tantos "casais célebres" de nossa cultura neste post, como testemunho de como o grande amor é valorizado e ansiado.

E como testemunho e explicação também de como e porquê a sociedade sente-se frustrada quando a vida não imita a arte (arte que muitas vezes serve como escape da própria vida para as pessoas) - e acaba o que parecia ser um conto de fadas.
 
______________
*Exceção deve ser feita àqueles que, por dom e vocação divina, abrem mão desta vivência para dedicação exclusiva ao ministério (Mateus 19.12; 1 Coríntios 7.7).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

UMA LEITURA TEOLÓGICA DO FUNK DO CABARÉ


O funk de Mc Duzinho tem alcançado considerável sucesso, atestado tanto por aqueles que apreciam este gênero musical, quanto por aqueles que têm de suportar o mesmo - pessoas que geralmente tomam contato com o funk de maneira forçada, através de algum  inconveniente que o escuta no último volume (não quero parecer preconceituoso, mas baseado na observação e na experiência, pergunto: será que existe alguma relação entre gostar de funk e a falta de educação?).

Mas meu questionamento principal em relação aos apreciadores do funk (e, em especial, às mulheres que o apreciam) é: eles param para analisar as letras do que cantam e dançam?

E no caso deste hit do momento, qual a sua mensagem? Estarei fazendo algimas considerações dentro dos próprios versos da canção:

Vem pro Cabaré, vem, vem pro cabaré
Já tá, já tá, já tá cheio de mulher e só tem mulher tarada
(O autor já começa mal, apresentando a falsa ideia-clichê de que as mulheres que vivem da comercialização do corpo - de forma física ou visual - em um cabaré ou local semelhante o fazem por outro motivo que não seja financeiro, a luta pela sobrevivência. É o sonho machista de imaginar que existam mulheres que sintam prazer em serem meros objetos dos homens)
Vem pro cabaré, vem, vem pro cabaré

Então...
Eu vou largar minha casa e vou morar no cabaré
Eu vou largar minha casa e vou morar no cabaré
(nosso autor anuncia por duas vezes a intenção de abandonar seu lar - ou seja, findar um relacionamento que já devia ter assumido proporções bastante sérias. Vejamos quais são suas motivações para ir morar no cabaré...)

Lá eu fico a vontade rodeado de mulher
Lá eu fico a vontade rodeado de mulher
(Aqui está o "x" da questão: viver à vontade. Viver para si mesmo. Este tipo nde mentalidade é avessa à ideia de construir um relacionamento, pois relacionamentos são onerosos: exigem compromissos, altruísmo e responsabilidade. É o oposto de viver "à vontade". É viver tendo em vista o outro.
O que eu acho mais engraçado - e mais hipócrita -  é que toda pessoa que deseja "viver à vontade" acaba exigindo o sacrifício da vontade de outras pessoas para que estas estejam à sua mercê, pois o ideal egoísta de "viver à vontade", sem ter de responder a ninguém que não seja o próprio ego, acaba levando ao processo de considerar todas as outras pessoas como objetos - objeto=não-ser. Por isso o cabaré é tão "bom" - porque proporciona a companhia de gente-não-gente, gente coisificada, gente que abre mão da vontade e das demandas de um relacionamento).
Vem pro cabaré, vem, vem pro cabaré
Vem pro cabaré, vem, vem pro cabaré

Mas é porque eu sou safado e disso ela sabia
Agora me perturba dia e noite, noite e dia
Não me contento com uma, nem com duas, nem com três
Eu tenho que ter uma mulher pra cada dia do mês
(Neste ponto da canção, a única coisa que posso fazer é lamentar, por saber quão mal algumas mulheres escolhem seus companheiros "Mas é porque eu sou safado e disso ela sabia" e o quanto elas persistem no erro: "Agora me perturba dia e noite, noite e dia"
Amiga leitora, permita-me deixar-lhe um conselho: não adianta tente iniciar uma vivência que exige maturidade (a construção de um lar) com alguém que não a possui. Isto é um pré-requisito básico, que carisma, beleza ou dinheiro não podem substituir. Você irá se decepcionar. Escolha melhor. Não desperdice sua vida).

Vem com Mc Duzinho assim ...

Eu vou largar minha casa e vou morar no cabaré
Eu vou largar minha casa e vou morar no cabaré
Lá eu fico a vontade rodiado de mulher
Lá eu fico a vontade rodiado de mulher
Vem pro cabaré, vem, vem pro cabaré

Sendo assim, o que concluo?

Não apoio a dicotomia equivocada comum no meio evangélico entre música secular e música religiosa. Para mim existe música boa e música ruim (com finalidades variadas), simplesmente.

E o "funk do cabaré" é um exemplo de música muito ruim.
Pelo desdém dispensado às mulheres (tanto à do lar como às do cabaré).
Pela glamourização de um estilo de vida narcisista, evocando o mais profundo e pecaminoso egoísmo.
Por ser simplesmente uma ode ao desamor, em resumo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LIÇÕES QUE APRENDI ASSISTINDO À TRILOGIA "O PODEROSO CHEFÃO"


1. A luta pela sobrevivência é brutal, mas não podemos permitir que ela nos embruteça, como ocorreu com os Corleone. As condições adversas de vida não são desculpa para trilhar um caminho de brutalidade, nem isentam você da responsabilidade de fazer escolhas acertadas na vida - e quando fazemos tais escolhas, a despeito da circunstâncias, nosso verdadeiro valor fica provado.

2. É tocante no filme a preocupação dos Corleone em não promover o tráfico de drogas (a família mafiosa explora principalmente o contrabando e, posteriormente, a jogatina), mas tentar ser um "bandido ético" não funciona. Se sou ético, não posso ser bandido. Se sou bandido, não sou ético. E pronto.

3.  As consequências de um estilo de vida edificado sobre a injustiça são inevitáveis e trazem sofrimento a todos. Tais consequências podem ser evitadas apenas com mudanças urgentes e radicais - algo que, infelizmente, a família Corleone protelou por décadas, mantendo seu império, apesar dos anseios do "padrinho" Michael - um anseio, contudo, que não foi imbuído do devido senso de urgência. Sinceridade sem atitude não costuma ser algo muito eficaz.

Caso você ainda não tenha assistido a esta obra-prima do cinema, eu recomendo: vale a pena! A direção de Copolla é excelente, o elenco tem atuações fantásticas (principalmente de Niro e Al Pacino) e, como se diz por aí, quem aprende com os erros dos outros, evitando assim repeti-los, é sábio.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

MEU LAMENTO POR SANDY

Por duas vezes a filha de Xororó chamou atenção da mídia e da sociedade neste ano de 2011.

A primeira foi quando aceitou ser a garota-propaganda de uma cerveja, cujo nome fantasia faria um trocadilho de péssimo gosto (e intencional) com a figura da cantora.


A segunda vez, foram as “bombásticas” declarações que ela deu à imprensa sobre sexualidade.


Tal comoção é explicada porque Sandy sempre foi vista como referencial de boa-moça.

Para mim (e isto é uma interpretação particular), as recentes atitudes da Sandy soam como um esforço intencional e consciente para desconstruir a imagem de “boa moça” como era conhecida.


Em parte eu considero compreensível o que está acontecendo, pois ser referencial de “boa moça”, não raro, significa ser referencial de um estereótipo (no caso, um ser apático, sem iniciativa e assexuado). Não é agradável viver para satisfazer às expectativas do público, que , não raro, é cruel em suas cobranças e demandas e invasivo no relacionamenhto com o indivíduo (uma preocupação à qual o próprio Xororó já havia se referido: http://www.terra.com.br/istoegente/48/entrevista/index.htm).

Meu lamento é que, em tal esforço, Sandy não tenha percebido que ela esteja abdicando de algo bom e valioso em si mesmo: ser referencial de “boa moça” (a despeito das cobranças sociais injustas), sempre significou respeitabilidade, credibilidade e bom-senso.

Eu lamento porque não creio que ser "boa moça" seja um motivo de vergonha, mas de alegria e satisfação pessoal.

Meu desejo e oração é para que, na luta por preservar sua individualidade, Sandy não acabe desvirtuando sua identidade, pois diz a Bíblia Sagrada que “Melhor é a boa fama do que o melhor ungüento” (Eclesiastes 7.1) – e parece que é a este precioso tesouro que ela parece estar disposta a abdicar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O PIOR TIPO DE PRISÃO

Assisti Cidade dos Homens no domingo. Uma tristeza.

Tristeza causada não apenas pelos dramas sociais que o filme relata (drogas, crime, desintegração familiar), mas principalmente pelo horizonte conceitual dos personagens.

Nenhum deles apresenta grandes perspectivas em relação ao futuro (com exceção talvez dos protagonistas).

Nascer, obter algum prazer (com o funk, as drogas ou o sexo), algum dinheiro e por fim sucumbir diante de alguma das diversas ameaças presentes em seu cotidiano.

É a incorporação do fatalismo e sua institucionalização individualmente.

Mano Brown deu uma noção do que significa crescer sob um horizonte de limitações em "O homem na estrada":

"Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim.
Muitos morreram sim, sonhando alto assim, me digam quem é feliz,
quem não se desespera,
vendo nascer seu filho no berço da miséria.
Um lugar onde só tinham como atração, o bar, e o candomblé pra se tomar a benção.
Esta é a história que por mim será contada
O homem na estrada"

Não desconsidero as relevantes contribuições das ciências sociais, que tornaram explícita a importância e a força das dinâmicas histórico/políticas sobre o indivíduo, evitando assim o erro do individualismo meritocrático promovido por um liberalismo ingênuo.

Mas me revolto com a ideia de que passamos de meros produtos do meio!

Podemos transcender as estruturas circunstanciais que nos cercam. Podemos contribuir para sua reformulação.

É nosso dever moral assim fazê-lo, como uma etapa necessária para nossa realização humana, no sentido de promover nosso potencial integral, individual e comunitariamente.

Assim fizeram todos os reformadores do passado, motivados pela visão de como as coisas poderiam ser.
Por isso afirmo que o pior tipo de prisão é a da mente.

Só consegue compreender a vida como uma batalha de superação quem possui um horizonte conceitual mais amplo.

Portanto, em nome de Jesus, liberte sua mente e resgate sua vida!

Pois Jesus Cristo é sinônimo de possibilidades.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

OSAMA BIN LADEN AINDA PRECISA MORRER

Existe um pequeno Bin Laden vivo dentro de cada um de nós.

Como podemos identificá-lo?

Naquela parcela dentro de nós que nega ao outro o direito de pensar diferente.

Naquela parcela dentro de nós que não pára para entender o outro, achando mesmo irrisório fazê-lo.

Naquela parcela dentro de nós que se vale da força para fazer prevalecer sua opinião.

Naquela parcela dentro de nós que não compreende o conceito de violência – violação do outro – visto que não existe um outro com direitos a serem preservados.

Naquela parcela dentro de nós que pensa que os fins justificam os meios.

Naquela parcela dentro de nós que desconsidera o impacto de suas atitudes sobre os outros.

Naquela parcela dentro de nós que gosta de ter seguidores.

Naquela parcela dentro de nós que se deleita em ser o centro das atenções.

Naquela parcela dentro de nós que aprecia um verniz de espiritualidade para encobrir a verdadeira natureza.

Naquela parcela dentro de nós que sectariza o mundo.

Naquela parcela dentro de nós que se acha no direito de monopolizar Deus.

Naquela parcela dentro de nós que se faz de vítima.

Existe um pequeno terrorista dentro de cada um de nós. Ele germina de diferentes maneiras e em diferentes proporções dentro de cada pessoa. Mas podemos saber de sua existência ao observar a violência, a corrupção, a miséria, a exclusão, a injustiça social e todas as outras formas de males, desarmonias e irrealizações do ser humano: ele é o responsável por isso.

Por isso, afirmo: se quisermos um mundo melhor, o Bin Laden que está em nós precisa morrer.

Sendo assim, cace-o. Persiga-o. Enfrente-o veementeente com a palavra de Deus, capaz de criar um novo homem, formado em justiça e verdade - a mortificação do terrorista que há em nós coincde com a formação de um novo homem em nós.
Faça isto pelo bem da humanidade (o que é concomitante também com o seu bem-estar) - entendendo que sua realização individual como ser humano depende de seu sucesso em livrar a si e aos outros do terror que o Bin Laden que habita em você pode causar.   

terça-feira, 19 de abril de 2011

PARABÉNS, PADRE MARCELO! (ENTREVISTA CONCEDIDA À REVISTA VEJA, DE 20 DE ABRIL DE 2011)

Não sou ecumênico. Discordo da instituição que o Padre Marcelo Rossi representa e das crenças que ela sustenta (aliás, a "história milenar" da Igreja Católica mencionada pelo padre na entrevista publicada na revista VEJA desta semana testemunha justamente do distanciamento desta instituição do cristianismo bíblico). 

Lamento por ver que a teologia de Marcelo Rossi é fortemente influenciada  por conceitos sem respaldo nas Escrituras, como a devoção a Maria.
Todavia o parabenizo pelos valores defendidos em sua entrevista, considerados por ele como essenciais para a postura e serviço cristão coerentes (lembrando que estamos falando de um homem que está sempre sob os holofotes da mídia e os olhares da instituição eclesiástica, com todas as tentações que elas trazem consigo), que apresento agora com a transcrição de algumas de suas declarações:

"Um padre, contudo, tem de agir com humildade" (quando foi boicotado durante a visita de Bento XVI ao Brasil).

"Minha missão é buscar ovelhas, não agradar a padres".

"Ter carisma implica responsabilidade".

"Não preciso estar na moda para servir a Jesus".

"Jamais, no entanto neguei o pedido de um fiel (falando acerca dos inúmeros pedidos para fotos). Sou um padre".

Como ficaria feliz se a Igreja Evangélica, principalmente suas lideranças,  estvesse priorizando valores como estes em sua agenda, ao invés das sandices da teologia da prosperidade,  do misticismo irrefletido e do personalismo eclesiástico! 

Isto seria sinal de que a Igreja Evangélica, em seu compromisso histórico com a Bíblia Sagrada para a fundamentação de sua crença, compreendeu melhor as implicações práticas destas mesmas crenças bíblicas.