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sexta-feira, 2 de março de 2012

O BOM PASTOR, O FILHO PRÓDIGO E O PARADOXO DE NOSSA NECESSIDADE DE AMOR



O Salmo 23 e a Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15.11-32) são duas das passagens mais conhecidas e amadas da Bíblia.

Em comum elas possuem o fato de serem retratos nítidos da profundidade do amor de Deus: no Salmo 23, expresso em Seu cuidado; em Lucas 15, expresso em Seu perdão.

O apreço que estas passagens bíblicas recebem é um reflexo de como os seres humanos são carentes de amor.

E ao mesmo tempo que são carentes de amor, os homens fogem do amor de Deus!

O homem vive sob o signo do paradoxo, onde evita o que mais necessita!

E nesta situação contraditória, se perde tentando satisfazer sua necessidade de amor e felicidade de formas equivocadas e ineficazes!

Que situação lastimável!

Pergunto: como você está tentando satisfazer tua necessidade de amor?

Do jeito que você realmente precisa?

Ou está tentando remediar aquilo que só pode ser resolvido em Deus - ou seja, você mesmo?

Mesmo que sua resposta seja "não", ainda há esperança: o Bom Pastor do Salmo 23 está esperando por você, assim como fez pelo Filho Pródigo de Lucas 15.

Então, sabendo de qual é o legítimo remédio para sua necessidade... não perca mais tempo! 

sábado, 14 de maio de 2011

NÃO PRECISO SER MALUCO PARA SER FELIZ – UMA RESPOSTA APOLOGÉTICA AO MINISTÉRIO “FAMILY RADIO”


Quinta-feira, no centro de São Paulo, fui abordado por um homem de meia idade que distribuía folhetos avisando que o mundo acabará no próximo dia 21 de maio.

Esta previsão, recebida de forma cética pela sociedade e pela Igreja, tem sido divulgada pela Family Radio, que se autointitula um “ministério cristão de radiodifusão baseado na Bíblia e sem nenhuma afiliação com igrejas”.

O folheto, intitulado “O FIM DO MUNDO ESTÁ PRÓXIMO! 21 DE MAIO DE 2011, DEUS VAI TRAZER O DIA DO JULGAMENTO” apresenta as bases para tal “profecia”: um paralelismo entre a história de Noé e 2.ª de Pedro 3.8, que afirma que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia”.

O ministério Family Radio considera que, pelo fato de o dilúvio ter começado sete dias após Noé e sua família terem entrado na arca (Gênesis 7.4-10), isto indicaria que o mundo existiria por 7000 anos antes do dia do juízo (considerando que o dilúvio ocorreu em 4990 a.C.).

O cálculo que eles fazem é o seguinte: 4990 (ano do dilúvio) + 2011 –1 (o “ano zero”, inexistente no calendário) = 7000!

(Particularmente, acho que não seria necessário subtrair o tal “ano zero”, pois em termos de tempo corrido, o resultado independe de sua iteração com o calendário; para mim o resultado certo seria 2010, mesmo – matemáticos, fiquem à vontade para dar sua opinião.)

Não quero nem discutir a inútil maluquice desta profecia, patente antes à simples palavra do Mestre de que ninguém pode prever o Dia do Juízo (Mateus 24. 36, 44).

O que mais me chamou a atenção foi a atitude e postura do homem que distribuía os folhetos.

Estava alegre, assobiando e saltitando enquanto distribuía os folhetos. Feliz pela iminência de se encontrar com Jesus em pouco mais de uma semana.

Após refletir, concluí que a postura daquele homem tem importantes lições para nós.

Sim, pois o fato de considerarmos descabida a hipótese de marcar uma data para a volta de Jesus nos coloca em um estado de iminência mais urgente que aquele homem, que aguarda a volta do Senhor no próximo sábado: ela pode ocorrer a qualquer momento!

E viver em iminência é viver em alegria, segundo as palavras de Paulo:

“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1.ª aos Tessalonicenses, 4.13-18).

Ou seja, a promessa do retorno de Cristo se torna para mim uma fonte de esperança e alegria independemente do fato de eu saber a data - aliás, eu afirmo que é justamente o mistério da escatologia bíblica que gera forças para o viver e para a alegria, por levar a um estado de permanente iminência, que confere sentido e propósito a todos os dias (sejam eles quanto forem) que compuserem o intervalo para o encontro glorioso com o Senhor.

Sendo assim, aquele rapaz apresentou uma preciosa lição sobre o estado de espírito de que aguarda e anseia o retorno do Senhor, que deve ser levada muito mais a sério  por nós, que de forma ortodoxa, evitamos profecias extrabíblicas, mas vivemos de forma heterodoxa, por tiramos a “bendita esperança” de nossos corações e mentes, tendo um viver cada vez mais secularizado. Uma lição preciosa e, teoricamente, desnecessária, se de forma mais consistente com nossa crença, nos alegrássemos por aguardar o Senhor todos os dias.

Jesus vem! Viva feliz na iminência do cumprimento desta promessa! E para se alegrar com a escatologia bíblica, você não precisa perder seu equilíbrio doutrinário, racional e devocional.

domingo, 3 de janeiro de 2010

PENSE NISTO - Uma palavra de Billy Graham


"À medida que o crente, Bíblia à mão, analisa o cenário mundial, ele sabe que não adoramos um Deus ausente. Sabe que Deus está nas sombras da história e tem um plano. O crente não deve se perturbar com o caos, a violência, a contenda, o derramamento de sangue e as ameaças de guerra que enchem diariamente as páginas dos nossos jonais. Sabemos que estas coisas são conseqüência do pecado e da cobiça. Todos os dias, vemos milhares de evidências do cumprimento das profecias bíblicas. Todos os dias, ao ler o meu jornal, digo: 'A Bíblia é a verdade'.
Não importa qual seja o presságio para o futuro, o cristianismo conhece o final da história. Estamos nos dirigindo a um clímax glorioso. Todos os escritores do Novo Testamento crêem que o 'melhor ainda está por vir'.
Como disse John Baillie: 'A Bíblia mostra que o futuro está nas mãos de Deus. Se estivesse em nossas mãos, faríamos dele uma grande confusão. O futuro não está nas mãos do Diabo, porque assim ele nos levaria à destruição. O futuro não está à mercê de nenhum determinismo histórico, nos fazendo avançar às cegas, porque assim a vida não teria sentido. O futuro está, sim, nas mãos daquEle que está preparando algo melhor do que os olhos já viram ou que os ouvidos já ouviram, ou que já tenha passado pelo coração do homem, fazendo-o imaginar.'"

sábado, 12 de dezembro de 2009

LIÇÕES DO SALMO DA DESESPERANÇA


1 SENHOR, Deus da minha salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite.
2 Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor.
3 Porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima da sepultura.
4 Já estou contado com os que descem à cova; estou como um homem sem forças,
5 posto entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais; antes, os exclui a tua mão.
6 Puseste-me no mais profundo do abismo, em trevas e nas profundezas.
7 Sobre mim pesa a tua cólera; tu me abateste com todas as tuas ondas. (Selá)
8 Alongaste de mim os meus conhecidos e fizeste-me em extremo abominável para eles; estou fechado e não posso sair.
9 A minha vista desmaia por causa da aflição. SENHOR, tenho clamado a ti todo o dia, tenho estendido para ti as minhas mãos.
10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te louvarão? (Selá)
11 Será anunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na perdição?
12 Saber-se-ão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimento?
13 Eu, porém, SENHOR, clamo a ti, e de madrugada te envio a minha oração.
14 SENHOR, por que rejeitas a minha alma? Por que escondes de mim a tua face?
15 Estou aflito e prestes a morrer, desde a minha mocidade; quando sofro os teus terrores, fico perturbado.
16 A tua ardente indignação sobre mim vai passando; os teus terrores fazem-me perecer.
17 Como águas me rodeiam todo o dia; cercam-me todos juntos.
18 Afastaste para longe de mim amigos e companheiros; os meus íntimos amigos agora são trevas.


Mesmo antes de ser evangélico já sabia que o Salmo 88 era um dos textos mais tristes da Bíblia.

O Salmo 88 é a súplica de um homem profundamente atribulado.

Pouco se sabe de Hemã, seu autor. Provavelmente era um dos levitas que serviam no templo de Jerusalém, durante o reinado de Davi. Se for o mesmo homem mencionado no 1.º livro das Crônicas, capítulo 25.4, tratava-se de um importante profeta e ministro de louvor.

Infelizmente, nada disto torna alguém imune à aflição.

Hemã não deixa claro o que está causando seu sofrimento, nem sua duração (de acordo com o versículo 15, não parece tratar-se de uma crise momentânea). Prefere se concentrar nas consequências que suas tribulações podem acarretar (a morte) e na grande solidão que sente.

Não importa.

O que importa é que Hemã enfatizou a tentativa de compreender teologicamente seu sofrimento. E a conclusão que chegou, a partir de sua perspectiva, era que Deus o abandonara.

Aí, foi demais para ele. Hemã surtou.

Hemã entrou em parafuso.

Hemã questionou a bondade de Deus.

Compreendendo que nada acontece fora da permissão divina, julgou que estava vivendo sob Seu desfavor.

Afinal, como não responsabilizar um Deus que se sabe soberano sobre todo o universo?

Nenhuma nota de esperança conclui o Salmo. Apenas a certeza da solidão do salmista.

Que lições podemos tirar deste cântico desesperado?

LIÇÃO N.º1: A oração do salmista é uma lamentação e desabafo indignado, mas não se constitui apenas nisto. Ele ora ao “SENHOR, Deus da minha SALVAÇÃO”. O que leva Hemã a orar? O que o leva a se mover em direção a seu Deus? Apesar de não compreender Deus, de virtualmente discordar de Deus, Hemã não desiste de Deus – sabe que Ele é confiável – e encontra coragem para, expor tudo que há em seu coração. Somente aquele que crê em Deus apresenta para Ele sua dúvida acerca dEle. O Salmo 88 é um lamento fundamentado na esperança que o caráter de Deus fornece.
LIÇÃO N.º2: Este cântico foi ouvido – no sentido mais pleno possível. A inclusão do Salmo 88 na Bíblia demonstra que Deus não exclui a súplica dos desesperados. Deus não condenou Hemã a um ostracismo na história, antes preservou o registro de sua luta e forneceu a homens e mulheres de todas as gerações um modelo que confere a certeza de que os ouvidos de Deus estão atentos aos aflitos.

Você não precisa desistir de sua sinceridade para caminhar com Deus. Aliás, é no exercício dela, tanto nos bons como maus momentos, que você começará a compreender melhor quem é Deus e o que significa ter um relacionamento pessoal com Ele.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

VOCÊ QUER MUDAR O MUNDO?


Foi num dia desses, ao voltar da faculdade, que assisti na televisão, enquanto jantava, trechos da reprise do filme Escola de Rock.

Em meio às trapalhadas do professor de música que tentava fazer com que seus alunos formassem uma banda de rock, o personagem interpretado por Jack Black disse algo que me deixou pensativo por muitas semanas:

Um show de rock pode mudar o mundo! – disse ele, convicto.

Não foi o conteúdo em si da frase que me chamou a atenção, mas a paixão com que fora dita.

A paixão confere credibilidade àquilo que é feito, não havendo dúvidas acerca de sua relevância nem dos esforços e sacrifícios necessários.

Quem age com paixão realmente acredita que pode mudar o mundo.

A geração de 60, mesmo defendendo alguns ideais errôneos, acreditava no potencial transformador de suas ações, o que lhe conferiu uma postura ativista que merecia ser resgatada em nossos dias apáticos.

Antes de conhecer a Cristo, eu desejava ser ator e me dedicava em estudos e ensaios (mesmo sendo um canastrão), por crer que através do teatro eu poderia comunicar uma mensagem que realmente seria capaz de mudar o mundo.

A palavra “utopia” (do grego ‘ou, não; + topos, lugar) refere-se àquilo que ainda não tem lugar na realidade. Certamente, muitas das mudanças que desejamos ver no mundo realmente enquadram-se nesta categoria. Não quero afirmar que seremos capazes de concretizar as utopias (se assim fosse, Deus não necessitaria redimir o mundo).

Quero ressaltar a verdade que existe um não pequeno âmbito de influência sob nossa responsabilidade.
Trabalhando fervorosamente dentro dos limites do possível, descobriremos que muitas “impossibilidades” estavam apenas aguardando que alguém agisse – com sua arte, seu talento, seu dom – desde que apaixonadamente.

Sendo assim, um sermão pode mudar o mundo.

Uma canção pode mudar o mundo.

Um gesto solidário pode mudar o mundo.

Uma denúncia pode mudar o mundo.

Uma conversa pode mudar o mundo.

É possível trabalhar por uma pró-topia.

Que aqueles que receberam fazer obras semelhante e até maiores que a do Mestre não se contentem em buscar menos nesta vida.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

DE SUICIDAS... A MISSIONÁRIOS


O ministério dos profetas Elias e Eliseu está relatado nos dois livros dos Reis. Ministraram a uma nação dividida, governada por líderes corruptos. Compartilharam com Deus o anseio pela restauração nacional através do arrependimento. Alguns estudiosos afirmam que Acabe possui tantas menções no primeiro livro dos Reis apenas para que o ministério de Elias fosse relatado com maiores detalhes.


Um dos maus governantes deste período foi Jorão.

No segundo livro dos Reis, capítulos 6 e 7, está relatado o cerco que a cidade de Samaria sofreu pelo exército sírio, causando imensas privações à população. O rei Jorão chocou-se diante de um caso de canibalismo (6.26-30) e, ao invés de arrepender-se, culpou o profeta Eliseu e quis matá-lo (6.31,33). O furor assassino do rei não teve vazão, atenuado pelo anúncio profético de que Deus traria o livramento daquela situação em 24 horas (7.1).

É precisamente durante esta narrativa que acontece um episódio extremamente interessante: quatro leprosos, que viviam fora dos limites da cidade devido à sua doença, resolvem ir até o acampamento dos sírios para tentar obter algo para comer (7.3-4).

Não era muito animadora a perspectiva de obter alimento de um exército adversário (ainda mais quando são quatro leprosos que vão requerê-lo!). Ir até o acampamento dos sírios era uma estratégia praticamente suicida – e, aparentemente, esta era a intenção dos quatro homens, o suicídio "terceirizado" como alternativa frustrada a seu plano de sobrevivência.

Note a profunda expressão de desalento do "líder" do grupo: “se nos deixarem viver, viveremos; senos matarem tão somente morreremos.” (7.4). Estas palavras expressam o profundo sentimento de alguém que entregou os pontos, abrindo mão de sua existência, não fazendo questão entre vida e morte, considerando-a, na pior das hipóteses, um fardo menos insuportável que a própria vida.

Os quatro leprosos foram ao acampamento dos sírios sem saberem que Deus os havia afugentado de lá de forma milagrosa, em cumprimento à profecia de Eliseu. Foram esperando encontrar a morte e são surpreendidos encontrando o acampamento abandonado, com víveres em abundância.

Precisamente neste instante os homens chegam a uma conclusão que os leva a considerarem este momento como uma oportunidade e um dever:

“Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei.” (7.9).

Eles perceberam não seria bom permanecerem estreitados apenas em seus planos imediatos - a urgência do momento clamava por uma atitude resoluta, capaz de romper com o ciclo de letargia em que se encontravam, ou mesmo a tentação de usufruir egoisticamente daquele tesouro. Talvez tal ato significasse também resistir à tentação de vingança em relação à sociedade que os excluíra.

Com base em tal resolução, estes homens anunciaram as boas-novas à cidade. Confirmaram aos habitantes de Samaria o cumprimento da profecia de Eliseu. Samaria foi salva e quatro leprosos participaram do milagre de Deus.

Convém notar, porém, que esta história não termina como um conto de fadas:
Os leprosos continuaram leprosos.
Continuaram vivendo fora da cidade.
A Bíblia não registra que eles receberam um "muito obrigado".
Samaria permaneceu em sua idolatria, sendo finalmente arrasada em 722 a.C., apesar do milagre que recebera.
Todavia, eles descobriram algo que os fez abandonar um projeto fúnebre quanto ao futuro.
Albert Camus disse que o único problema filosófico realmente relevante é a questão do suicídio. O que faz com que viver seja uma melhor opção? O que tornaria tal decisão plausível?
Nossa vida não recebe significação através das condições que fazem parte de nossa realidade, pela maneira com que os outros nos tratam. Descobrimos que a vida merece ser vivida quando entendemos que, apesar de todos estes aspectos circunstanciais, eles não tornam a vida irrelevante: ainda podemos realizar ações capazes de fazer a diferença.

Jerome Murphy-O' Connor disse que nossa humanização se desenvolve através do esforço criativo voltado aos outros.

O amor, esforço incondicional voltado ao bem do outro, não beneficia somente quem é alcançado pelas ações que ele inspira: dar amor é mais recompensador que recebê-lo. E aqueles que assim o fazem possuem a satisfação de encontrarem um sentido de vida que vale a pena, por refletir o caráter de Deus, que é amor e sempre pró-vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

PENSE NISTO - Uma palavra de Helmut Thielicke


Helmut Thielicke foi um pastor alemão que viveu entre 1908 e 1968. Como opositor do nazismo de Adolf Hitler, sofreu perseguição do regime e passou por toda sorte de privações. A citação abaixo faz parte de um dos célebres sermões que este pastor proferiu à sua congregação de Stuttgart, arrasada pelos bombardeios da Segunda Guerra, enfatizando a importância de manter a fé e a esperança, mesmo diante dos contextos menos favoráveis ao cultivo estas virtudes.


Um dia, talvez, quando volvermos os olhos lá do trono de Deus naquele dia derradeiro, diremos com espanto e surpresa: "Se eu um dia houvesse sonhado, quando estava junto à sepultura de meus entes queridos, e tudo parecia estar acabado; se eu um dia houvesse sonhado, quando vi o espectro da guerra atômica se alastrando sobre nós; se eu um dia houvesse sonhado, quando enfrentei o absurdo destino de um encarceramento sem fim e de uma doença maligna; se eu um dia houvesse sonhado que Deus estava apenas realizando seu desígnio e seu plano por meio daquelas aflições e que tudo estava avançando para seu último e régio dia - se eu soubesse disso, teria sido mais calmo e confiante. Sim, então teria sido mais alegre e muito mais tranqüilo, sereno.


Fé e esperança não são meras opções alternativas às circunstâncias adversas que possamos estar vivendo. Antes, são os próprios meios para vencer tais circunstâncias desavoráveis. São elas que nos ajudam a fixar nosso foco em uma perspectiva mais ampla, a da fidelidade de Deus - esta é, resumidamente, a lição de fé deixada por homem que sentiu pungentemente, o sentido da expressão "contexto desfavorável".