segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ONDE DEUS É MAIS AMADO?


Onde podemos encontrar maior e mais sincera devoção e amor a Deus?

Em uma igreja improvisada em uma favela ou em uma catedral?

Nestes respectivos locais de culto ama mais a Cristo o irmão que diz “grória a Jesuis” e se alegra em saber que é aceito por Deus em sua simplicidade ou aquele que busca o máximo de aprimoramento para servi-Lo?

Quem amou mais ao Senhor? Aquele que participou do mutirão na favela ou o artista que, ao ornamentar a catedral, a Ele apresentou o requintamento de sua arte?

Expressa melhor seu amor a Deus aquele que dá altissonantes gritos de glória a Seu nome ou aquele que cultua recatadamente em seu interior?

Encontramos melhor expressão de amor naquele que se esforça por defender e preservar a ortodoxia que considera mais pura diante de outras interpretações da fé cristã ou naquele que tenta enfatizar mais as semelhanças ou as diferenças entre aqueles que professam a Cristo?

Ama mais ao Senhor o mártir que tem sua vida ceifada por amor ao Evangelho ou aquele que percorre toda sua vida em serviço amoroso a Deus e ao próximo, inspirado pelo mesmo Evangelho?

***
É... são perguntas difíceis, sendo um tremendo atrevimento tentar achar as respostas.

Está fora de nosso alcance saber onde Jesus é mais amado. Só Jesus sabe!

Há um único lugar onde esta investigação é possível e incentivada: dentro de mim!

Olhando para dentro de meu coração, posso encontrar amor a Jesus nele?

E esta é a grande questão, pois apesar do grande enigma que esta mensagem encerra (“Onde Deus é mais amado”) não somos chamados a responder pela solução deste enigma, mas para responder pela medida de nosso amor a Deus.

Busque esta resposta.

E, se o seu coração for um enigma, tenha coragem para decifrá-lo. A busca desta resposta não é algo que pode ser ignorado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DOENÇAS QUE NÃO PODEM ATINGIR A SUA ALMA III: O MAL DE NOÉ, OU A SÍNDROME DO “EU FAÇO, E VOCÊ PAGA O PATO”


"Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem.
Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo". (Gênesis 9.20-27)


Sarah E. Saville disse que o espetáculo de um bêbado é o melhor sermão contra o vício.

Noé não fugiu à regra. Bêbado e nu, mal lembrava o homem digno que sobreviveu ao dilúvio.

O maior problema, contudo, ocorreu após o porre (uma curiosidade: antigamente, uma bebedeira se chamava “carraspana” - isto pode cair no vestibular!):
Furioso pelo fato de seu filho Cam ter presenciado o espetáculo que ele mesmo proporcionara, Noé achou-se no direito de lançar-lhe uma maldição, mais especificamente, desejando que ele fosse subalterno em relação aos irmãos.

Que pensar disso?

Historicamente, a maldição de Noé foi utilizada por alguns intérpretes da Bíblia favoráveis ao racismo e à escravidão como um texto que traria sustentação seu sistema de exploração da etnia negra (onde Sem é visto como antepassado dos judeus, Jafé dos europeus e Cam dos africanos).

Outros intérpretes, convencidos da maldade desta interpretação distorcida do texto bíblico, consideram que a maldição de Noé atingiu apenas a Cam e seus descendentes diretos, ou seja, as tribos cananitas, não sendo aplicáveis a nenhum outro grupo étnico.

O que eu penso a este respeito?

Particularmente, não creio que devamos procurar algum “cumprimento” para esta maldição – e nem que tenha ocorrido algum.

Não creio que Deus tenha endossado as palavras de Noé.

Já pensou se Deus desse cumprimento a todo absurdo dito durante uma ressaca?


Não quero aqui justificar o comportamento de Cam, mas destacar que o causador de toda aquela confusão foi o próprio Noé!

É contraditório reclamar das risadas quando você as inspirou.

É uma saída muito simples desviar o foco das atenções para evitar lidar diretamente com o problema real – e quando é possível se abusar do poder, a coisa se torna mais fácil ainda!

Quantas pessoas saem pela tangente de suas responsabilidades, achando a quem culpar (e muitas vezes até maltratar ou amaldiçoar) pelo próprio fracasso!

Como prevenir a síndrome de Noé?

Com uma boa dose de autocrítica e responsabilidade.

Virtudes que ensinam que é melhor prevenir do que remediar – principalmente tentar remediar os próprios erros às custas dos outros.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CALENDÁRIO MALA


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

QUE BOM QUE ÀS VEZES DEUS NÃO NOS LEVA A SÉRIO!

O livro de Rute tem como uma de seus protagonistas Noemi, retirante da fome que assolou Belém e a levou a se estabelecer em Moabe com sua família.

Após ter sido vitimada pela perca do marido e dos filhos, e com a perspectiva de um regresso doloroso à sua pátria, Noemi toma uma decisão fatídica: não mais queria ser chamada pelo seu nome (cujo significado é "minha delícia"), preferindo ser tratada por Mara ("amargura").

Por consider que a tragédia havia obtido poder para definir sua vida, Noemi abriu mão de sua identidade.

Felizmente, Deus não concordou.

O autor bíblico (provavelmente Samuel) jamais utiliza o termo "Mara" para falar de Noemi (veja Rute 1.22; 2.1-2, 6, 20, 22; 3.1, 18; 4.3, 5, 9, 14, 16-17).

Deus não abriu mão da identidade de Noemi e desrespeitou sumariamente a nova maneira pela qual ela concebia a si mesma e a vida, fazendo-a ver que as coisas não são como ela pensava, e que era possível ainda conhecer a felicidade.

Deus não desistiu de Noemi, apesar de ela ter desistido de Si.


Deus não desiste de nós em nossas precipitações.
Deus não anula o futuro que tem para nós quando tomamos como verdade nossas próprias perspectivas enganosas.

Deus não nos trata na mesma medida de nossas iniquidades e nem tampouco nos recompensa com base em nossa limitada fidelidade.

Deus ainda nos enxerga como somos, apesar dos pseudônimos que adotamos.

E ele jamais irá aceitar as decisões que tomamos acerca de nós mesmos que impliquem em um projeto de vida que não concretize o melhor que Ele tem para nós: assim como ele não aceitou tratar Noemi como Mara, Ele não aceitará abrir mão do homem e da mulher que Ele quer formar em nós, concordando com as alcunhas que assumimos e apelidamos de "vida", "identidade" e "perspectivas".

Que bom para nós!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DOENÇAS QUE NÃO PODEM ATINGIR A SUA ALMA II: A SÍNDROME DE ELIAS, OU "SOU O ÚLTIMO FIEL DA FACE DA TERRA"!


"Que fazes aqui, Elias?
Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida". (1.º Reis 19.13-14)


Quem sofre desta doença considera-se o único (ou o último) fiel que Deus possui na Terra.

É uma forma diferente de monopolizar Deus: enquanto a pessoa exclusivista não aceita que outros tenham acesso a Deus, esta não acredita que seja possível que isto aconteça.

A "síndrome de Elias" é uma tendência que se torna perceptível em discursos que tentam caracterizar indivíduos ou comunidades (o aspecto gregário da síndrome) como a voz profética de Deus, os mais puros doutrinariamente, os realmente avivados, a igreja pensante.

(Fatores como uma tradição denominacional ou uma questão teológica particular podem fomentar este sectarismo "piedoso".)

Certamente quem assim pensa deve sentir enorme solidão e desconfiança em relação ao próximo.

Assim sentia-se Elias na caverna: só e cético em relação aos homens.

A cura para a "síndrome de Elias" está no entendimento de que as menções bíblicas ao "remanescente fiel" são coletivas, e não individuais.

Você NÃO É o último crente da face da Terra!

Você NÃO É a única voz que Deus usa.

Você NÃO É o único a preocupar-se com andar em retidão.

Você NÃO É o único enojado com tanto engano religioso.

Você NÃO É o único a pensar.

Você NÃO É o único a experimentar Deus - outros O conhecem melhor que você, e sua vida pode ser abençoada por aprender com eles.

Você não está só.

Foi o que Elias teve de aprender.

"... conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou". (v. 18)

Nosso Senhor (não é só teu, viu?) prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja - portanto, volte a ter fé nos homens como expressão de fé em Deus, reconhecendo que Sua graça é poderosa também na vida do próximo.

Assim como foi na sua.


Se você não descrê do que Deus fez em Sua vida, não duvide do que Ele tem feito em outros; não duvide que você tenha irmãos: você não tem este direito.

domingo, 8 de novembro de 2009

DUAS PALAVRAS QUE DEVEM SER EXCLUÍDAS DO RELACIONAMENTO COM DEUS


PALAVRA NÚMERO 1: ACHO

Temos poucas certezas na vida, o que encerra o ato de viver em um contexto de mistério. Mas não somente mistério: também incerteza, temor e ansiedade acabam sendo subprodutos da incerteza.

Não é imprudente viver e valorizar as verdades às quais temos acesso.

(Aquele que põem em dúvida a existência de verdades absolutas neste universo deveriam colocar as mãos no fogo e gritar: "Eu não creio que o fogo queime"! - e assim se veriam curadas de seu relativismo ilógico.)

Por que é errado usar "eu acho" em relação a Deus?

Porque entre tantas incertezas, Deus nos dá conhecimento seguro de si mesmo - de Sua existência, de Seu caráter e de Seus propósitos.

É só ler a Bíblia.

Porque Deus Se revela (e, neste sentido, define a Si mesmo), este é um dos poucos temas da vida nos quais podemos utilizar um abençoado "eu sei"!

Se Deus não fornecesse conhecimento de Si mesmo, restaria ao homem apenas a esapeculação.

É claro que não quero afirmar que é possível saber tudo sobre Deus!

Deus será conhecido de forma mais plena apenas na eternidade.

Mas aquilo que sabemos, ou melhor, o conhecimento que Deus nos proporciona de Si mesmo é suficiente para fundamentar a visão de mundo e a conduta, concordando com as palavras do salmista: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos". (Salmo 119.105)

"Achismo" em relação a Deus é ateísmo em sua variante mais antropocêntrica, no sentido de ser uma tentativa da criatura em definir o Criador, rejeitando o que Ele diz acerca de Si mesmo.

PALAVRA NÚMERO 2: LEGAL

Não sei se você define Deus como "legal".

Talvez você diga que Ele é pop, 10, 100 ou 1000.

Não importa, desde que, em seu entendimento, "legal" não signifique menos que vital.

Sim, pois de que adianta uma conversa sobre Deus e as Boas Novas do Evangelho que tem como conclusão: "Isto tudo é muito legal!"?


A lugar algum.


Falar sobre Deus é falar do sentido próprio da existência.


É Aquele a quem não se pode ignorar.


Por isso, Deus só é percebido realmente quando compreendido como questão de vida e morte.


Caso contrário, Ele não é percebido realmente.


Ele se torna apenas um acessório, um opcional "legal" para a vida.

***

Alcançando tal entendimento é possível não apenas falar melhor sobre Deus, mas falar com Ele com maior discernimento e melhor sentimento de coração.

E trazer-Lhe mais honra.

domingo, 1 de novembro de 2009

PORQUE É MELHOR PERDER NA FINAL QUE NAS ELIMINATÓRIAS


Tive um pesadelo esta semana no qual uma pessoa amiga estava à beira da felicidade e era visitada pela tragédia, que boicotava violentamente seu sonho.

Acordei sentindo o desalento pela frustração, intensificada por parecer tão perto e tão certa a realização.

Foi apenas um sonho.
Mas é pertinente a pergunta:

De que vale a pena avançar tão longe (em um sonho ou em um projeto) para apenas encontrar a frustração? Não seria melhor nem começar?

Nem nutrir esperanças?
Perguntemo-nos: O que torna diferente que o Brasil perca na final da Copa do Mundo ao invés de perder na primeira fase?
A resposta é: seis partidas vitoriosas!
O fato de uma meta não ser atingida não invalida os sucessos que fizeram parte de sua busca.
Eticamente falando, o caminhar é tão ou mais importante quanto o chegar.
Martin Luther King não viveu para ver Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, mas pôde dizer, em vida, que vira a glória do Senhor, reconhecendo o valor das pequenas conquistas de então.
Moisés não pôde entrar na Terra Santa, mas sua biografia permanece incólume como exemplo de liderança e devoção a Deus.
Deus não terá cumprido seu intento maior: não prevalecerá sobre todos os corações dos homens, que persistirão em viver de forma egoísta e incrédula.
Que faz o Todo-Poderoso?
Alegra-se por Aqueles que conquistou.
Valoriza a escolha de cada coração que optou por amá-Lo e conhecê-Lo.
O parcial não é destituído de valor.
Algum sucesso é infinitamente melhor que nenhum sucesso.
Mesmo as esperanças não realizadas são responsáveis por terem nos levado a caminhar em frente, e nos tornaram melhores.
A vida não termina com o fracasso de um projeto, nem diminui em valor e significado.
Diante da frustração por aquilo que não foi, permanece a memória do que foi.
E, reconhecida a posse de tal tesouro, mesmo um coração ferido poderá dizer que valeu a pena perseguir a felicidade e a contribuição que cada momento nesta busca.