1 Levantando Jacó os olhos, viu que Esaú se aproximava, e com ele quatrocentos homens. Então, passou os filhos a Lia, a Raquel e às duas servas.
2 Pôs as servas e seus filhos à frente, Lia e seus filhos atrás deles e Raquel e José por últimos.
3 E ele mesmo, adiantando-se, prostrou-se à terra sete vezes, até aproximar-se de seu irmão.
4 Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e choraram.
5 ¶ Daí, levantando os olhos, viu as mulheres e os meninos e disse: Quem são estes contigo? Respondeu-lhe Jacó: Os filhos com que Deus agraciou a teu servo.
6 Então, se aproximaram as servas, elas e seus filhos, e se prostraram.
7 Chegaram também Lia e seus filhos e se prostraram; por último chegaram José e Raquel e se prostraram.
8 Perguntou Esaú: Qual é o teu propósito com todos esses bandos que encontrei? Respondeu Jacó: Para lograr mercê na presença de meu senhor.
9 Então, disse Esaú: Eu tenho muitos bens, meu irmão; guarda o que tens.
10 Mas Jacó insistiu: Não recuses; se logrei mercê diante de ti, peço-te que aceites o meu presente, porquanto vi o teu rosto como se tivesse contemplado o semblante de Deus; e te agradaste de mim. (Gênesis 32.1-10)
"Ver teu rosto é como ver o rosto de Deus", disse Jacó a Esaú.
Parece um rompante de idolatria.
Mas somente quem compreende a intensidade da ruptura compreende o valor da reconciliação.
Relacionamentos há cuja restauração é comparável ao milagre da redenção.
E neste caso, contemplar e ser contemplado favoravelmente por alguém outra vez, soa como viver uma experiência tão miraculosa quanto a da comunhão beatífica com Deus.
O melhor de uma reconciliação é que através dela se (re)descobre a preciosidade daquela pessoa.
(E não acontece o mesmo depois da conversão? Não nos pegamos estupefatos pensando em como a vida era sem sentido enquanto estávamos distanciados de Deus?).
O sentimento de Jacó não era idolatria, mas gratidão.
E Deus entende.
Afinal, foi Ele que nos criou como seres gregários.
E Ele mesmo que colocou em nós o impulso para a busca da felicidade, que tem como um de seus imperativos a necessidade de viver relacionamentos plenos e, quando isto não ocorre, ansiar pela redenção dos mesmos.
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